17/10/2016 às 11:40 - Atualizado em 17/10/2016 às 16:47

As edificantes canções dos apoiadores de Hillary

A hipocrisia esquerdista sem dúvidas é um dos temas favoritos desta que vos escreve. Sobretudo tratando-se especificamente da hipocrisia feminista, que eu costumo analisar na série Sororidade para quem?”. É sempre engraçado perceber que rótulos como “discurso que fomenta a cultura do estupro” ou “discurso de objetificação da mulher” parecem aplicáveis apenas a interlocutores que não comungam com a ideologia da militância histérica. Isso, aliás, ficou bastante evidente quando vieram a público os grampos da conversas do ex-presidente Lula. Em um deles, referia-se às feministas do PT como “as mulher do grelo duro”; em outro, disse que a Clara Ant (diretora do Instituto Lula) teria acordado pensando que era “um presente de Deus” que cinco homens (policiais federais) tivessem entrado na casa dela.

Diferentemente do que se imaginaria, militantes feministas não acusaram Lula de ser misógino, como fariam com tantos outros por muito menos, vide Bolsonaro processado por “apologia ao estupro” por ter dito que a colega “não merecia ser estuprada”. Pelo contrário, feministas adotaram o termo chulo como um termo que iria contra a “falocracia que impera na sociedade machista”.

Na América não é diferente. Aliás, em ano eleitoral e com Hillary Clinton, mulher esquerdista na disputa pela Casa Branca, é ainda pior. Além de abusar do “gender card” (justificar críticas que recebe como sendo fruto de machismo e tratar sua condição de mulher como algo primordial para que ela seja eleita), a campanha de Hillary conta com o massivo apoio da grande mídia e de celebridades de peso. E nada melhor que ter a mídia nas mãos para assassinar a reputação de seus adversários, sobretudo quando seu adversário é alguém politicamente incorreto como o empresário e candidato republicano Donald Trump.

Pussygate ou Trump Tapes foram os termos mais utilizados para se referirem a áudios de uma conversa entre Donald Trump e Billy Bush em 2005, na qual o atual candidato republicano faz comentários no nível “conversas de boteco” sobre seu desejo e capacidade de pegar uma mulher casada, sendo ele também casado. OK, os comentários não eram os mais bonitos de se ouvir, mas duvido que a maioria dos homens, inclusive os que estão criticando o diálogo, nunca tenham participado de conversas entre amigos que seguissem por esse caminho. Mais que isso, ele claramente se referia a como certas mulheres cedem fácil a abordagens de homens na posição dele, o que não é nenhuma mentira, sabemos bem, e é um problema apenas dos indivíduos envolvidos. Esse tipo de comentário, aliás, não só acontece entre homens como também entre muitas mulheres.

Contudo, obviamente, a mídia foi à loucura dizendo que Trump seria um “estuprador”, um misógino etc. Segundo a própria Hillary Clinton, Horrível! Não podemos permitir que esse homem seja presidente!” (isso quando ela própria está enrolada até a morte com Benghazi, emails de estado enviados por servidores privados e perseguição às vítimas de assédio de Bill Clinton), bem como Michelle Obama disse estar “profundamente abalada” pelos comentários. Hillary e Michelle, porém, como a maioria das feministas histéricas, agiram com enorme hipocrisia. E uma das maiores provas disso é o tipo de música cantada por muitos de seus mais veementes apoiadores famosos. Beyoncé, Madonna, Lady Gaga, Kesha: todas apoiadoras da democrata e com um vasto histórico de músicas que abusam de termos chulos e de descrever situações muito mais chocantes (e “objetificantes” da mulher e fomentadoras do que elas mesmas chamam “cultura do estupro”) em termos sexuais que a conversa de onze anos atrás dos candidatos. E é isso que veremos a seguir.

OBS: Não estou aqui bancando a moralista, eu escuto muitas das músicas que citarei e não tenho nenhum problema com artistas que cantem esse tipo de música, mas acredito que cabe apontar a hipocrisia dos que condenam o discurso de Trump ao mesmo tempo em que fazem fortuna com o mesmíssimo tipo de falatório.

