THAÍS GUALBERTO
Thaís Gualberto é formada em Economia pelo IBMEC-RJ e é natural de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, onde ainda vive. Além de colaborar com o portal Sul Connection, publica crônicas e resenhas de obras de ficção em seu outro blog.

17/10/2016 às 11:40 - Atualizado em 17/10/2016 às 16:47

As edificantes canções dos apoiadores de Hillary

A hipocrisia esquerdista sem dúvidas é um dos temas favoritos desta que vos escreve. Sobretudo tratando-se especificamente da hipocrisia feminista, que eu costumo analisar na série Sororidade para quem?”. É sempre engraçado perceber que rótulos como “discurso que fomenta a cultura do estupro” ou “discurso de objetificação da mulher” parecem aplicáveis apenas a interlocutores que não comungam com a ideologia da militância histérica. Isso, aliás, ficou bastante evidente quando vieram a público os grampos da conversas do ex-presidente Lula. Em um deles, referia-se às feministas do PT como “as mulher do grelo duro”; em outro, disse que a Clara Ant (diretora do Instituto Lula) teria acordado pensando que era “um presente de Deus” que cinco homens (policiais federais) tivessem entrado na casa dela.

Diferentemente do que se imaginaria, militantes feministas não acusaram Lula de ser misógino, como fariam com tantos outros por muito menos, vide Bolsonaro processado por “apologia ao estupro” por ter dito que a colega “não merecia ser estuprada”. Pelo contrário, feministas adotaram o termo chulo como um termo que iria contra a “falocracia que impera na sociedade machista”.

Na América não é diferente. Aliás, em ano eleitoral e com Hillary Clinton, mulher esquerdista na disputa pela Casa Branca, é ainda pior. Além de abusar do “gender card” (justificar críticas que recebe como sendo fruto de machismo e tratar sua condição de mulher como algo primordial para que ela seja eleita), a campanha de Hillary conta com o massivo apoio da grande mídia e de celebridades de peso. E nada melhor que ter a mídia nas mãos para assassinar a reputação de seus adversários, sobretudo quando seu adversário é alguém politicamente incorreto como o empresário e candidato republicano Donald Trump.

Pussygate ou Trump Tapes foram os termos mais utilizados para se referirem a áudios de uma conversa entre Donald Trump e Billy Bush em 2005, na qual o atual candidato republicano faz comentários no nível “conversas de boteco” sobre seu desejo e capacidade de pegar uma mulher casada, sendo ele também casado. OK, os comentários não eram os mais bonitos de se ouvir, mas duvido que a maioria dos homens, inclusive os que estão criticando o diálogo, nunca tenham participado de conversas entre amigos que seguissem por esse caminho. Mais que isso, ele claramente se referia a como certas mulheres cedem fácil a abordagens de homens na posição dele, o que não é nenhuma mentira, sabemos bem, e é um problema apenas dos indivíduos envolvidos. Esse tipo de comentário, aliás, não só acontece entre homens como também entre muitas mulheres.

Contudo, obviamente, a mídia foi à loucura dizendo que Trump seria um “estuprador”, um misógino etc. Segundo a própria Hillary Clinton, Horrível! Não podemos permitir que esse homem seja presidente!” (isso quando ela própria está enrolada até a morte com Benghazi, emails de estado enviados por servidores privados e perseguição às vítimas de assédio de Bill Clinton), bem como Michelle Obama disse estar “profundamente abalada” pelos comentários. Hillary e Michelle, porém, como a maioria das feministas histéricas, agiram com enorme hipocrisia. E uma das maiores provas disso é o tipo de música cantada por muitos de seus mais veementes apoiadores famosos. Beyoncé, Madonna, Lady Gaga, Kesha: todas apoiadoras da democrata e com um vasto histórico de músicas que abusam de termos chulos e de descrever situações muito mais chocantes (e “objetificantes” da mulher e fomentadoras do que elas mesmas chamam “cultura do estupro”) em termos sexuais que a conversa de onze anos atrás dos candidatos. E é isso que veremos a seguir.

OBS: Não estou aqui bancando a moralista, eu escuto muitas das músicas que citarei e não tenho nenhum problema com artistas que cantem esse tipo de música, mas acredito que cabe apontar a hipocrisia dos que condenam o discurso de Trump ao mesmo tempo em que fazem fortuna com o mesmíssimo tipo de falatório.

