politica 13/04/2016 às 20:28

APP-Sindicato nega ser petista

Professora Marlei Fernandes, ex-Presidente da entidade e atual Secretária Financeira, foi candidata pelo PT a deputada federal em 2014.

A APP-Sindicato entrou em contato com este Sul Connection e enviou e-amil em resposta à matéria "APP, sindicato petista dos professores do Paraná, sofre com desfiliação em massa". Em respeito ao direito que todos tem de apresentarem contrapontos aos nossos posicionamentos, publicamos abaixo o e-maild a APP e a nota da entidade em apoio ao MST, que lidera invasão de terras no município de Quedas do Iguaçu e que armou emboscada contra a PM, acabando por perder dois membos do movimento baleados pela PM na reação.

Deixamos a conclusão sobre a independência da entidade para os nossos leitores.

SEGUE O E-MAIL E A NOTA DA APP-SINDICATO.

Em resposta à matéria veiculada por este portal, a APP-Sindicato vem esclarecer.

A APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná é um sindicato autônomo financeiramente e independente de partidos e governos conforme preconiza seu estatuto. Temos hoje cerca de 80 mil sindicalizados entre professores e funcionários da rede pública do estado do Paraná, além de representar educadores de cerca de 200 municípios.

São quase 70 anos de história sempre pautadas pela luta em defesa da educação pública e dos direitos de seus representados. 

Segue nota da direção do sindicato sobre o ocorrido na cidade de Quedas do Iguaçu-PR.

NOTA DE DIREÇÃO DA APP SINDICATO SOBRE O CONFLITO E MORTE DE TRABALHADORES SEM-TERRA NO ACAMPAMENTO DOM TOMÁS BALDUÍNO

A morte de dois trabalhadores rurais sem-terras na última quinta feira (7) em Quedas do Iguaçu (PR) às vésperas de fazermos memória de um ano da barbárie do dia 29 de abril e há 20 anos do massacre de Eldorado de Carajás em que 19 trabalhadores sem-terras foram mortos, é mais uma triste página na história da luta dos(as) trabalhadores(as) pelos seus direitos e dá mostras de quanto estão comprometidos os senhores e as senhoras do capital em concentrar riquezas e, neste caso em especifico, a terra.

A empresa Araupel ocupa em Quedas do Iguaçu (Pr) terras do governo federal e insiste na guerra para não acontecer a Reforma Agrária justa naquele local. Na região fica o Acampamento Dom Tomás Balduíno onde estão acampadas cerca de 2500 famílias que sofrem constantes ameaças por parte dos seguranças da empresa com a conivência do governo estadual.

Essa situação se extremou na última quinta feira e resultou na morte de dois trabalhadores: Leonir Orback e Valmir F. Silva. Uma ação conjunta que reuniu, além dos seguranças da empresa, policiais militares vitimando os dois trabalhadores e deixando feridos seis outros. Infelizmente a polícia militar a mando de seu superiores está envolvida no assassinato dos trabalhadores, assim como esteve no dia 29 de abril de 2015. Esta parece ser a lógica dos que estão no poder no Palácio Iguaçu: a truculência aos trabalhadores e trabalhadoras.

A APP-Sindicato não ficará indiferente as lutas dos(as) trabalhadores(as), muitas delas interrompidas pela morte. Nossa solidariedade de classe e humana não nos permite ficarmos calados. Denunciamos sim e denunciaremos tantas quantas foram as injustiças de governo, grupos ou pessoas que atentem contra a vida e dignidade de trabalhadores e trabalhadoras, como vimos fazendo ao longo de nossos quase 70 anos. Nos juntamos aos sem-terra em sua justa reivindicação e igualmente exigimos: a imediata investigação do corrido com a devida punição de todos os responsáveis – dos executores aos mandantes; o afastamento da polícia militar e a retirada da segurança privada contratada pela Araupel do Acampamento Dom Tomás Balduíno; que seja dada garantia de segurança e proteção às vidas de todos os trabalhadores e trabalhadoras acampados sem-terra na região e que todas as áreas griladas pela empresa Araupel sejam destinadas à Reforma Agrária.

Aos bravos companheiros e companheiras do campo, em sua justa luta histórica contra o latifúndio, nossa solidariedade. As famílias dos dois trabalhadores sem-terras mortos, nossas condolências. Estamos juntos para enfrentamos este grande gigante que é a concentração de terra nas mãos dos senhores do capital, que se arrasta desde das capitanias hereditárias – dizimando os povos originários, aos nossos dias, vitimando tantos outros trabalhadores e trabalhadoras. Só no ano de 2015 foram 46 mortes, segundo relatório publicado pela Comissão Pastoral da Terra.

Que venha sob nós o sol da justiça que queima e inflama a secura de nossa fronte, citando José Saramago. E que ele se erga pela nossa resistência até que nos livremos das agruras da praga que é o latifúndio.

Aos companheiros tombados na resistência:
LEONIR ORBACK, presente!
VALMIR SILVA, presente!

Notícias Relacionadas