politica 23/09/2016 às 16:54 - Atualizado em 05/10/2016 às 16:47

Gean Loureiro, o capitão das aves de rapina

A Operação Ave de Rapina apurou um nebuloso esquema em SC, algo semelhante ao Mensalão, ainda que em proporções menores, no qual Gean Loureiro pode estar envolvido até o pescoço.

por Roger Scar

Gean Loureiro é, atualmente, candidato a prefeito de Florianópolis, também é deputado estadual pelo PMDB. Uma investigação da Polícia Federal apurou o seu envolvimento em um esquema de favorecimento de empresários em troca de dinheiro. A ideia, basicamente, é que enquanto Gean ainda era vereador na capital, ele usava seu poder político para ajudar um pequeno grupo de empresários a obter vantagens, alterando a legislação local em troca de propina.

A acusação do Ministério Público de Santa Catarina recai sobre os empresários Adriano Nunes e Flávio Siqueira, donos da Visual Media e da Eldorado, respectivamente, que são empresas de comunicação visual em outdoors. Eles são acusados por pagarem propina a alguns vereadores. Gean Loureiro, que na época era presidente da Câmara de Vereadores, é citado em documentos sob posse da Polícia Federal. Aparantemente, foi solicitado para que ele e outros vereadores barrassem o projeto Cidade Limpa, pois o mesmo viria a prejudicar seus negócios.

Documentos averiguados pela Polícia Federal também apontam que houve reuniões entre Loureiro e os dois empresários, ainda na época em que ele era vereador. Contudo, até o momento, Loureiro não foi indiciado. Os documentos, sob posse da Polícia Federal, acabaram vazando. Por enquanto, Gean ainda não é formalmente investigado. A denúncia do Ministério Público cita apenas os empresários e outros vereadores.

Quando a PF batizou a operação com o nome de "Ave de Rapina", é possível que os agentes estivessem pensando na astúcia e na ousadia de políticos e empresários que tratam a nós, cidadãos, como meras presas a serem engolidas. Infelizmente, políticos como Gean Loureiro são bem comuns, eles entram nessa para lucrar, mas ainda que seus salários e benesses sejam exorbitantes, nunca parecem ser o bastante para saciar a sede. No fundo, parece mesmo é que o prazer deles está em passar a perna nas pessoas.

O caso é que Loureiro tem uma boa chance de se tornar o prefeito de Florianópolis a partir do ano que vem. Ele, que vinha em segunda colocação nas pesquisas, atrás de Angela Amin (PP), agora aparece na primeira posição, apesar de ainda ter uma vantagem pequena em relação a progressista. Imaginemos, portanto, que um político capaz de fazer isso enquanto mero vereador, com poderes ainda limitados, pode fazer muito pior se for prefeito de uma capital importante como é o caso de Florianópolis.

Esse tipo de mentalidade tem que acabar. A população precisa se aproximar mais da política, ainda que a rejeite, porque ao nos afastarmos dela corremos o risco de sermos governados por corruptos medíocres e por um monte de gente mal intencionada. Acordos sujos como estes que Loureiro fez são, de fato, muito comuns, mas nem por isso devemos aboná-lo de suas responsabilidades. Ainda que em menor proporção, o que Loureiro fez não difere em nada dos corruptos esquemas envolvendo as empreiteiras petistas.

O que o PT fez com a OAS e com a Odebrecht foi justamente isso. Eles mexeram os pauzinhos para mudar licitações, aprovar projetos milionários de obras custeadas pelo BNDES, entre outras coisas. As empreiteiras faziam a obra, ganhavam rios de dinheiro público e, em troca disso, davam propina para o partido. A única diferença prática entre o caso petista e o de Loureiro é que este tem muito menos influência política e financeira. Por isso, em vez de propinas bilionárias, ele recebeu apenas alguns milhares de reais. De qualquer forma, são propinas. Gente assim não é nenhum pouco tolerável.

A política precisa parar de ser um trampolim para o enriquecimento, seja ele lícito ou, acima de tudo, ilícito.

 

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