Beyoncé
Ídolo da própria Hillary Clinton e também de Michelle Obama, que inclusive a classificou como um modelo a ser seguido por garotas de todo o mundo, Beyoncé é uma das mais proemintes esquerdistas da música e, a cada novo álbum, investe mais pesado na politização (chegando a louvar o grupo terrorista Panteras Negras e Malcom X na apresentação do intervalo do Super Bowl 2016) e também na sexualização de suas letras. Mas para Hillary e Michelle, embora as canções abaixo apresentem liguagem similar (ou pior) que as do diálogo, não são “negativas”, nem mesmo “perpetuadoras de um discurso que objetifica as mulheres. Eu sugiro que vocês, leitores, julguem por si mesmos, incluindo uma referência explícita a Ike Turner, falecido ex-marido de Tina Turner que agredia a cantora...

Drunk in Love: Hope you can handle this curve / Foreplay in a foyer, fucked up my Warhol / Slip the panties right to the side […] In '97 I bite, I'm Ike, Turner, turn up / Baby no I don't play, now eat the cake, Anna Mae. – Eu espero que consiga alcançar essa curva / Preliminares no vestíbulo f**eram meu Warhol/ Deslize a calcinha para o lado / Em 97 eu mordo, sou Ike Turner, vire-se / Querido, eu não brinco, coma o bolo Anna Mae (nome de Tina Turner antes da fama)

Partition: Oh he so horny, yeah, he want to fu... / He popped all my buttons and he ripped my blouse / He monica lewinsky-ed all on my gown – Oh, ele está tão excitado, sim, eu quero f**er / Ele abriu todos os meus botões e rasgou minha blusa / Ele “monica-lewinskyzou” em toda a minha camisola.


Christina Aguilera
Mais uma das entusiasmadas apoiadoras de Hillary, Christina Aguilera tem em seu histórico vídeos como Dirrty e Not Myself Tonight, ambos altamente sexualizados e até mesmo com sadomasoquismo, caso específico do segundo. Mas é na letra de WooHoo, uma parceria com a rapper Nicki Minaj que a coisa é realmente explícita.

WooHoo: Wanna taste my (woohoo) / You know you wanna get a peek / Wanna see my (woohoo) / You know you wanna put your lips / Where my hips are (woohoo) / Kiss on my (woohoo) / All over my (woohoo) / All the boys think it's cake / When they taste my (woohoo) / You don't even need a plate / Just your face, ha (woohoo) / Licky, licky, yum yum – Quer provar minha WooHoo? / Você sabe que quer dar uma espiada na minha WooHoo / Quer ver minha WooHoo? / Você sabe que quer colocar seus lábios / Onde meus quadris estão (woohoo) / Beije minha WooHoo / Por toda a minha WooHoo / Todos os caras pensam que é bolo / quando experimentam minha WooHoo / Você nem precisa de prato / Apenas sua cara (WooHoo) / Lamba, lamba, yum yum.


Jay Z
Marido de Beyoncé, ex-traficante e notório supremacista negro, o rapper Jay Z é famoso por suas letras nada decorosas que, aliás, são uma constante em seu estilo musical. Mas vindo do Jay Z, aí não é discurso misógino...

That’s my bitch: No disrespect, I'm not tryna belittle / But my dick worth money I put monie in the middle  - Sem desrespeito, eu não estou tentando te depreciar / Mas meu p**to vale dinheiro e eu coloco dinheiro no meio.


Jennifer Lopez
Mais uma do time que posta a hashtag “I’m with her” em quase tudo o que escreve e já tendo dedicado um show a apoiar Hillary, J.Lo tem um vasto catálogo de canções mais picantes. Certamente, contudo, por ela ser de esquerda, é tudo mensagem de “empoderamento”...

I Luh Ya Papi: Pull your trigger, go and get your gun up / All the time I hear her talk / Put a pin in it, now I'm ready, let it rock / Keep it number 1, that's easy mathematics / Keep it number 1, baby, ain't no static / Got that hourglass for you, baby / Look at these legs / No brakes, go green, no red / If you wanna kill the body, gotta start with the head / […]  I'mma need about 4-5 beds / Cause I love my papi – Aperte o gatilho, vá e levante essa arma /Toda a hora ouço a conversa dela / Vamos falar disso depois, agora estou pronta, divirta-se / Guarde o número 1, isso é uma matemática fácil / Tenho uma ampulheta para você, querido / Olhe para essas pernas / Sem freios, passe o sinal verde, sem sinais vermelhos / Se você quer matar o corpo, precisa começar pela cabeça / [...] vou precisar de umas 4 a 5 camas /Porque eu te amo, papi


Katy Perry
No ultimo debate presidencial, Katy Perry ficou simplesmente histérica com a performance de Trump ter sido superior a de Clinton, candidata do coração da cantora. Foi na noite do primeiro debate, contudo, que Katy tirou sua roupa para clamar que as pessoas fizessem o registro para votar. E enquanto ela nada diz sobre as acusações reais que Bill Clinton sofre há décadas, obviamente ela também bancou a indignada com o diálogo de Trump e cantou coisas como Peacock...

