geral 25/11/2016 às 17:23

Quando o batedor de carteira é quem grita pega ladrão

* Opinião. Eric Balbinus. Bacharel em Relações Internacionais e Coordenador do MBL. É autor do blog O Reacionário.

Quando recebi o convite do Eduardo Bisotto e do Guilherme Schneider para escrever neste Sul Connection, pensei em tratar de assuntos diferentes. É um espaço privilegiado, um veículo que vi nascer. Tinha outros assuntos em mente, até que nesta quarta-feira fomos tomados de assalto por uma das mais rasteiras tentativas de desqualificação já vistas. O site BuzzFeed acusou o Sul Connection de ser um portal de notícias falsas, classificando-o como autor de uma das notícias “fakes” mais compartilhadas sobre a Operação Lava Jato.


Detalhe: o ministro disse mesmo isso. A informação saiu em outros veículos.


Por coincidência, o Guilherme Schneider havia antecipado este movimento de criminalização de portais conservadores e liberais justamente por meio da desqualificação. Ele fez sua previsão com base na narrativa da extrema-esquerda americana de que “Donald Trump venceu por conta da atuação de sites de notícias falsas”.


O Facebook passou então a trabalhar para “marcar” essas supostas fontes de mentiras, seja com selos de desonestidade ou com a exibição de links alternativos provenientes de veículos idôneos. Estes veículos são os mesmos que trabalharam por Hillary, portanto, os que erraram todas as previsões sobre as eleições. Quem checaria as informações sobre os sites independes também seriam jornalistas destes veículos “idôneos”, em parceria com o Facebook.


Vale lembrar: quem propõe isso é Mark Zuckerberg, que meses antes das eleições americanas, foi denunciado por alguns de seus funcionários por permitir que sua empresa censurasse fontes conservadoras nos links exibidos aos usuários. Ele é democrata, e foi obrigado a se explicar para uma Comissão do Congresso Americano. Negou tudo, mas ao fim prometeu que iria “corrigir possíveis falhas” para manter a plataforma “democrática e plural”.


Houve ainda um estranho episódio mundial de queda de páginas conservadoras nos Estados Unidos, além de um estranho fenômeno que impedia geradores de conteúdo de postarem em páginas conservadoras no final do ano passado. Aqui no Brasil, de tempos em tempos o Facebook promove expurgos contra páginas de Direita. As denúncias que não se provam incluem “nudez, pornografia, apologia às drogas” e “discurso de ódio”.  “Coincidências” que depõem contra o sr. Zuckerberg.


De longe se vê que há um esforço por parte desses setores de garrotear a Direita onde quer que ela se manifeste. Como a Direita soube contornar as adversidades e se adaptou ao ambiente virtual, há uma tentativa de acabar com esse meio por meio da desqualificação. No caso do BuzzFeed, trata-se da frente midiática do golpe. Lá nos Estados Unidos, são sites como Politico, Huffington Post e BuzzFeed que promovem essa ideia.


Pelo visto, o BuzzFeed resolveu ampliar os limites da campanha para o Brasil. Mencionar o Sul Connection foi um descarado estelionato. O autor da matéria (que supostamente era uma matéria de checagem) poderia ter se dado ao trabalho de pesquisar. Levaria menos de cinco minutos. Jogou o Sul Connetion ali para enlamear o portal. Eles não erram, eles praticam crimes.


Outro indício do crime: Ali também está o Joselito Muller. Joselito Muller não espalha notícias falsas. É um blog humorístico. Assim como o Sensacionalista do Mario Zorzanelli e o Piauí Herald. O Zorzanelli até meados deste ano estava no Diário do Centro do Mundo. Já o Piauí pertence ao banqueiro João Moreira Salles, representante da fina flor da esquerda caviar. Eles podem fazer ironias políticas. O Joselito não.


Mas, vamos adiante. Se a tentativa fosse mesmo de elencar notícias falsas, poderíamos mencionar a Folha e o UOL. Os veículos coirmãos publicaram várias matérias falsas, como uma que acusava o Movimento Brasil Livre de ser financiado por PMDB e PSDB. A notícia que até hoje é trunfo retórico dos viúvos do destronado Partido dos Trabalhadores não passa de miragem. No corpo da matéria e no áudio divulgado pelos próprios, há a verdade: houve a impressão de alguns panfletos. Nada de mesadas, de hotéis, de pão com mortadela.


Outro veículo que poderia figurar entre os mentirosos é o Catraca Livre, do progressista da Vila Madalena Gilberto Dimenstein. Este senhor gosta de postar nulidades que exaltem o suposto pluralismo, como a primeira negra a se tornar frentista no posto X ou o primeiro anão transexual a publicar um vídeo no YouTube. Mas ele ignorou a candidatura de Fernando Holiday, assim como sua vitória. Quando um desembargador do TRE paulista implicou com um vídeo de Holiday em sua página no dia da votação, acusando-o da prática de crime eleitoral, o Catraca Livre mencionou da vitória de Holiday. E publicou o seguinte: “Vereador Fernando Holiday pode ser preso por crime eleitoral”. Imagine se fosse verdade: não seria uma lei quase draconiana? Aliás, a irregularidade sequer ocorreu. Holiday está solto. Até o momento.


O que está acontecendo neste momento é uma campanha criminosa e antidemocrática promovida por quem de fato pratica tais crimes. O próprio BuzzFeed espalhou diversas mentiras durante as eleições americanas, e caiu em descredito após apostar todas as fichas na vitória de Hillary Clinton. Agora estes veículos querem fazer aquilo que Dinesh D’Souza aponta no documentário “A América de Hillary”. Quadrilhas se organizam em torno de um golpe, promovem o crime e levam adiante o plano. Se são apanhadas, negam. E partem para outro plano. É o que está fazendo a mídia e o Facebook.


Acuados, os que defendem a liberdade de expressão se perguntam se poderão fazer frente a mais essa investida contra a verdade. Sim, é possível resistir. Basta recorrer às instâncias políticas e jurídicas caso seu site ou página seja classificado como propagador de mentiras. Force os agentes do autoritarismo a provarem na justiça quais são os critérios utilizados, e quando foi que seu veículo publicou alguma mentira.


É possível ainda formar frentes de veículos independentes, pedir o apoio de parlamentares, ampliar o debate. Foi desta forma que veículos conservadores dos Estados Unidos forçaram o Facebook a maneirar em sua censura no começo do ano. O esquema é forçar a rede a fazer uma escolha entre ser parcial de fato ou admitir publicamente que possuem um viés. Mesmo que eles optem por tornar claro que irão promover a censura contra a direita, há como contornar isso.


Basta exigir que o governo pare de colaborar com veículos que promovem esse tipo de censura. Se quiserem privilegiar um dos lados do espectro, que o façam sem dinheiro público. A luta é diária, mas mesmo os gigantes da imprensa e da internet podem ser vencidos. O que não se pode permitir é que o batedor de carteiras é que grite pega ladrão.

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