Beyoncé
Ídolo da própria Hillary Clinton e também de Michelle Obama, que inclusive a classificou como um modelo a ser seguido por garotas de todo o mundo, Beyoncé é uma das mais proemintes esquerdistas da música e, a cada novo álbum, investe mais pesado na politização (chegando a louvar o grupo terrorista Panteras Negras e Malcom X na apresentação do intervalo do Super Bowl 2016) e também na sexualização de suas letras. Mas para Hillary e Michelle, embora as canções abaixo apresentem liguagem similar (ou pior) que as do diálogo, não são “negativas”, nem mesmo “perpetuadoras de um discurso que objetifica as mulheres. Eu sugiro que vocês, leitores, julguem por si mesmos, incluindo uma referência explícita a Ike Turner, falecido ex-marido de Tina Turner que agredia a cantora...

Drunk in Love: Hope you can handle this curve / Foreplay in a foyer, fucked up my Warhol / Slip the panties right to the side […] In '97 I bite, I'm Ike, Turner, turn up / Baby no I don't play, now eat the cake, Anna Mae. – Eu espero que consiga alcançar essa curva / Preliminares no vestíbulo f**eram meu Warhol/ Deslize a calcinha para o lado / Em 97 eu mordo, sou Ike Turner, vire-se / Querido, eu não brinco, coma o bolo Anna Mae (nome de Tina Turner antes da fama)

Partition: Oh he so horny, yeah, he want to fu... / He popped all my buttons and he ripped my blouse / He monica lewinsky-ed all on my gown – Oh, ele está tão excitado, sim, eu quero f**er / Ele abriu todos os meus botões e rasgou minha blusa / Ele “monica-lewinskyzou” em toda a minha camisola.


Christina Aguilera
Mais uma das entusiasmadas apoiadoras de Hillary, Christina Aguilera tem em seu histórico vídeos como Dirrty e Not Myself Tonight, ambos altamente sexualizados e até mesmo com sadomasoquismo, caso específico do segundo. Mas é na letra de WooHoo, uma parceria com a rapper Nicki Minaj que a coisa é realmente explícita.

WooHoo: Wanna taste my (woohoo) / You know you wanna get a peek / Wanna see my (woohoo) / You know you wanna put your lips / Where my hips are (woohoo) / Kiss on my (woohoo) / All over my (woohoo) / All the boys think it's cake / When they taste my (woohoo) / You don't even need a plate / Just your face, ha (woohoo) / Licky, licky, yum yum – Quer provar minha WooHoo? / Você sabe que quer dar uma espiada na minha WooHoo / Quer ver minha WooHoo? / Você sabe que quer colocar seus lábios / Onde meus quadris estão (woohoo) / Beije minha WooHoo / Por toda a minha WooHoo / Todos os caras pensam que é bolo / quando experimentam minha WooHoo / Você nem precisa de prato / Apenas sua cara (WooHoo) / Lamba, lamba, yum yum.


Jay Z
Marido de Beyoncé, ex-traficante e notório supremacista negro, o rapper Jay Z é famoso por suas letras nada decorosas que, aliás, são uma constante em seu estilo musical. Mas vindo do Jay Z, aí não é discurso misógino...

That’s my bitch: No disrespect, I'm not tryna belittle / But my dick worth money I put monie in the middle  - Sem desrespeito, eu não estou tentando te depreciar / Mas meu p**to vale dinheiro e eu coloco dinheiro no meio.


Jennifer Lopez
Mais uma do time que posta a hashtag “I’m with her” em quase tudo o que escreve e já tendo dedicado um show a apoiar Hillary, J.Lo tem um vasto catálogo de canções mais picantes. Certamente, contudo, por ela ser de esquerda, é tudo mensagem de “empoderamento”...

I Luh Ya Papi: Pull your trigger, go and get your gun up / All the time I hear her talk / Put a pin in it, now I'm ready, let it rock / Keep it number 1, that's easy mathematics / Keep it number 1, baby, ain't no static / Got that hourglass for you, baby / Look at these legs / No brakes, go green, no red / If you wanna kill the body, gotta start with the head / […]  I'mma need about 4-5 beds / Cause I love my papi – Aperte o gatilho, vá e levante essa arma /Toda a hora ouço a conversa dela / Vamos falar disso depois, agora estou pronta, divirta-se / Guarde o número 1, isso é uma matemática fácil / Tenho uma ampulheta para você, querido / Olhe para essas pernas / Sem freios, passe o sinal verde, sem sinais vermelhos / Se você quer matar o corpo, precisa começar pela cabeça / [...] vou precisar de umas 4 a 5 camas /Porque eu te amo, papi


Katy Perry
No ultimo debate presidencial, Katy Perry ficou simplesmente histérica com a performance de Trump ter sido superior a de Clinton, candidata do coração da cantora. Foi na noite do primeiro debate, contudo, que Katy tirou sua roupa para clamar que as pessoas fizessem o registro para votar. E enquanto ela nada diz sobre as acusações reais que Bill Clinton sofre há décadas, obviamente ela também bancou a indignada com o diálogo de Trump e cantou coisas como Peacock...