Peacock: I want the jaw droppin', eye popin', head turnin', body shockin' / I'ma peace out if you don't give me the pay off / Come on baby let me see / what you're hiding underneath / Are you brave enough to let me see your peacock? / what you're waiting for, it's time for you to show it off - Quero ficar de boca aberta, olhos saltitando, cabeça pirando, com o corpo em choque / Te deixarei em paz e não precisará pagar / Vamos lá baby, deixe me ver / O que você está escondendo ai embaixo / Você é corajoso o suficiente para me deixar ver seu pavão? / O que esta esperando? É hora de você mostrar-lo


Kesha
Tendo alcançado a fama em 2009 com Tik Tok, atualmente Kesha tem garantido espaço na mídia pelo processo contra o produtor musical Lukas “Dr. Luke” Gottwald por abuso sexual, o qual ela perdeu por não ter provas a apresentar. Isso, como era de se esperar, transformou-a em uma mártir do movimento feminista e ela não perdeu tempo em demonstrar o quão mal ela se sentiu diante os comentários de Trump, embora ela mesma sempre tenha entoado versos grosseiros e que glorificam um comportamento degradante...

Gold Trans Am: Get inside my fucking gold trans am / Pull over sucker, now spread ‘em / Lemme see what you’re packin’ inside that denim / Pedal to the medal, looking straight amazing / I can’t help all the hell that I’m raising / Stopping traffic like an ambulance / Tryna get my hands in your worn down pants - Entre na p**ra do meu carro dourado / Encosta otário, agora se espalhe / Deixe-me ver o que você está guardando dentro desse jeans / Do pedal para a medalha, parecendo totalmente incrível / Eu não posso evitar todo o inferno que eu estou criando / Parando o tráfego como uma ambulância / Estou tentando pôr as mãos em suas calças arriadas


Lady Gaga
A polêmica Lady Gaga, que já compareceu a uma premiação vestida de carne declarou na última sexta que as palavras de Trump deixaram “em pânico mulheres que já foram abusadas”. O que dizer das letras de algumas músicas de Gaga e do quanto ela própria incentiva um comportamento “objetificante”?

Government Hooker: As long as I'm your hooker / Hooker (Government Hooker) / Put your hands on me John F. Kennedy / I'll make you squeal baby / As long as you pay me (oh!) / I want to fuck the Government Hooker / Stop fucking me Government Hooker - Desde que eu seja a sua p**a / P**a (p**a do governo) / Coloque suas mãos em mim John F. Kennedy / Farei você gritar agudo, baby /  Desde que você me pague / Eu quero f**er a p**a do governo / Pare de me f**er p**a do governo

Do What You Want: I could be the drink in your cup / I could be the green in your blunt / Your pusha man, yeah I got what you want / You want to escape all of the crazy shit / You're Marilyn, I'm the president / I love to hear you sing, girl / […]If you break my heart / So just take my body / And don't stop the party – Eu poderia ser a bebida de seu copo / Eu poderia ser a verdinha do seu baseado / Sim, eu tenho o que você quer / Você quer fugir de toda essa louca m**da / Você é Marilyn, eu sou o president / Adoro t ever cantar, garota / Se você partir meu coração / Então tome o meu corpo / E não interrompa a festa.


Miley Cyrus
Uma das crianças da Disney, Miley impulsionou seus comportamentos chocantes a partir de 2013, quando assumiu um comportamento bizarre e, inegavelmente degradante, o que inclui bodys com estampa de folhas de maconha, apologia às drogas em suas músicas, campanha para que mulheres possam andar com os seios desnudos e performances em que permite que seu público toque suas nádegas e, até mesmo, sua vagina (embora sobre a “roupa”). Para ela, contudo, é a conversa de boteco de Trump que é um horror e o escândalo do ano... O que dizer então de seu vídeo para a música "We Can’t Stop", de seu álbum "Bangerz" (2013).
 

