THAÍS GUALBERTO
Thaís Gualberto é formada em Economia pelo IBMEC-RJ e é natural de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, onde ainda vive. Além de colaborar com o portal Sul Connection, publica crônicas e resenhas de obras de ficção em seu outro blog.

03/10/2016 às 01:36

Entre a cruz e o molotov

Com a pulverização das candidaturas de centro e de direita, Marcelo Freixo, graças à aglutinação de votos à esquerda, infelizmente conseguiu a disputadíssima segunda vaga no segundo turno na capital do Rio de Janeiro. Sim, falo do Marcelo Freixo defensor de black blocs e criminosos em geral e queridinho de grande parte dos professores, DCEs e estudantes da cidade. Seu rival será Marcelo Crivella, bispo da geralmente polêmica Igreja Universal do Reino de Deus, comandada por Edital Macedo, um dos grandes aliados do governo PT nos últimos treze anos.

Não preciso dizer que a rejeição a ambos é grandes, ainda que se devam a motivos distintos. Um por ser tão próximo de uma entidade religiosa que muitos duvidam da capacidade dele em respeitar a laicidade do estado. Outro por, em uma das cidades mais violentas do país, sempre tomar partido dos que vilipendiam a população com a violência e a política do terror  e ainda dizer que iluminação pública é mais efetiva para melhorar a segurança pública que policiamento.

Acredito, contudo, que os eleitores de Pedro Paulo, Flavio Bolsonaro, Índio da Costa e Carlos Osório tendem muito mais a votar em Crivella ou anular o voto que a migrar para a extrema esquerda de Freixo, que certamente contará com os votos dos eleitores de Jandira Feghali e Alessandro Molon. 

Particularmente, entre a cruz e o molotov, ficaria com a cruz se no Rio votasse. Reconheço que é trágica a situação da ex-capital do Brasil, mas prefiro entregar a cidade em que trabalho a uma igreja que aos que pregam a depredação criminosa do black bloc, a marcha da insensatez, a inocência da criminalidade e irresponsabilidade plena.

ENQUANTO ISSO, NA MINHA NITEROI...

Teremos segundo turno entre o ex-petista, agora PV e atual prefeito Rodrigo Neves, responsável por calçar uma rua da cidade com granito, e Felipe Peixoto, ex-secretário de saúde do estado do Rio em uma das piores crises na área da saúde. O último teve e terá meu voto novamente pelos simples fato de que admiro seu candidato a vice e ser ele a opção menos à esquerda disponível.

Em minha cidade, contudo, o mais interessante foi ver o candidato do PSOL, partido muito forte no município por conta da Universidade Federal Fluminense (UFF) e que fez os dois vereadores mais votados deste pleito (algo em torno dos 4 mil votos, cada), receber cerca de 9000 votos a menos que a quantidade de votos nulos.

CONSOLO PARA O PT

Por outro lado, Maricá, a cidade em que temos Hospital Che Guevara (com estátua do facínora) e Conjunto Habitacional Carlos Marighella, o atual prefeito, o famigerado Washington Qua Qua (PT) conseguiu fazer seu sucessor com inacreditáveis 97% dos votos válidos. Eu confesso que estou estarrecida e, bem, com pena da tragédia que continuará em curso no município que talvez seja o mais vermelho do país.

 

23/09/2016 às 13:20 - Atualizado em 23/09/2016 às 13:30

Histeria hipócrita na educação

Ontem foi um dia de muito choro e ranger de dentes de esquerdistas e professores em geral. A grande responsável por isso foi a Medida Provisória assinada por Michel Temer na tarde de ontem que promove a reforma do Ensino Médio. E pela quantidade de lágrimas derramadas e gritos proferidos, dá até para termos a impressão de que o ensino no Brasil é referência mundial em qualidade, quando, na verdade, verifica-se exatamente o contrário: o IDEB do Ensino Médio está estagnado desde 2011 e hoje é menor que em 1997, além de sermos um dos últimos nos rankings de matemática e língua materna conforme o PISA – o que é inaceitável para um país que figura entre as dez maiores economias do mundo.

