politica 16/05/2016 às 16:32

Um Emmy Internacional para a GloboNews, por favor

* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

Existem muitos e variados modelos de jornalismo. Ao contrário do que se vende no Brasil, jornalismo não é uma técnica com viés único. Não existe apenas o modelo Lead-Desenvolve-Conclui, sem opinião, sem cor, sem vibração. Para muito além da técnica chocha, cada vez mais deixada de lado em todo o mundo civilizado, existe o jornalismo opinativo, com firmeza, com ideologia. Existe a paixão pelos fatos. Aliás, quem seria jornalista em qualquer área se não gostasse dela?

É possível imaginar um jornalista esportivo que deteste esportes? É possível imaginar um jornalismo de economia que odeie matemática? E se alguém gosta de uma determinada área, é natural que também se engaje dentro desta área com linhas que goste mais. É por isso que deveria ser óbvio que todo jornalista esportivo torce para um determinado time. Do mesmo modo, economistas preferem determinadas ideologias a outras. E jornalistas políticos tem preferências partidárias. Ponto. Parágrafo.

Retomo o fio da meada. No jornalismo pátrio, especialmente no jornalismo televisivo, não há nada, ABSOLUTAMENTE NADA que se compare ao jornalismo praticado pela GloboNews. Opinião forte, sem medo da patrulha e dos mais variados viezes ideológicos. Jornalismo técnico e informativo, em cima do lance. E uma equipe que é disparada a melhor redação da história recente do país.

Podemos não gostar da Cristiana Lôbo. Eu desgosto mais de sua tentativa de posar de isentona do que seu petismo evidente. Podemos achar que Camarotti é excessivamente neutro. Podemos achar o Merval um velho turrão. O Sardenberg aquele professor chato de matemática. Ou o Dony De Nuccio aquele colega nerd mala. Mas é inegável que não se encontra nada parecido em nenhum outro veículo nacional.

A GloboNews trabalhou na crise política do país como nunca. Deu um banho. Deu furos. Fez análises precisas. Renata Lo Prete, Musa inspiradora deste desimportante jornalista catarinense, estava brilhante como sempre. Andréia Sadi miraculosamente não criou olheiras profundas, mesmo ficando no ar aparentemente 24 horas por dia. Camarotti, ainda que no final da cobertura errasse o dia, o horário ou o Planeta em que estava, seguia trazendo as informações mais precisas e as análises mais consistentes do cenário.

A GloboNews deu um banho jornalístico no país que não era visto desde o impeachment de Collor, quando a Folha deu aula. Curiosamente, a mesma Renata Lo Prete que hoje pontifica na GloboNews era a editoria da Página 1 da Folha naquela época.

Todo o ano acontece nos Estados Unidos o Emmy Awards. É o equivalente ao Oscar ou ao Grammy da música.

Se tem uma emissora no mundo que merece, coletivamente, o premio de 2016, certamente é a GloboNews. 

Salvo se houver alguma Guerra de grandes proporções no horizonte, vai ser difícil bater a brilhante cobertura realizada pela emissora.

Este Sul Connection reconhece o trabalho e aplaude em pé.

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