03/10/2016 às 01:36

Entre a cruz e o molotov

Com a pulverização das candidaturas de centro e de direita, Marcelo Freixo, graças à aglutinação de votos à esquerda, infelizmente conseguiu a disputadíssima segunda vaga no segundo turno na capital do Rio de Janeiro. Sim, falo do Marcelo Freixo defensor de black blocs e criminosos em geral e queridinho de grande parte dos professores, DCEs e estudantes da cidade. Seu rival será Marcelo Crivella, bispo da geralmente polêmica Igreja Universal do Reino de Deus, comandada por Edital Macedo, um dos grandes aliados do governo PT nos últimos treze anos.

Não preciso dizer que a rejeição a ambos é grandes, ainda que se devam a motivos distintos. Um por ser tão próximo de uma entidade religiosa que muitos duvidam da capacidade dele em respeitar a laicidade do estado. Outro por, em uma das cidades mais violentas do país, sempre tomar partido dos que vilipendiam a população com a violência e a política do terror  e ainda dizer que iluminação pública é mais efetiva para melhorar a segurança pública que policiamento.

Acredito, contudo, que os eleitores de Pedro Paulo, Flavio Bolsonaro, Índio da Costa e Carlos Osório tendem muito mais a votar em Crivella ou anular o voto que a migrar para a extrema esquerda de Freixo, que certamente contará com os votos dos eleitores de Jandira Feghali e Alessandro Molon. 

Particularmente, entre a cruz e o molotov, ficaria com a cruz se no Rio votasse. Reconheço que é trágica a situação da ex-capital do Brasil, mas prefiro entregar a cidade em que trabalho a uma igreja que aos que pregam a depredação criminosa do black bloc, a marcha da insensatez, a inocência da criminalidade e irresponsabilidade plena.

ENQUANTO ISSO, NA MINHA NITEROI...

Teremos segundo turno entre o ex-petista, agora PV e atual prefeito Rodrigo Neves, responsável por calçar uma rua da cidade com granito, e Felipe Peixoto, ex-secretário de saúde do estado do Rio em uma das piores crises na área da saúde. O último teve e terá meu voto novamente pelos simples fato de que admiro seu candidato a vice e ser ele a opção menos à esquerda disponível.

Em minha cidade, contudo, o mais interessante foi ver o candidato do PSOL, partido muito forte no município por conta da Universidade Federal Fluminense (UFF) e que fez os dois vereadores mais votados deste pleito (algo em torno dos 4 mil votos, cada), receber cerca de 9000 votos a menos que a quantidade de votos nulos.

CONSOLO PARA O PT

Por outro lado, Maricá, a cidade em que temos Hospital Che Guevara (com estátua do facínora) e Conjunto Habitacional Carlos Marighella, o atual prefeito, o famigerado Washington Qua Qua (PT) conseguiu fazer seu sucessor com inacreditáveis 97% dos votos válidos. Eu confesso que estou estarrecida e, bem, com pena da tragédia que continuará em curso no município que talvez seja o mais vermelho do país.

 

23/09/2016 às 13:20 - Atualizado em 23/09/2016 às 13:30

Histeria hipócrita na educação

Ontem foi um dia de muito choro e ranger de dentes de esquerdistas e professores em geral. A grande responsável por isso foi a Medida Provisória assinada por Michel Temer na tarde de ontem que promove a reforma do Ensino Médio. E pela quantidade de lágrimas derramadas e gritos proferidos, dá até para termos a impressão de que o ensino no Brasil é referência mundial em qualidade, quando, na verdade, verifica-se exatamente o contrário: o IDEB do Ensino Médio está estagnado desde 2011 e hoje é menor que em 1997, além de sermos um dos últimos nos rankings de matemática e língua materna conforme o PISA – o que é inaceitável para um país que figura entre as dez maiores economias do mundo.

Confesso que não concordo integralmente com as propostas da reforma. A idéia de o Ensino Médio ser integral, por exemplo, incomoda-me bastante: mais tempo na escola, mais tempo exposto à doutrinação; mais tempo na escola, menos liberdade/disponibilidade para outras atividades que o jovem terá; bem como acredito não haver espaço físico e nem mesmo os recursos financeiros necessários para a adoção desse modelo.  Mas toda a gritaria sindical que estamos assistindo não se refere a pontos como esses, mas justamente aos pontos que concedem maior autonomia às escolas e aos alunos, de modo que a reação não passa de histeria hipócrita. E é exatamente isso o que mostrarei nos próximos parágrafos.

