politica 30/03/2016 às 22:53

Polícia política? PF vai atrás de pessoas que atacaram Teori nas redes sociais

Notícia acaba de ser dada no Jornal das 10, da Globo News. PF teria identificado perfis que atacaram e ameaçaram Teori após decisão que tirou Lula do alcance de Sérgio Moro.

Este Sul Connection é estritamente legalista. Somos contra ameaças de violências de qualquer tipo, contra quem quer que seja e contra qualquer pessoa. Mas é impossível não notar quando uma notória seletividade ocorre. A excelente jornalista Renata Lo Prete acaba de anunciar no Jornal das 10 da Globo News que a Polícia Federal teria identificado perfis de pessoas que atacaram e ameaçaram o ministro Teori Zavascki após sua decisão de tirar Lula do alcance do juiz Sérgio Moro.

Seríamos os primeiros a aplaudir a decisão, desde que fosse o padrão de procedimento. Acontece que o juiz Sérgio Moro está sob constante ameaça, indo ao banheiro acompanhado de agentes da própria PF para não correr o risco de ser assassinado. E não temos uma caça às bruxas para identificar e punir aqueles que o ameaçam em redes sociais e expõe sua segurança cotidianamente. Temos blogs imundos, como o Conversa Afiada, ameaçando o Brasil com um banho de sangue. O titular do blog é o arqui-conhecido jornalista Paulo Henrique Amorim. E não temos notícia de que a Polícia Federal, o STF ou qualquer outra instituição tenha tomado as medidas necessárias para que a sequência de crimes fosse encerrada.

Este Sul Connection, um legalista fanático, quer crer que a toga e a cadeira de Ministro do STF não crie supercidadãos, com superdireitos e superprotegidos da crítica, fundamental em qualuqer regime democrático.

Antes de encerrar, deixamos com nossos leitores a fábula do moleiro de Berlim. Foi ela a dar origem à frase "Ainda há juízes em Berlim". Queremos crer que os juízes de Brasília façam jus à tradição da Justiça.

AINDA HÁ JUÍZES EM BERLIM:

Frederico II, rei da Prússia, passou para a história como símbolo de déspota esclarecido. Amigo de Voltaire, com este compartilhava a ceia no castelo de verão em Postdam, nas cercanias de Berlim. O castelo, construído pelo monarca na encosta da colina, foi batizado com um nome curioso: sans-souci, termo francês que quer dizer sem-preocupação. Sans-souci também era o nome de um moinho da região, e de seu dono, imortalizados nos versos de François Andrieux, cujo título é Le meunier de sans-souci, ou seja, o moleiro de sans-souci.

Começa o poema dizendo que o homem é um estranho problema, e indagando: quem de nós é fiel a si mesmo o tempo todo? Com base nesse mote, passa a narrar o episódio. O rei resolveu construir para si um refúgio agradável, onde mais do que beber e caçar, pudesse degustar não só finas iguarias, mas refinados saberes, na companhia de intelectuais como Voltaire.
 
Porém, quando quis ampliar o castelo, deparou-se com um problema na vizinhança, o dito moinho que impedia a sonhada ampliação. Seu dono, o moleiro Sans-souci, era um pacato vendedor de farinha que vivia cada um dos seus dias livre de ansiedade e preocupação, daí seu nome e o do moinho. Às investidas insistentes do rei para comprar-lhe o moinho, o moleiro disse não. Dinheiro algum o faria desfazer-se daquele pedaço de chão, onde seu pai morrera, berço e morada de seus filhos.
 
Inconformado, disse o rei ao moleiro: ? Você bem sabe que, mesmo que não me venda a terra, eu, como rei, poderia tomá-la sem nada lhe pagar. Mas o moleiro retrucou com a célebre frase: O senhor! Tomar-me o moinho? Só se não houvesse juízes em Berlim.
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