politica 15/12/2015 às 10:07

Seria a Catilinárias o AI-13 petista?

Operação destrói o PMDB no dia em que Dilma será julgada no TSE, um dia antes do STF definir rito do impeachment e dois dias antes do depoimento de Lula.

A Ditadura Militar utilizava os Atos Institucionais (AI) como ferramenta para perseguir adversários políticos. Instrumento que violava direitos individuais, cassava e prendia arbitrariamente, o mais famoso de todos foi o Ato Institucional número 5 (AI-5), que tirou a máscara e acabou com qualquer indício democrático da ditadura. O Ato entrou em vigor no dia 13 de dezembro de 1968. Exatos 47 anos e dois dias depois, uma operação da Polícia Federal avança com toda a força para cima de adversários políticos do governo Dilma e utiliza como nome "Catilinárias", fazendo referência à uma série de discursos de Marco Túlio Cícero denunciando conspiradores que queriam derrubar o governo romano.

 

A operação envolve a fina-flor peemedebista. Estão envolvidos Eduardo Cunha, presidente da Câmara, Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves, ex-presidente da Câmara, aliado de Michel Temer, além do ex-ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Os mandados foram expedidos a pedido da Polícia Federal, que os solicitou diretamente ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Janot encaminhou o pedido ao ministro Teori Zavascki, que os expediu de ofício e solitariamente.

 

A curiosidade fica por conta da coincidência de datas: hoje à noite o Tribunal Superior Eleitoral retoma o julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. Amanhã, o STF deve definir o rito para o impeachment. Na quinta-feira, Lula deve se apresentar para depor, sob pena de ser conduzido coercitivamente ou até mesmo ter um mandado de prisão expedido contra si. 

 

Em 1992, meses antes do impeachment de Collor, a Folha de São Paulo foi vítima de uma operação coordenada entre Receita Federal e Polícia Federal. O objetivo era intimidar o veículo que mais noticiava os descalabros do governo. Agora, os atacados são os políticos que poderiam costurar a saída institucional de Dilma. Em 1992, a imprensa se uniu em torno da Folha, até mesmo veículos simpáticos ao então presidente, como a Globo. Resta aguardar para saber se a classe política, em especial o PMDB, terá agora o mesmo instinto básico de sobrevivência.

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