2009 x 2016

Eu cursei o terceiro ano do Ensino Médio em 2009 e fui vítima da mudança repentina na forma e na função do ENEM anunciada por Fernando Haddad, então ministro da Educação do governo Lula, a ser implantada ainda naquele ano. Sim, no susto, no meio do ano letivo, bagunçando todo o planejamento das escolas. Estranhamente, não me lembro dos meus professores ficando histéricos. Muito pelo contrário: muitos afirmavam que o novo formato do ENEM seria mais justo, que nivelar o conteúdo por baixo seria bom para dar aos “estudantes do Piauí as mesmas chances de entrar em uma federal de peso que aos estudantes do Centro-Sul” (sim, este foi o exemplo de um dos meus professores na ocasião), que era ótimo ver uma prova não-conteudista passando a ser o principal critério de seleção, que era ótimo ver uma prova que privilegia o “senso crítico” dos alunos em detrimento do “decoreba” recebendo tanto destaque.

A reforma anunciada ontem, por outro lado, será implementada entre 2017 e 2024, ou seja, um período razoável para que as escolas se adaptem sem que os alunos sofram prejuízos decorrentes da mudança. A diferença é que em 2009 a mudança brusca foi IMPOSTA por um governo que conta com a afinidade ideológica dos sindicatos de professores, em geral coordenados por gente vinculada ao PT, PSOL, PC do B e PSTU, ou seja, toda a extrema esquerda, enquanto a MP ontem assinada foi colocada por um governo que essa extrema esquerda diz “golpista” e por um ministro da Educação de Centro-Direita.

Corporativismo e reserva de mercado

O principal ponto da discórdia na reforma parece ter sido o fato de que agora será facultada às escolas a possibilidade de contratar profissionais que não cursaram cadeiras de licenciatura (ou seja, de pedagogia) durante sua formação acadêmica. Eu, particularmente, considero isso ótimo, pois abrirá espaço para que engenheiros deem aulas de matemática e física sem que precisem se submeter ao horror esquerdista que são as cadeiras de licenciatura obrigatórias para quem deseja dar aulas nos ensinos fundamental e médio. Mais que isso, contratar profissionais de fora do magistério é também uma excelente maneira de arejar o ambiente escolar, tomado de professores que utilizam as salas de aula muito mais para militância política que para ensinar o devido conteúdo, e ainda expor os alunos a quem tenha experiência no mercado de trabalho fora do magistério. Segundo muitos professores, contudo, isso será colocar “qualquer um” para dar aulas de “qualquer coisa”, o que é uma deslavada MENTIRA. E é óbvio que repetirão incansavelmente essa narrativa delirante, pois temem perder a reserva de mercado que lhes foi assegurada até aqui.

A verdade, aliás, é que grande parte dos professores, inclusive aqueles que abominam o PT e o PSOL e expõem ideias liberais em seus perfis em redes sociais, demonstram um corporativismo cego. Basta os sindicatos da educação dizerem que algo é o demônio que eles repetirão que é o demônio. E esse fenômeno, confesso, me entristece, pois demonstra que há indivíduos mais comprometidos com interesses de suas classes, de seus coletivos, que com seus princípios pessoais.

Por outro lado, como contratar profissionais de notório saber em área afim é apenas uma possibilidade concedida às escolas, duvido que a maioria das escolas privadas vá aderir, visto que são ambientes extremamente corporativistas e a tendência é que continuem a primar pela contratação dos que passaram pelas cadeiras de doutrinação, que dizer, de pedagogia, durante seus estudos.

Direito de escolha

Muito se está criticando também a proposta de ser adotado um sistema mais similar ao de países desenvolvidos, nos quais as escolas tendem a priorizar o ensino da língua oficial, de Matemática e de Língua Estrangeira, com as demais matérias sendo enfatizadas ou não conforme área de conhecimento/modalidade técnica a ser escolhida pelos alunos. Foi com medidas similares a que se pretende implementar no Brasil que países como Coreia do Sul e Cingapura superaram o subdesenvolvimento, porém, parece que os teóricos da educação no Brasil, estão seriamente comprometidos com o fracasso.

Mais que isso, insistem que aos dezesseis anos o jovem não tem maturidade para decidir qual área ele irá cursar com ênfase, o que é curioso, pois a maioria dos professores que manifesta esse tipo de opinião considera o jovem maduro o bastante aos dezesseis anos para votar e até mesmo para se submeter a cirurgia de redesignação sexual. Bobagem. Permitir que escolas definam cerca de 50% de seu programa e que os alunos optem por uma grande área de ênfase é benéfico sobretudo por dois motivos: 1. Haverá mais competição entre os colégios, visto que estes terão maior diferenciação entre seus programas, e os pais terão mais opções de escolha de programas para matricular seus filhos; 2. Alunos assistirão aulas com maior motivação, visto que terão ênfase nas matérias de suas respectivas áreas de afinidade.

