politica 14/03/2016 às 22:53

Nomeação de Lula para o ministério pode ser tentativa de evitar uma iminente prisão

* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

É preciso prestar atençao a certas nuances do jogo político para perceber coisas que passam desapercebidas da maioria. Uma delas é o famoso timing com que os agentes atuam. Perguntinha básica que o jornalismo nacional inteiro não fez até agora: em que momento a especulação de Lula no Ministério surgiu? Este opinador responde: na seqüência de duas bombas para o ex-Presidente. A primeira foi a divulgação pela Operação Lava-Jato de seu desaforado depoimento, em que desrespeitou os procuradores do MPF, os delegados da Polícia Federal, tratou um tríplex como apartamento do Minha Casa, Minha Vida e chamou servidores públicos que trabalharam antes de seu governo de vagabundos. A segunda foi a decisão da juíza que deveria deliberar sobre sua prisão em remeter o processo ao juiz Sérgio Moro.

Deixo bem claro: não se trata de apuração, não se trata de informação, não se trata de nenhuma notícia confirmada. É pura e simplesmente análise, sem a pretensão de antecipar a realidade. Mas este opinador palpita sem grande medo de errar: o entorno de Lula, este sim, pode ter tido algum tipo de informação privilegiada que acenava para uma iminente prisão. Mais: bateria com o que tem acontecido no âmbito da Operação Lava-Jato: os sinais saem na imprensa antes de alguma ação. O sinal seria a liberação de seu depoimento e a subseqüente decisão da justiça de São Paulo de remeter todo o processo de Lula para Curitiba.

É impossível não causar estranheza que Lula não tenha sido nomeado juntamente com o novo Ministro da Justiça, Eugênio Aragão. Se a ideia era uma operação política de grande repercussão na seqüência das manifestações, porque não fazer tudo de uma vez só? Pra quê jogar o nome do ex-Presidente como um quase-ministro nos blogs sujos um dia depois das maiores manifestações da história, manifestações que lhe miraram como alvo preferencial e esperar o tiroteio?

Com a discussão em torno da nomeação de Lula para o ministério nublando o debate, Moro poderia se ver intimidado em emitir um mandado de prisão. Mais: o ex-presidente alegaria que a prisão foi política, justamente para impedi-lo de ajudar a salvar o governo da pupila. Para quem está absolutamente desesperado após ver milhões de brasileiros gritando nas ruas por sua prisão, a operação pode não ser das melhores ou mais engenhosas. Mas com Zé Dirceu e a cúpula petista presos, fica difícil achar quem consiga pensar em algo melhor. E pra quem não tem nada, qualquer coisa pode se apresentar como tábua de salvação.

Encerro: para este opinador, não seria nenhuma surpresa acordar amanhã cedo com uma bomba de ainda maior potência do que a condução coercitiva de Lula há pouco mais de uma semana.

É aguardar e conferir.

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