politica 26/09/2016 às 18:04

Houve um tempo em que Palocci era visto como czar da economia e a garantia de que o PT havia se modernizado

Este Sul Connection lembra alguns momentos da carreira do ex-ministro da Fazenda

Quando o PT assumiu o poder, lá no já distante ano de 2003, o homem que incorporava o espírito do novo tempo do partido era Antonio Palocci. Ele era a figura que o mercado via com bons olhos, e que asseguraria o cumprimento das metas, dos acordos, dos contratos e da política econômica que já vigorava durante o governo de FHC.

Palocci chegou a ser chamado de "czar da economia", tal sua liberdade de atuação. Em conjunto com Henrique Meirelles, que ocupava o posto de diretor do Banco Central, fizeram uma inclinação em prol de uma maior ortodoxia econômica. Durante certo tempo, as medidas obtiveram inegável sucesso. Sucesso suficiente para embalar o resto do mandato petista na onda do populismo fiscal que predominaria com entrada de Guido Mantega no Ministério da Fazenda.

Palocci, ainda que posando de moderado, sempre foi um fiel articulador de Lula. Foi com a ajuda dele que Lula fez a aproximação definitiva com a nata empresarial do país. E, ainda que desempenhasse um papel sério na Fazenda, em momento algum deixou de lado a tramóia política. E foi assim que caiu duas vezes.

Em 2005, Palocci foi acusado por Rogério Buratti de receber uma propina de R$ 50 mil mensais da empresa Leão&Leão, entre os anos de 2001 e 2004. A situação ficou insustentável depois do escândalo do estupro do sigilo fiscal do caseiro Francenildo, que havia relatado ter visto o então ministro em reuniões com lobbystas e prostitutas em uma mansão alugada. O episódio valeu sua demissão do governo Lula.

Ele voltou a esplanada no governo Dilma, onde foi inicialmente nomeado para ocupar o importante posto de Ministro da Casa Civil. Não ficou lá muito tempo. Logo surgiram denúncias envolvendo sua empresa de consultoria, a Projeto. Palocci não demorou até pedir demissão, abrindo uma das primeiras crises do governo Dilma Rousseff.

Agora, com o novo desdobramento da Lava-Jato, Palocci se encontra com seu destino, sendo preso acusado de negociar e receber propinas de empreiteiras já implicadas no escândalo do petrolão. O juiz Sérgio Moro ordenou o bloqueio de seus bens em um montante de R$ 128 milhões. De czar da economia petista, Palocci terminará seus dias como mais agente financeiro da propinocracia.

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