Senso “crítico”

Também sobram os que consideram que tornar Sociologia e Filosofia disciplinas optativas prejudicial para a formação dos alunos porque os dificultaria a ter um tal “senso crítico”. Eis mais uma bobagem. Desde que o ensino dessas matérias tornou-se obrigatória no ensino Médio, na maioria dos casos elas serviram apenas como mais um espaço para doutrinação de alunos, com a repetição exaustiva de coisas como “MST busca justiça” e “o capitalismo é o mal do mundo” e muito Marx e muita Escola de Frankfurt.

Aliás, é bastante curioso como para a maioria dos professores o tal “senso crítico” é sempre de esquerda e como raramente estudantes têm a oportunidade de serem apresentados de maneira honesta às teorias liberal e marxista para que ele próprio conclua com qual ele mais se identifica. Mais que isso, parece-me exagerada a preocupação demonstrada por alguns, que em seu tempo apenas dormiam na aula ou zoneavam mesmo, com relação à sociologia e filosofia, quando em nosso país cerca de 38% dos universitários são analfabetos funcionais e grande parte da população não sabe as quatro operações. É óbvio que precisamos de maior ênfase em português e matemática, pois estas são indispensáveis à compreensão de todo o resto. Infelizmente, ao menos a princípio, Sociologia, Filosofia, Educação Física e Artes continuam obrigatórias no Ensino Médio.

Reclamem com Dilma!

Cabe lembrar que a medida tão rechaçada como autoritária pelos que juram que impeachment é golpe foi uma das propostas da campanha da própria Dilma Rousseff. Não acreditam em mim? Pois então fiquem com a sua sacrossanta diva do petrolão! Duvido que se fosse ela anunciando a MP ontem vocês iriam aplaudir e chorar de comoção.



Conclusão

A reforma proposta é ainda bastante tímida, visto que ainda mantém muita coisa obrigatória, porém aponta para um caminho bem mais promissor que o sistema atualmente vigente. Mais que isso, as novas medidas pavimentam um caminho em que, de maneira geral, dificulta que profissionais mal-intencionados use das salas de aula para vender suas paixões políticas a seu público cativo. Como disse um amigo, impressiona como grande parte dos professores sempre trata tudo que dê mais autonomia aos indivíduos como sendo algo nefasto, péssimo e diabólico. Infelizmente, isso não surpreende, e é por isso que já disse e repito: o simples fato de os sindicatos da educação, infestados pelo PT-PSOL-PSTU-PC do B e afins, posicionarem-se tão veementemente contra a MP é um bom indicativo de que a medida é muito mais acertada que nociva.

11/09/2016 às 09:12

Conto de um político de extrema-esquerda

Era uma vez um cara de extrema-esquerda. Talvez a família dele já fosse de esquerda, talvez não. Foi educado em colégio católico e seguiu sem dificuldade para um curso de ciências humanas em uma universidade federal. Provavelmente, foi ali que começou a militar ostensivamente, em algum DCE emporcalhado, filiando-se a algum desses partidos da extrema-esquerda.

De imediato, contudo, não se candidatou; apenas intensificou a militância. Reproduziu o ciclo ao qual fora submetido e adentrou salas de aula. Ali estava sua audiência perfeita: jovens idealistas, fervorosos em seu desejo de mudar o mundo sem sequer terem arrumado seus quartos, presas fáceis para o velho discurso sobre igualdade, justiça socialista e polícia fascista. Ele, naturalmente, era o professor descolado, amigo da “galera”, que falava com os mesmos termos que os adolescentes para os quais lecionava e era o queridinho das turmas. E isso só contribuía para que fosse enorme a aceitação de sua panfletagem ideológica travestida de conteúdo da disciplina.

Então ele deu o passo seguinte. Candidatou-se. E elegeu-se. Muito com os votos de outros professores colegas de militância e igualmente hábeis em praticar lavagem cerebral nos alunos; muito com os votos dos próprios alunos, sua audiência cativa e facilmente manipulável. Falar incansavelmente que o capitalismo é malvadão e que o socialismo representa a verdadeira liberdade havia enfim proporcionado algo concreto. Não era raro que outros professores no meio de suas aulas disparassem que seu colega eleito deputado era o político mais honesto, o único honesto e o único capaz. Que engodo! Mas ele se fez ídolo e daqueles realmente idolatrado por massas anencéfalas de DCEs e grêmios estudantis e com meteórica ascensão.
 

