economia 04/12/2016 às 23:04 - Atualizado em 05/12/2016 às 03:46

Filial da corporação estatal nuclear russa Rosatom construirá centro nuclear no Brasil

Planta processará produtos médicos e farmacêuticos, além de cosméticos

A "OIK" (da sigla em russo, "Corporação Unida de Inovação", empresa que faz parte da corporação Rosatom) e a brasileira "CK3 Consultoria e Participações" assinaram um memorando de entendimento para desenvolvimento do projeto de um "Centro Nuclear no Brasil". A Rosatom é a corporação estatal russa de energia nuclear, com sede em Moscou.

O documento foi assinado pelo diretor-geral da OIK, Denis Tcherednitchenko e o diretor da "CK3", Renato Cherkezian. De acordo com o documento, as partes irão trabalhar em parceria e combinar esforços para realizar o projeto de criação (projeto e construção) e exploração de um centro nuclear em território brasileiro.

O centro usará tecnologia com base em aceleradores de elétrons para processamento nuclear de produtos médicos, preparados farmacêuticos e cosméticos, entre outros.

"O uso de tecnologia nuclear na saúde no Brasil permitirá elevar substancialmente a segurança e a qualidade dos produtos e serviços fornecidos. Com a ajuda do processamento nuclear, pode-se esterilizar de modo efetivo grandes volumes de produtos medicinais embalados hermeticamente, o que diminui muito o risco de contaminação na etapa de produção. A produção processada pelo método de esterilização nuclear também permite aumentar o potencial de exportação das companhias brasileiras produtoras de artigos para medicina", diz Tcherednitchenko.

A "OIK" foi fundada em 2011 como filial 100% pertencente à Rosatom. As atividades da companhia estão fundamentadas em três áreas de alta tecnologia: soluções complexas na área de medicina nuclear; centros multifuncionais de radiação; e em ecologia, incluindo a gestão e tratamento de  resíduos hospitalares sólidos perigosos e outros possíveis usos de tecnologias radioativas.

Líder de mercado

A Rússia tem 34 usinas nucleares sendo construídas em todo mundo, o que a torna líder nesse mercado. O portfólio de 2015 para os próximos dez anos de passava dos US$ 110 bilhões, quase US$ 9 bilhões a mais que no ano anterior. A meta para este ano é US$ 136 bilhões. Os lucros com contratos no exterior da empresa aumentaram de US$ 5,2 bilhões em 2014 para US$ 6,3 bilhões em 2015.

Os concorrentes da Rússia nesse setor são de peso, como Estados Unidos, China, Coreia e França. Especialista em política energética russa, do Centro de Estudos Russos do Instituto de Assuntos Internacionais da Noruega, Jakub Godzimirski ressaltou que a região latino-americana carece de know-how em tecnologia nuclear, o que a torna atraente econômica e politicamente para a Rússia nesse setor. Ele acrescentou que Moscou tenta, por meio de acordos bilaterais, mudar sua imagem no ocidente causada por crises como a que ocorre na Ucrânia.

“A motivação é sempre uma combinação de fatores econômicos e políticos. Historicamente, a Rússia compete com os Estados Unidos pela influência política nesta parte do mundo e uma forma de se alcançar isso também é aumentar sua influência econômica. Investir em energia nuclear também significa poder exportar óleo e gás a preços competitivos para outros países e aumentar o superávit. Trata-se de maximizar os lucros e sua presença como grande potência”, diz o especialista.

A manutenção desse tipo de tecnologia, segundo Godzimirski, também é vital para a Rússia produzir mais energia limpa e garantir a segurança dos armamentos nucleares e desenvolvimento de novas tecnologias.

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