politica 09/11/2016 às 14:02 - Atualizado em 09/11/2016 às 15:19

O fim da era da grande imprensa e das pesquisas

* Análise. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

POR EDUARDO BISOTTO 

Os sintomas já vinham se acumulando. Brexit, Processo de Paz na Colômbia, eleição Presidencial na Áustria: todos processos políticos com características comuns e com resultados similares. Em todos estes casos, a grande imprensa escolhia uma pauta, uma linha política, as pesquisas pareciam apontar para a vitória destas pautas, ainda que por margens estreitas e as urnas mostraram realidades distintas. Todos estes sintomas caminharam juntos ontem nos Estados Unidos da América e levaram à eleição de Donald John Trump, contrariando de forma radical institutos de pesquisa e a big media.

Dias atrás, li no Facebook em uma postagem compartilhada pelo amigo Ciríaco Caetano, Delegado da Polícia Civil nos pagos gaudérios, um exercício de futurologia em que  autor apontava para um fato interessantíssimo: os saltos tecnológicos levam anos se acumulando lentamente, sem que ninguém os note, até que geram uma verdadeira revolução social em larga escala. A primeira câmera fotográfica digital, por exemplo, foi desenvolvida em 1975. Só foi tornar-se padrão mundial, aposentando câmeras analógicas e os saudosos filmes de revelação no final do século. 

Não está sendo diferente no setor de informação, pesquisas e opinião pública. A internet, no atual formato da World Wide Web, foi criada em 1990 por Tim Berners-Lee. Engatinhou com a dificuldade de programar em HTML na primeira metade dos anos 1990, deu um salto com servidores gratuitos e buscadores e começou a revolucionar o mundo da notícia com o fenômeno dos blogs no começo dos anos 2000. De lá pra cá, surgiram as redes sociais e o salto foi brutal. Hoje, qualquer cidadão com uma conta no Facebook produz informações, notícias e opiniões direto de sua casa e interagem com quem tiver interesse. 

Ainda assim, é natural que a mídia ainda exerça uma grande influência. Mesmo jovens como eu, na casa dos 30 anos, crescemos soterrados pelo poder onipresente e onisciente dos Jornais Nacionais da vida. Sendo assim, não surpreende uma informação que a única pesquisa a ter acertado o resultado das eleições nos Estados Unidos, conduzida pelo jornal Los Angeles Times, constatou: eleitores de Trump, que respondiam sua pesquisa online, diziam ter vergonha de admitir seu voto em pesquisas conduzidas por telefone e mesmo presenciais.

A mídia ainda constrange as pessoas. Sua retórica altamente belicosa contra qualquer ideia ou personalidade que destoe do politicamente correto deixa as pessoas intimidadas. Mas não impede que na solidão indevassável das urnas os cidadãos exerçam seu sagrado direito de escolha.

Além da pesquisa certeira do Los Angeles Times, conduzida de forma inteiramente online e sem interação humana, acertaram robôs que rastrearam as redes sociais com algorítimos de cálculo automatizados. Eles também previram Trump Presidente.

O binômio Grande Imprensa-Pesquisas tornou-se obsoleto. Daqui pra frente, não iremos mais buscar previsões com Nate Silver e agregadores de pesquisa, por mais que seu trabalho seja sério e estritamente técnico. As previsões deverão vir de Nates Silvers totalmente informatizados, buscando no cotidiano dos cidadãos a verdadeira formação da verdadeira opinião pública (com o perdão da redundância).

Bem vindos ao Admirável Mundo Novo.

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