Ele tornou-se, sem dúvidas, uma das figuras mais abjetas do cenário político nacional. Sempre fingindo uma pobreza na qual não vivia, sempre com aquele olhar de peixe morto de quem se faz de vítima com frequência e habilidade sem que o seja de fato, sempre com o aspecto de que tomava menos banhos que o desejável. Típico. Chamava black bloc destruidor de patrimônio público e privado de preso político, a polícia de fascista e assassino de 15 anos de vítima da sociedade.  Virou melhor amigo das celebridades, era defensor inequívoco de badernas como as que testemunhamos em 2013.


Naturalmente ele não desfez os vínculos com as salas de aula. Ainda era amigo íntimo de muitos professores. E estes lhe asseguravam palanque e audiência cativa. Não só por fazerem frequentes menções positivas ao sujeito, mas também por sorrateiramente introduzi-lo pessoalmente aos alunos. Eram maus-caracteres, tal como o dito sujeito, se não piores! Não hesitavam em patrocinar o amigo com campanha antecipada ilegal disfarçada de palestra sobre “direitos humanos, desmilitarização da polícia e ‘jornadas’ de junho” para alunos de segundo e terceiro anos do ensino médio em horário de aula em ano eleitoral. Sim, justamente as turmas majoritariamente habilitadas a votar. Sim, em colégios privados os quais muitos pais pagam com sacrifício acreditando que o filho irá aprender o necessário para ter sucesso profissional. Sim, em horário de aula para que os alunos não pudessem se negar a assistir. Sim, sendo anunciado como amigo íntimo de professores vistos como descolados para impressionar e conquistar os alunos. E os professores, em conluio com o candidato de extrema-esquerda e com outros professores exigiam de seus alunos resenhas sobre as palestras valendo nota. E isso se repetia em inúmeras escolas particulares onde ele tinha amigos, sobretudo em colégios católicos. Natural que se desesperem com o mero fato de que é cada vez maior o número de pais que cobram que os colégios não tenham partido...


E ele foi reeleito, mais uma vez com expressiva votação. E mais uma vez aproveitando-se do público escolar, ainda que ele próprio já não estivesse diante os quadros a lecionar. E naturalmente ele sonha com voos mais altos e segue a se empenhar por isso. Sempre tergiversando, sempre manipulando. E assim sempre seguirá e, quem sabe, ainda tenhamos a infelicidade de, daqui alguns anos, vê-lo alçado ao mais elevado posto político de nossa república. Deus nos livre de tamanha tragédia e permita-nos desmascarar o quanto antes o político de extrema-esquerda! Se achamos terrível ter vivido os quase quinze anos do devaneio petista, apenas poucos anos da loucura da extrema extrema-esquerda seriam uma hecatombe.

27/08/2016 às 23:11

Sororidade para quem? #02

As Olimpíadas acabaram há uma semana e parece-me ter sido a edição mais utilizada pelos justiceiros socialistas para panfletar suas causas. Nenhuma medalha vinha sem que sexo, cor da pele, ser militar ou não, ser de origem pobre ou não, tornassem-se mais relevantes a grande parte da mídia nacional que a conquista de cada indivíduo por seu próprio esforço dedicação.
 

Como é típico aos justiceiros pós-modernos e “progressistas” que abundam nas redações e nas redes sociais, o mérito individual era apenas um mero detalhe, algo totalmente secundário quando havia como montar alguma narrativa favorável às ideias da esquerda. E isso fez presenciarmos algumas situações um tanto quanto bizarras, como de feministas celebrando a vitória de mulheres em categorias femininas de esportes onde ambos os sexos competem como se fosse algo do tipo mulheres x homens e mesmo dizendo que o hipismo era o único esporte que “não reproduzia a lógica do patriarcado por ser o único em que mulheres e homens competem juntos e de igual para igual” e que, por isso, deveria servir como modelo para os demais esportes. Juro que, neste último caso, a primeira coisa que me veio à mente foi boxe unissex, com homens competindo contra mulheres.


E é por isso que nesse segundo episódio da série “Sororidade para quem?” eu trago o exemplo de três atletas mulheres que foram ignoradas ou zombadas pelo movimento feminista por se consagrarem vitoriosas em esportes não aprovados pela esquerda e/ou duramente criticadas por expressarem publicamente opiniões contrárias à narrativa pregada pelo feminismo.