Confesso que não concordo integralmente com as propostas da reforma. A idéia de o Ensino Médio ser integral, por exemplo, incomoda-me bastante: mais tempo na escola, mais tempo exposto à doutrinação; mais tempo na escola, menos liberdade/disponibilidade para outras atividades que o jovem terá; bem como acredito não haver espaço físico e nem mesmo os recursos financeiros necessários para a adoção desse modelo.  Mas toda a gritaria sindical que estamos assistindo não se refere a pontos como esses, mas justamente aos pontos que concedem maior autonomia às escolas e aos alunos, de modo que a reação não passa de histeria hipócrita. E é exatamente isso o que mostrarei nos próximos parágrafos.

2009 x 2016

Eu cursei o terceiro ano do Ensino Médio em 2009 e fui vítima da mudança repentina na forma e na função do ENEM anunciada por Fernando Haddad, então ministro da Educação do governo Lula, a ser implantada ainda naquele ano. Sim, no susto, no meio do ano letivo, bagunçando todo o planejamento das escolas. Estranhamente, não me lembro dos meus professores ficando histéricos. Muito pelo contrário: muitos afirmavam que o novo formato do ENEM seria mais justo, que nivelar o conteúdo por baixo seria bom para dar aos “estudantes do Piauí as mesmas chances de entrar em uma federal de peso que aos estudantes do Centro-Sul” (sim, este foi o exemplo de um dos meus professores na ocasião), que era ótimo ver uma prova não-conteudista passando a ser o principal critério de seleção, que era ótimo ver uma prova que privilegia o “senso crítico” dos alunos em detrimento do “decoreba” recebendo tanto destaque.

A reforma anunciada ontem, por outro lado, será implementada entre 2017 e 2024, ou seja, um período razoável para que as escolas se adaptem sem que os alunos sofram prejuízos decorrentes da mudança. A diferença é que em 2009 a mudança brusca foi IMPOSTA por um governo que conta com a afinidade ideológica dos sindicatos de professores, em geral coordenados por gente vinculada ao PT, PSOL, PC do B e PSTU, ou seja, toda a extrema esquerda, enquanto a MP ontem assinada foi colocada por um governo que essa extrema esquerda diz “golpista” e por um ministro da Educação de Centro-Direita.

Corporativismo e reserva de mercado

O principal ponto da discórdia na reforma parece ter sido o fato de que agora será facultada às escolas a possibilidade de contratar profissionais que não cursaram cadeiras de licenciatura (ou seja, de pedagogia) durante sua formação acadêmica. Eu, particularmente, considero isso ótimo, pois abrirá espaço para que engenheiros deem aulas de matemática e física sem que precisem se submeter ao horror esquerdista que são as cadeiras de licenciatura obrigatórias para quem deseja dar aulas nos ensinos fundamental e médio. Mais que isso, contratar profissionais de fora do magistério é também uma excelente maneira de arejar o ambiente escolar, tomado de professores que utilizam as salas de aula muito mais para militância política que para ensinar o devido conteúdo, e ainda expor os alunos a quem tenha experiência no mercado de trabalho fora do magistério. Segundo muitos professores, contudo, isso será colocar “qualquer um” para dar aulas de “qualquer coisa”, o que é uma deslavada MENTIRA. E é óbvio que repetirão incansavelmente essa narrativa delirante, pois temem perder a reserva de mercado que lhes foi assegurada até aqui.

A verdade, aliás, é que grande parte dos professores, inclusive aqueles que abominam o PT e o PSOL e expõem ideias liberais em seus perfis em redes sociais, demonstram um corporativismo cego. Basta os sindicatos da educação dizerem que algo é o demônio que eles repetirão que é o demônio. E esse fenômeno, confesso, me entristece, pois demonstra que há indivíduos mais comprometidos com interesses de suas classes, de seus coletivos, que com seus princípios pessoais.

