geral 01/12/2016 às 11:14

A Chape é do mundo

* Opinião. Ciríaco Caetano. Delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

Vendo a homenagem prestada pelo Atlético de Medelin percebo que há dignidade e humanidade ainda no mundo. Que clube! Que torcida! Que cidade! Em pouco mais de 48 horas organizaram talvez o mais belo espetáculo protagonizado em uma praça esportiva.


Comovente, digno e muito bem organizado, deu-nos uma dimensão real do tamanho da tragédia que chegou a ser descrita, na madrugada do dia fatídico por um jornalista do grupo RBS, Rádio Gaúcha, como "um susto apenas", e que agora começa a demonstrar ter sido apenas porque alguém quis poupar alguns centavos ao custo de vidas.


Alguns afoitos vaticinaram que o clube deveria retirar-se do futebol, que levaria décadas para se recuperar. Mas a Chape, como é conhecida a partir de agora em todo o mundo - e não subestimem - EM TODO O MUNDO vai retirar como rescaldo desta desta tragédia infinitamente mais do que obteria com a conquista no gramado deste título.


Quilmes ofereceu-se para jogar de graça em Chapecó! Outros farão o mesmo. Ronaldinho, ainda em fim de carreira, mas com prestigio mundial poderia imitar o gesto. Agora mesmo, enquanto as chagas são pensadas vários clubes pelo mundo e atletas se prontificam a colaborar. Renato Gaúcho aventou um jogo promocional pelas famílias. Podemos ter aqui em Chapecó um Kosmos da era Pelé.


Claro, nada disso fará o coração dos torcedores e especialmente dos familiares deixar de sangrar. Mas a Chape abandona sua marca de time pequeno, de uma cidade de 200 mil habitantes para se transformar num time do mundo. Isto conforta. Definitivamente, a Chape é de todos nós. Todos somos Chape.

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