politica 03/10/2016 às 10:42 - Atualizado em 03/10/2016 às 15:37

PMDB prossegue trajetória de queda e PSD e Colombo são os vitoriosos da eleição

* Análise. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

Com a finalização do primeiro turno das eleições municipais em Santa Catarina, um dado chama a atenção: mesmo ainda sendo o partido com o maior número de prefeituras do estado, o PMDB segue uma inexorável trajetória de queda. A linha de queda teve início em 2008. Prosseguiu em 2012 e agora e pode deixar o partido, pela primeira vez em muito tempo, com menos de 100 prefeitos no estado. O peemedebismo certamente apostará tudo no segundo turno de Florianópolis e de Joinville, buscando compensar desta forma a trajetória de queda nos demais municípios.

Uma derrota é emblema do mau momento vivido pelo PMDB no estado: em São José, terra do senador Dário Berger, hoje a maior liderança estadual do partido, o PSD reelegeu Adeliana Dal Pont com uma expressiva votação. É a segunda derrota consecutiva de Berger em sua base eleitoral. Em 2012, seu irmão Djalma, candidato a reeleição, já havia sido derrotado de forma acachapante por Dal Pont. Agora, Berger fez questão de colar sua imagem no candidato José Natal do PMDB. A diferença em favor de Adeliana foi de 12%, mais de 14 mil votos.

O Presidente estadual do PMDB, deputado federal Mauro Mariani, teve uma derrota dolorosa em sua base. Em Rio Negrinho o eleito foi Julio Ronconi, do PSB, com 56,46% dos votos. O candidato apoiado por Mariani, Alcides Grohskopf do PMDB, ficou com apenas 38,65%.

Já o coordenador das eleições municipais do PMDB, deputado estadual Valdir Cobalchini, colheu uma derrota acachapante em sua terra natal. Saulo Sperotto do PSDB, que já havia derrotado o próprio Cobalchini em 2008, foi eleito com 63,40% dos votos. O candidato a reeleição, Beto Comazzetto do PMDB, conseguiu apenas 20,88%.

Por outro lado, emerge como grande vitorioso da eleição o governador Raimundo Colombo e o seu partido, o PSD. Agora o partido de Colombo está no comando de 61 prefeituras no estado, nove a mais do que em 2012, quando disputou a eleição pela primeira vez. Duas vitórias são emblemáticas na consolidação da posição política do governador e de seu grupo: Lages, sua terra natal, conseguindo vencer uma eleição que havia sido perdida por pouco mais de mil votos em 2012 e Chapecó, onde o seu grupo político, há 12 anos no poder, venceu com mais de 60% dos votos.

O Presidente da Assembleia, Gelson Merísio, além de ter colhido a vitória de Chapecó, também venceu em sua base. Em Xanxerê o vitorioso foi Avelino Menegolla, do PSD, derrotando Adenilso Biasus, do PMDB.

Outro grande vitorioso do pleito são os tucanos do PSDB. É o partido que mais cresceu em números absolutos. Foram 38 prefeitos eleitos, 13 a mais do que em 2012. Duas disputas foram emblemáticas para os tucanos: Clésio Salvaro e Saulo Sperotto, em Criciúma e Caçador, respectivamente, voltaram ao comando de seus municípios com votações avassaladoras, após enfrentarem a cassação há alguns anos, ainda que por motivos distintos. O partido ainda espera pela reeleição de Napoleão Bernardes em Blumenau, já que o prefeito disputará o segundo turno contra Jean Kuhlman do PSD. Napoleão foi para a segunda rodada com quase 10 pontos de vantagem.

O cenário para 2018 começa a se desenhar. Quem joga com as brancas, tendo toda a iniciativa do jogo, é o governador Raimundo Colombo e o seu PSD. E quem entra também muito bem posicionado na partida é o PSDB, ainda mais com um cenário nacional que se desenha cada vez mais favorável. Enquanto isso, restará ao PMDB rezar por duas vitórias no segundo turno, para voltar a ter um mínimo de competitividade nas eleições gerais daqui há dois anos.

 

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