Por outro lado, como contratar profissionais de notório saber em área afim é apenas uma possibilidade concedida às escolas, duvido que a maioria das escolas privadas vá aderir, visto que são ambientes extremamente corporativistas e a tendência é que continuem a primar pela contratação dos que passaram pelas cadeiras de doutrinação, que dizer, de pedagogia, durante seus estudos.

Direito de escolha

Muito se está criticando também a proposta de ser adotado um sistema mais similar ao de países desenvolvidos, nos quais as escolas tendem a priorizar o ensino da língua oficial, de Matemática e de Língua Estrangeira, com as demais matérias sendo enfatizadas ou não conforme área de conhecimento/modalidade técnica a ser escolhida pelos alunos. Foi com medidas similares a que se pretende implementar no Brasil que países como Coreia do Sul e Cingapura superaram o subdesenvolvimento, porém, parece que os teóricos da educação no Brasil, estão seriamente comprometidos com o fracasso.

Mais que isso, insistem que aos dezesseis anos o jovem não tem maturidade para decidir qual área ele irá cursar com ênfase, o que é curioso, pois a maioria dos professores que manifesta esse tipo de opinião considera o jovem maduro o bastante aos dezesseis anos para votar e até mesmo para se submeter a cirurgia de redesignação sexual. Bobagem. Permitir que escolas definam cerca de 50% de seu programa e que os alunos optem por uma grande área de ênfase é benéfico sobretudo por dois motivos: 1. Haverá mais competição entre os colégios, visto que estes terão maior diferenciação entre seus programas, e os pais terão mais opções de escolha de programas para matricular seus filhos; 2. Alunos assistirão aulas com maior motivação, visto que terão ênfase nas matérias de suas respectivas áreas de afinidade.

Senso “crítico”

Também sobram os que consideram que tornar Sociologia e Filosofia disciplinas optativas prejudicial para a formação dos alunos porque os dificultaria a ter um tal “senso crítico”. Eis mais uma bobagem. Desde que o ensino dessas matérias tornou-se obrigatória no ensino Médio, na maioria dos casos elas serviram apenas como mais um espaço para doutrinação de alunos, com a repetição exaustiva de coisas como “MST busca justiça” e “o capitalismo é o mal do mundo” e muito Marx e muita Escola de Frankfurt.

Aliás, é bastante curioso como para a maioria dos professores o tal “senso crítico” é sempre de esquerda e como raramente estudantes têm a oportunidade de serem apresentados de maneira honesta às teorias liberal e marxista para que ele próprio conclua com qual ele mais se identifica. Mais que isso, parece-me exagerada a preocupação demonstrada por alguns, que em seu tempo apenas dormiam na aula ou zoneavam mesmo, com relação à sociologia e filosofia, quando em nosso país cerca de 38% dos universitários são analfabetos funcionais e grande parte da população não sabe as quatro operações. É óbvio que precisamos de maior ênfase em português e matemática, pois estas são indispensáveis à compreensão de todo o resto. Infelizmente, ao menos a princípio, Sociologia, Filosofia, Educação Física e Artes continuam obrigatórias no Ensino Médio.

Reclamem com Dilma!

Cabe lembrar que a medida tão rechaçada como autoritária pelos que juram que impeachment é golpe foi uma das propostas da campanha da própria Dilma Rousseff. Não acreditam em mim? Pois então fiquem com a sua sacrossanta diva do petrolão! Duvido que se fosse ela anunciando a MP ontem vocês iriam aplaudir e chorar de comoção.



Conclusão

A reforma proposta é ainda bastante tímida, visto que ainda mantém muita coisa obrigatória, porém aponta para um caminho bem mais promissor que o sistema atualmente vigente. Mais que isso, as novas medidas pavimentam um caminho em que, de maneira geral, dificulta que profissionais mal-intencionados use das salas de aula para vender suas paixões políticas a seu público cativo. Como disse um amigo, impressiona como grande parte dos professores sempre trata tudo que dê mais autonomia aos indivíduos como sendo algo nefasto, péssimo e diabólico. Infelizmente, isso não surpreende, e é por isso que já disse e repito: o simples fato de os sindicatos da educação, infestados pelo PT-PSOL-PSTU-PC do B e afins, posicionarem-se tão veementemente contra a MP é um bom indicativo de que a medida é muito mais acertada que nociva.

