politica 11/01/2016 às 07:04

Casa Civil: não é maldição. É o modo petista de governar

Pasta virou cemitério de carreiras petistas. De Zé Dirceu a Jaques Wagner, passando por Gleisi Hoffmann, órgão é o centro articulador dos esquemas do partido.

Se no período militar o Ministro do Exército era praticamente um sub-Presidente em exercício, desde a redemocratização este status migrou para o poderoso Ministério da Casa Civil. Pasta que deveria funcionar como coordenadora da execução dos planos do governo, recebeu um upgrade já no começo do governo Lula. O então poderosíssimo José Dirceu (PT) fez questão de deixar clara a transformação, mudando até mesmo o protocolo que garantia ao Ministro da Justiça o status de principal auxiliar do Prsidente. Dirceu passou a sentar ao lado de Lula, por quem era chamado de "capitão do time" e ter precedência em todas as reuniões presidenciais.

 

Entretanto, a partir de 2004, uma espécie de maldição passou a rondar a Casa Civil. Naquele ano, a primeira denúncia de corrupção atingia o governo petista: o secretário executivo de Dirceu, Waldomiro Diniz, foi pego traficando influência junto a bicheiros. Meses depois o escândalo do mensalão estouraria, coordenado diretamente por Dirceu da Casa Civil. Se sua sucessora, Dilma Rousseff, conseguiu chegar à Presidência da República, a pasta enterrou o sonho de sua melhor amiga, Erenice Guerra, que a sucedeu no cargo.

 

Erenice caiu pega traficando influência e usando a Casa Civil para fazer negócios altamente lucrativos com empresas suas e de amigos. E isso logo no começo da campanha da amigona Dilma.

 

Já no começo do mandato de Dilma, em 2011, foi a vez de Antônio Palocci ser atingido. Palocci não conseguia explicar um enriquecimento gigantesco durante o período eleitoral e tratou de atirar no humilde caseiro Francenildo Santos Costa, que havia revelado que o ministro e sua República de Ribeirão Preto mantinham uma alegre casa em Brasília, onde recebiam moças de vida fácil para farras e fechavam negócios de vulto. Caiu.

 

Palocci foi sucedido pela paranaense Gleisi Hoffmann. Gleisi hoje está às voltas com a Lava-Jato, seu marido, Paulo Bernardo também é investigado na operação e ambos correm o sério risco de trocar o figurino de lideranças políticas paranaenses pela hospedagem na carceragem da PF em Curitiba.

 

Gleisi foi substituída por Aloízio Mercadante. Mercadante, assim como a antecessora, também está sendo investigado na Operação Lava-Jato.

 

Mercadante deixou o cargo para o habilidoso Jaques Wagner, que agora é apontado como lobista da empreiteira OAS. Sim, também foi pego no âmbito da Operação Lava-Jato.

 

Este Sul Connection, que não acredita em superstições quando se trata de política, pode garantir: não tem nada a ver com maldição: é o modo petista de governar em ação. E a Casa Civil é o principal centro de operações deste modo sui generis de governo.

 

Que 2016 a maldição possa ser enterrada. Junto com o petismo.

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