Ginny Thrasher, EUA – Rifle de Ar, 10 m

Ginny Thrasher conquistou a primeira medalha de ouro para os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos deste ano. A vitória dela, contudo, foi alvo de chacota pelos esquerdistas de plantão, os quais estão sempre a gritar histericamente contra o direito das pessoas possuírem armas e também de existirem esportes de tiro. Em nenhum momento, no entanto, feministas bradaram em defesa de Ginny ou apontaram como machistas todas as palavras debochadas dirigidas à jovem e ao esporte que ela representa. Pior: trataram de associar a prática de tiro aos tiroteios em massa que frequentemente acontecem nos EUA (não coincidentemente, todos em locais conhecidos como gun free zones, nos quais portar armas é proibido, o que, naturalmente, facilita a vida de quem pretende cometer massacres com armas). Para essa gente, a conquista de Ginny nada vale, pois a prática em que ela compete é algo para eles abominável.


@TeamUSA @USAShooting faz sentido que a primeira medalha de ouro esteja relacionada a armas” – Johnny Wack (@JohnnyWack1), 06/08/2016.


A primeira medalha de ouro dos Estados Unidos na Olimpíadas veio de atirar com um rifle. Somos um estereótipo”. – Kyle Feldescher (@Kyle_Feldscher), 06/08/2016.


Se você acha que Ginny Thrasher impressionou no tiro de 10m, espere até você ver como a equipe americana é dominante em massacres com armas de fogo” – Brian Santa Maria (@briansantamaria), 06/08/2016.


Obs: A América conquistou a primeira medalha de ouro por atirar com uma arma?” – Lindzi (@lindsayzissis), 06/08/2016.


Kim Rhode, EUA – Skeet

A esquerda muito diz preocupar-se com as mulheres, mas detesta mulheres armadas e capazes de se defender por conta própria. É o caso da americana Kim Rhodes, que foi a primeira mulher a conquistar 6 medalhas olímpicas em 6 olimpíadas consecutivas (Atlanta, Sidney, Atenas, Pequim, Londres e Rio). Mas ela é mais uma vitoriosa em uma categoria do tiro esportivo, a modalidade esportiva mais detestada pela esquerda. No jornal britânico The Guardian, por exemplo, ao falarem do feito de Rhodes, deram muito mais ênfase aos fatos de que ela é apoiadora declarada de Donald Trump para a presidência da América e sobre como são frequentes os massacres com armas de fogo no país (mais uma vez, sem falar que aconteceram em gun free zonesI, obviamente) que na a conquista da atiradora. Já a rede de TV americana NBC tratou de desmerecer a conquista, afirmando que o tiro esportivo exige menos atributos físicos que outros esportes, de modo que seria “fácil” competir em várias olimpíadas sem prejuízo à performance. Mas nesse caso, parece que tudo bem não celebrar as glórias de uma mulher que realmente é uma vencedora, afinal, ela é mais uma que não serve à narrativa feminista.


Kerri Walsh-Jennings, EUA – Vôlei de Praia

Tricampeã olímpica na modalidade em três olimpíadas consecutivas junto de Misty May-Treanor e medalha de bronze nos jogos do Rio ao lado de April Ross, Walsh-Jennings é, sem dúvidas, uma das maiores vencedoras da história das olimpíadas. Nos jogos de Londres, em 2012, quando foi campeã do torneio olímpico pela última vez, a atleta estava nas primeiras semanas de sua terceira gestação e fez questão de competir mesmo já tendo conhecimento da gravidez. Mas foi uma declaração da atleta em especial que despertou a ira dos justiceiros socialistas: “Eu me sinto como se houvesse nascido para ter filhos e jogar vôlei”. Assim como no caso “Bela, recatada e do lar”, no qual feministas revoltaram-se pela suposta exaltação de mulheres que prezam pelo recato na maneira de agir e vestir-se, as feministas consideram inconcebível que uma mulher orgulhe-se publicamente da maternidade e, mais ainda, considere a maternidade como um grande feito e também uma vocação pessoal, como é o caso da tricampeã olímpica. Mais que isso, feministas deturpam a opinião da atleta como o simples fato de essa opinião ter sido publicamente veiculada seja uma espécie de “imposição patriarcal da mídia” de que todas as mulheres devem abraçar e buscar a maternidade. Nada mais ridículo que enxergar uma posição pessoal como “imposição da mídia”.


@nbc E agora o bloco sobre Kerri Walsh-Jennings: ‘Eu nasci para ter filhos’. Donald Trump está gerenciando o noticiário agora?

@cameronesposito Você assistiu o bloco sobre Kerri Walsh Jennings? ‘Eu nasci para ter filhos...’ O que a @nbc está fazendo conosco?” – Paula Dixon (@PeoplePaula), 07/08/2016.