11/09/2016 às 09:12

Conto de um político de extrema-esquerda

Era uma vez um cara de extrema-esquerda. Talvez a família dele já fosse de esquerda, talvez não. Foi educado em colégio católico e seguiu sem dificuldade para um curso de ciências humanas em uma universidade federal. Provavelmente, foi ali que começou a militar ostensivamente, em algum DCE emporcalhado, filiando-se a algum desses partidos da extrema-esquerda.

De imediato, contudo, não se candidatou; apenas intensificou a militância. Reproduziu o ciclo ao qual fora submetido e adentrou salas de aula. Ali estava sua audiência perfeita: jovens idealistas, fervorosos em seu desejo de mudar o mundo sem sequer terem arrumado seus quartos, presas fáceis para o velho discurso sobre igualdade, justiça socialista e polícia fascista. Ele, naturalmente, era o professor descolado, amigo da “galera”, que falava com os mesmos termos que os adolescentes para os quais lecionava e era o queridinho das turmas. E isso só contribuía para que fosse enorme a aceitação de sua panfletagem ideológica travestida de conteúdo da disciplina.

Então ele deu o passo seguinte. Candidatou-se. E elegeu-se. Muito com os votos de outros professores colegas de militância e igualmente hábeis em praticar lavagem cerebral nos alunos; muito com os votos dos próprios alunos, sua audiência cativa e facilmente manipulável. Falar incansavelmente que o capitalismo é malvadão e que o socialismo representa a verdadeira liberdade havia enfim proporcionado algo concreto. Não era raro que outros professores no meio de suas aulas disparassem que seu colega eleito deputado era o político mais honesto, o único honesto e o único capaz. Que engodo! Mas ele se fez ídolo e daqueles realmente idolatrado por massas anencéfalas de DCEs e grêmios estudantis e com meteórica ascensão.
 

Ele tornou-se, sem dúvidas, uma das figuras mais abjetas do cenário político nacional. Sempre fingindo uma pobreza na qual não vivia, sempre com aquele olhar de peixe morto de quem se faz de vítima com frequência e habilidade sem que o seja de fato, sempre com o aspecto de que tomava menos banhos que o desejável. Típico. Chamava black bloc destruidor de patrimônio público e privado de preso político, a polícia de fascista e assassino de 15 anos de vítima da sociedade.  Virou melhor amigo das celebridades, era defensor inequívoco de badernas como as que testemunhamos em 2013.


Naturalmente ele não desfez os vínculos com as salas de aula. Ainda era amigo íntimo de muitos professores. E estes lhe asseguravam palanque e audiência cativa. Não só por fazerem frequentes menções positivas ao sujeito, mas também por sorrateiramente introduzi-lo pessoalmente aos alunos. Eram maus-caracteres, tal como o dito sujeito, se não piores! Não hesitavam em patrocinar o amigo com campanha antecipada ilegal disfarçada de palestra sobre “direitos humanos, desmilitarização da polícia e ‘jornadas’ de junho” para alunos de segundo e terceiro anos do ensino médio em horário de aula em ano eleitoral. Sim, justamente as turmas majoritariamente habilitadas a votar. Sim, em colégios privados os quais muitos pais pagam com sacrifício acreditando que o filho irá aprender o necessário para ter sucesso profissional. Sim, em horário de aula para que os alunos não pudessem se negar a assistir. Sim, sendo anunciado como amigo íntimo de professores vistos como descolados para impressionar e conquistar os alunos. E os professores, em conluio com o candidato de extrema-esquerda e com outros professores exigiam de seus alunos resenhas sobre as palestras valendo nota. E isso se repetia em inúmeras escolas particulares onde ele tinha amigos, sobretudo em colégios católicos. Natural que se desesperem com o mero fato de que é cada vez maior o número de pais que cobram que os colégios não tenham partido...


