geral 20/10/2015 às 15:20

Sindicato da URBS acusa Fruet de ser conivente com assédio sexual na empresa

Dois advogados da empresa foram demitidos por justa causa após denunciarem e apresentarem documentos que comprovam assédio sofrido pelos trabalhadores.

O silêncio do prefeito Gustavo Fruet (PDT) diante das denúncias de assédio moral e sexual na Urbs é revelador. "Apesar de lançar campanha publicitária combatendo o assédio sexual nos ônibus, quando se depara com um caso concreto de abuso em uma empresa pública, Fruet simplesmente não toma nenhuma medida e continua fingindo que não é com ele", diz Valdir Mestriner, presidente do sindicato dos servidores da Urbs.

Segundo Mestriner, é bom que fique bem claro: a campanha publicitária é importantíssima para que as vítimas de assédio no transporte coletivo saibam que podem e devem denunciar. E para que a população, ao contrário do prefeito, não se cale quando estiver diante de um caso de abuso e impeça que usuárias e usuários de ônibus sejam assediados, ligando imediatamente para a guarda municipal.

"Porém, mais importante ainda é a punição dos agressores. E é nesse ponto que o prefeito vem fazendo feio. Três meses após o presidente da Urbs (Roberto Gregório) ter ordenado que advogados da empresa fizessem um acordo com uma vítima de assédio sexual, a assediadora foi promovida e "premiada" com o cargo de procuradora geral da Urbs, cargo este que ocupa atualmente. E, vejam só, quem a promoveu foi o próprio presidente da Urbs".

APÓS DENUNCIAR AGRESSÕES SEXUAIS, ADVOGADOS SÃO DEMITIDOS 

 

Não bastasse isso, segundo o sindicalista, dois advogados da empresa, que ingressaram na Urbs mediante concurso público, foram demitidos por justa causa após denunciarem e apresentarem documentos à Justiça do Trabalho "que comprovam o assédio moral sofrido pelos trabalhadores". "O depoimento dos advogados demitidos também comprova o assédio sexual cometido pela procuradora jurídica (Heloísa Ribeiro Lopes)".

"E o prefeito, o que tem a ver com isso? Pois o prefeito foi quem nomeou o presidente da Urbs e seus diretores. E a prefeitura é a acionista majoritária da Urbs, tendo 99% das ações da empresa. Ou seja, cabe a Gustavo Fruet não permitir esse tipo de desmando na Urbs", diz nota do sindicato enviado a imprensa.

"Se o prefeito fosse de fato comprometido com o combate ao assédio sexual, como faz parecer na campanha publicitária, teria demitido imediatamente a atual direção da Urbs que ocupa cargo em comissão. Além disso, teria determinado a abertura de processo administrativo para averiguar os fatos e punir os responsáveis pela demissão ilegal dos advogados - que perderam seus empregos sem terem passado por processo administrativo, como determina o ACT da Urbs", adianta a nota.

"Ou seja: o prefeito é contra assédio moral e sexual. A menos que o assédio ocorra em uma empresa que pertence à Prefeitura e que caiba a ele tomar as providências. Nesse caso, as vítimas de assédio que ousam denunciar são demitidas por justa causa sem direito à defesa, já a assediadora é promovida. Tudo isso sob o silêncio cúmplice de Gustavo Fruet", completa.

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