politica 17/12/2015 às 19:28

STF-PT altera rito, tira prerrogativas da Câmara e atua como babá de Dilma

Desde o AI-5 não havia uma violência tão grande contra prerrogativas do Congresso Nacional. Gilmar Mendes resume: governo morto não se mantém por liminar.

Um dia triste para as instituições da República. Abrindo mão do seu papel de Guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal preferiu se comportar como babá da pior e mais rejeitada Presidente da história da República. Em resumo: a Câmara foi reduzida ao papel de estafeta do Senado, os parlamentares perderam as prerrogativas de seus mandatos, reduzidos que foram a meros homologadores de líderes de bancada e Dilma ganhou uma blindagem com a qual Collor sequer sonhou.

 

É ainda mais trágico quando se vê o ex-advogado do PT e o mais jovem ministro da corte, Antônio Dias Toffoli, sendo obrigado a recordar o que está escrito na lei. Dias Toffoli teve que relembrar o próprio Decano da Corte, Celso de Mello, do que ele pensava sobre o impeachment quando era contra Collor. Nada valeu. Mesmo diante de uma defesa exemplar da democracia e das instituições, Toffoli teve apenas de aturar um Ricardo Lewandowski, presidindo a Suprema Corte, com respiração profunda, a tentar explicar o inexplicável.

 

Vitoriosa a tese de Luiz Roberto Barroso, aprendemos que voto não é voto. Eleição não é eleição. Afastamento não é afastamento. A novilíngua de George Orwell, onde tudo era o contrário do que a palavra expressava, se viu na sessão do STF. Os únicos momentos de lucidez foram os votos de Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Mendes, a propósito, constatou o óbvio: governo morto e sem legitimidade não se mantém por chicanas jurídicas.

 

Há pouco tempo temia-se que o Brasil um dia se tornasse uma Venezuela.

 

Hoje o Brasil virou uma Venezuela piorada.

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