E ele foi reeleito, mais uma vez com expressiva votação. E mais uma vez aproveitando-se do público escolar, ainda que ele próprio já não estivesse diante os quadros a lecionar. E naturalmente ele sonha com voos mais altos e segue a se empenhar por isso. Sempre tergiversando, sempre manipulando. E assim sempre seguirá e, quem sabe, ainda tenhamos a infelicidade de, daqui alguns anos, vê-lo alçado ao mais elevado posto político de nossa república. Deus nos livre de tamanha tragédia e permita-nos desmascarar o quanto antes o político de extrema-esquerda! Se achamos terrível ter vivido os quase quinze anos do devaneio petista, apenas poucos anos da loucura da extrema extrema-esquerda seriam uma hecatombe.

27/08/2016 às 23:11

Sororidade para quem? #02

As Olimpíadas acabaram há uma semana e parece-me ter sido a edição mais utilizada pelos justiceiros socialistas para panfletar suas causas. Nenhuma medalha vinha sem que sexo, cor da pele, ser militar ou não, ser de origem pobre ou não, tornassem-se mais relevantes a grande parte da mídia nacional que a conquista de cada indivíduo por seu próprio esforço dedicação.
 

Como é típico aos justiceiros pós-modernos e “progressistas” que abundam nas redações e nas redes sociais, o mérito individual era apenas um mero detalhe, algo totalmente secundário quando havia como montar alguma narrativa favorável às ideias da esquerda. E isso fez presenciarmos algumas situações um tanto quanto bizarras, como de feministas celebrando a vitória de mulheres em categorias femininas de esportes onde ambos os sexos competem como se fosse algo do tipo mulheres x homens e mesmo dizendo que o hipismo era o único esporte que “não reproduzia a lógica do patriarcado por ser o único em que mulheres e homens competem juntos e de igual para igual” e que, por isso, deveria servir como modelo para os demais esportes. Juro que, neste último caso, a primeira coisa que me veio à mente foi boxe unissex, com homens competindo contra mulheres.


E é por isso que nesse segundo episódio da série “Sororidade para quem?” eu trago o exemplo de três atletas mulheres que foram ignoradas ou zombadas pelo movimento feminista por se consagrarem vitoriosas em esportes não aprovados pela esquerda e/ou duramente criticadas por expressarem publicamente opiniões contrárias à narrativa pregada pelo feminismo.


Ginny Thrasher, EUA – Rifle de Ar, 10 m

Ginny Thrasher conquistou a primeira medalha de ouro para os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos deste ano. A vitória dela, contudo, foi alvo de chacota pelos esquerdistas de plantão, os quais estão sempre a gritar histericamente contra o direito das pessoas possuírem armas e também de existirem esportes de tiro. Em nenhum momento, no entanto, feministas bradaram em defesa de Ginny ou apontaram como machistas todas as palavras debochadas dirigidas à jovem e ao esporte que ela representa. Pior: trataram de associar a prática de tiro aos tiroteios em massa que frequentemente acontecem nos EUA (não coincidentemente, todos em locais conhecidos como gun free zones, nos quais portar armas é proibido, o que, naturalmente, facilita a vida de quem pretende cometer massacres com armas). Para essa gente, a conquista de Ginny nada vale, pois a prática em que ela compete é algo para eles abominável.


@TeamUSA @USAShooting faz sentido que a primeira medalha de ouro esteja relacionada a armas” – Johnny Wack (@JohnnyWack1), 06/08/2016.


A primeira medalha de ouro dos Estados Unidos na Olimpíadas veio de atirar com um rifle. Somos um estereótipo”. – Kyle Feldescher (@Kyle_Feldscher), 06/08/2016.


Se você acha que Ginny Thrasher impressionou no tiro de 10m, espere até você ver como a equipe americana é dominante em massacres com armas de fogo” – Brian Santa Maria (@briansantamaria), 06/08/2016.


Obs: A América conquistou a primeira medalha de ouro por atirar com uma arma?” – Lindzi (@lindsayzissis), 06/08/2016.