Peacock: I want the jaw droppin', eye popin', head turnin', body shockin' / I'ma peace out if you don't give me the pay off / Come on baby let me see / what you're hiding underneath / Are you brave enough to let me see your peacock? / what you're waiting for, it's time for you to show it off - Quero ficar de boca aberta, olhos saltitando, cabeça pirando, com o corpo em choque / Te deixarei em paz e não precisará pagar / Vamos lá baby, deixe me ver / O que você está escondendo ai embaixo / Você é corajoso o suficiente para me deixar ver seu pavão? / O que esta esperando? É hora de você mostrar-lo


Kesha
Tendo alcançado a fama em 2009 com Tik Tok, atualmente Kesha tem garantido espaço na mídia pelo processo contra o produtor musical Lukas “Dr. Luke” Gottwald por abuso sexual, o qual ela perdeu por não ter provas a apresentar. Isso, como era de se esperar, transformou-a em uma mártir do movimento feminista e ela não perdeu tempo em demonstrar o quão mal ela se sentiu diante os comentários de Trump, embora ela mesma sempre tenha entoado versos grosseiros e que glorificam um comportamento degradante...

Gold Trans Am: Get inside my fucking gold trans am / Pull over sucker, now spread ‘em / Lemme see what you’re packin’ inside that denim / Pedal to the medal, looking straight amazing / I can’t help all the hell that I’m raising / Stopping traffic like an ambulance / Tryna get my hands in your worn down pants - Entre na p**ra do meu carro dourado / Encosta otário, agora se espalhe / Deixe-me ver o que você está guardando dentro desse jeans / Do pedal para a medalha, parecendo totalmente incrível / Eu não posso evitar todo o inferno que eu estou criando / Parando o tráfego como uma ambulância / Estou tentando pôr as mãos em suas calças arriadas


Lady Gaga
A polêmica Lady Gaga, que já compareceu a uma premiação vestida de carne declarou na última sexta que as palavras de Trump deixaram “em pânico mulheres que já foram abusadas”. O que dizer das letras de algumas músicas de Gaga e do quanto ela própria incentiva um comportamento “objetificante”?

Government Hooker: As long as I'm your hooker / Hooker (Government Hooker) / Put your hands on me John F. Kennedy / I'll make you squeal baby / As long as you pay me (oh!) / I want to fuck the Government Hooker / Stop fucking me Government Hooker - Desde que eu seja a sua p**a / P**a (p**a do governo) / Coloque suas mãos em mim John F. Kennedy / Farei você gritar agudo, baby /  Desde que você me pague / Eu quero f**er a p**a do governo / Pare de me f**er p**a do governo

Do What You Want: I could be the drink in your cup / I could be the green in your blunt / Your pusha man, yeah I got what you want / You want to escape all of the crazy shit / You're Marilyn, I'm the president / I love to hear you sing, girl / […]If you break my heart / So just take my body / And don't stop the party – Eu poderia ser a bebida de seu copo / Eu poderia ser a verdinha do seu baseado / Sim, eu tenho o que você quer / Você quer fugir de toda essa louca m**da / Você é Marilyn, eu sou o president / Adoro t ever cantar, garota / Se você partir meu coração / Então tome o meu corpo / E não interrompa a festa.


Miley Cyrus
Uma das crianças da Disney, Miley impulsionou seus comportamentos chocantes a partir de 2013, quando assumiu um comportamento bizarre e, inegavelmente degradante, o que inclui bodys com estampa de folhas de maconha, apologia às drogas em suas músicas, campanha para que mulheres possam andar com os seios desnudos e performances em que permite que seu público toque suas nádegas e, até mesmo, sua vagina (embora sobre a “roupa”). Para ela, contudo, é a conversa de boteco de Trump que é um horror e o escândalo do ano... O que dizer então de seu vídeo para a música "We Can’t Stop", de seu álbum "Bangerz" (2013).