Kim Rhode, EUA – Skeet

A esquerda muito diz preocupar-se com as mulheres, mas detesta mulheres armadas e capazes de se defender por conta própria. É o caso da americana Kim Rhodes, que foi a primeira mulher a conquistar 6 medalhas olímpicas em 6 olimpíadas consecutivas (Atlanta, Sidney, Atenas, Pequim, Londres e Rio). Mas ela é mais uma vitoriosa em uma categoria do tiro esportivo, a modalidade esportiva mais detestada pela esquerda. No jornal britânico The Guardian, por exemplo, ao falarem do feito de Rhodes, deram muito mais ênfase aos fatos de que ela é apoiadora declarada de Donald Trump para a presidência da América e sobre como são frequentes os massacres com armas de fogo no país (mais uma vez, sem falar que aconteceram em gun free zonesI, obviamente) que na a conquista da atiradora. Já a rede de TV americana NBC tratou de desmerecer a conquista, afirmando que o tiro esportivo exige menos atributos físicos que outros esportes, de modo que seria “fácil” competir em várias olimpíadas sem prejuízo à performance. Mas nesse caso, parece que tudo bem não celebrar as glórias de uma mulher que realmente é uma vencedora, afinal, ela é mais uma que não serve à narrativa feminista.


Kerri Walsh-Jennings, EUA – Vôlei de Praia

Tricampeã olímpica na modalidade em três olimpíadas consecutivas junto de Misty May-Treanor e medalha de bronze nos jogos do Rio ao lado de April Ross, Walsh-Jennings é, sem dúvidas, uma das maiores vencedoras da história das olimpíadas. Nos jogos de Londres, em 2012, quando foi campeã do torneio olímpico pela última vez, a atleta estava nas primeiras semanas de sua terceira gestação e fez questão de competir mesmo já tendo conhecimento da gravidez. Mas foi uma declaração da atleta em especial que despertou a ira dos justiceiros socialistas: “Eu me sinto como se houvesse nascido para ter filhos e jogar vôlei”. Assim como no caso “Bela, recatada e do lar”, no qual feministas revoltaram-se pela suposta exaltação de mulheres que prezam pelo recato na maneira de agir e vestir-se, as feministas consideram inconcebível que uma mulher orgulhe-se publicamente da maternidade e, mais ainda, considere a maternidade como um grande feito e também uma vocação pessoal, como é o caso da tricampeã olímpica. Mais que isso, feministas deturpam a opinião da atleta como o simples fato de essa opinião ter sido publicamente veiculada seja uma espécie de “imposição patriarcal da mídia” de que todas as mulheres devem abraçar e buscar a maternidade. Nada mais ridículo que enxergar uma posição pessoal como “imposição da mídia”.


@nbc E agora o bloco sobre Kerri Walsh-Jennings: ‘Eu nasci para ter filhos’. Donald Trump está gerenciando o noticiário agora?

@cameronesposito Você assistiu o bloco sobre Kerri Walsh Jennings? ‘Eu nasci para ter filhos...’ O que a @nbc está fazendo conosco?” – Paula Dixon (@PeoplePaula), 07/08/2016.

 

07/08/2016 às 12:30 - Atualizado em 07/08/2016 às 13:12

Dalrymple e a abertura da Rio 2016

No excelente “A Vida na Sarjeta”, lançado no Brasil em 2014 pela editora É Realizações, o psiquiatra britânico Theodore Dalrymple discorre sobre como a cultura de elite em busca de vítimas e a glamourização da mediocridade acabam sendo fatores relevantes para a manutenção de certos grupos e pessoas na pobreza.

No artigo “É chique ser grosseiro”, um dos muitos presentes no livro, Dalrymple expõe que “Pela primeira vez na história as classes média e alta é que aspiram a ser tomadas pela classe social inferior, uma aspiração que (na opinião deles) necessita do mau comportamento. [...] A propaganda agora confere glamour à subclasse e a sua postura diante o mundo”. Ainda, segundo o psiquiatra, não é raro ver aristocratas de nascimento adotando posturas e expressões faciais de hostilidade a tudo e todos ou ainda renegando as pronúncias e gramática corretas da língua inglesa.

A inversão é tamanha que se nota um certo desespero por parte de pessoas que frequentaram os melhores colégios britânicos em não demonstrarem ser egressas de tais instituições; nota-se o empenho em não parecer culto e bem-educado, como se tais características fossem um demérito. Isso sem falar no relativismo pregado pelos intelectuais, propagando a ideia de que nada é melhor que nada, apenas diferente, o que acaba por fomentar a ideia de que o que é pior seria melhor apenas por ser mais popular.

Com isso, de acordo com Dalrymple, “as pessoas mais pobres foram privadas tanto de um senso de hierarquia cultural como de um imperativo moral para conformar suas condutas a qualquer padrão [...] A intelligentzia britânica, sentindo-se culpada pelos próprios antecedentes [...] sente-se obrigada a agradá-la (a subclasse) pela imitação e convenceu o restante da classe média a fazer o mesmo”, o que acaba por reduzir toda a sociedade ao menor denominador cultural comum.

E o que foi visto na abertura da Rio 2016 basicamente expôs isso que Dalrymple critica em seu texto: o nivelamento por baixo, o tratamento do comportamento da subclasse como parâmetro comportamental a ser almejado por todos, a tentativa de mostrar a cultura da subclasse como a única genuína de um povo. E tudo isso promovido pela intelectualidade local, a boa e velha intelectualidade culpada que, em vez de promover o acesso à alta cultura para as classes mais baixas, impede que as classes mais baixas descubram a alta cultura, descubram gostos e interesses distintos daqueles predominantes nas periferias.

Mais que isso, vimos na abertura olímpica os imigrantes italianos, espanhóis e alemães tendo sua relevância para a formação do povo brasileiro sumariamente ignorada e os portugueses sendo apontados como meros carrascos da colonização. Uma encenação obviamente ideológica, promovida para deslumbrar e encantar a intelectualidade esquerdista – o que incluiu um bloco Esquenta!, com Regina Casé e tudo. E isso é inegável, considerando o infeliz tweet de Fernando Meirelles, no qual ele dizia com certa prepotência que abertura fora planejada para desagradar “Bolsonaros e Trumps”.  

Ademais, como pode um espetáculo que pretende celebrar a diversidade que constitui o Brasil ignorar a diversidade cultural que compõe a nação? Ignoraram o grandioso Villa-Lobos, ignoraram Chiquinha Gonzaga, ignoraram a música de raiz de cantores como Sergio Reis e Almir Sater e a belíssima Romaria de Renato Teixeira, músicos e músicas que tão profundamente tocam o brasileiro comum. Ignoraram as sanfonas, a Asa Branca de Gonzagão, ignoraram Elba Ramalho. Ignoraram a catira, ignoraram o frevo. Os verdadeiros patrimônios culturais brasileiros foram ignorados em nome da glamourização da pobreza, da malandragem, dos favoritos dos globais, da patota da Rouanet, do politicamente correto, da intelectualidade esquerdista.

Alguns dizem que “ah, mas é Rio e Rio é bossa nova, samba e funk mesmo”, mas não aceito essa escusa. Países que sediam Olimpíadas geralmente aproveitam a cerimônia de abertura para celebrar a história de seus países, a cultura de seus povos, e não apenas as características marcantes da cidade-sede. Como teria sido belo ver uma apresentação característica de cada região do país, que mostrasse a riqueza que forma a nação e uma parte histórica sobre imigrantes que constituíram o Brasil que não excluísse os imigrantes e suas respectivas origens. Preferiram reforçar o estereotipo samba-malandro-favelado com o qual o Brasil já é internacionalmente identificado, em vez de mostrar que somos muito mais que isso.

O exposto por Dalrymple aplica-se com perfeição à intelectualidade brasileira e mais ainda a maneira como fomos apresentados ao mundo por Meirelles e cia. na abertura da Rio 2016. Ainda que a pirotecnia tenha sido bela, só posso sentir vergonha pela mensagem transmitida.