22/07/2016 às 16:30 - Atualizado em 22/07/2016 às 20:36

Sororidade para quem?

Dilma Rousseff ainda exercia a presidência da República quando uma de minhas melhores amigas referiu-se à senhora como um certo mamífero quadrúpede da ordem dos artyodactilos, família bovidae, gênero bos, espécie bos taurus cuja onomatopéia é mu. Isso aconteceu no Twitter e não demorou até que "amigas dela" a apontassem como misógina, desqualificada, intolerante e ainda pintassem o post dela e compartilhassem em páginas feministas no Facebook. As mesmas que acusaram minha amiga de "trair" o sexo feminino por se referir à presidente afastada de maneira pouco elogiosa, puseram-se a difamar alguém a quem até então consideravam como amiga. Não bastasse isso, execraram-na publicamente por ela não se declarar feminista.

Esse comportamento é padrão das esquerdas, sobretudo dos movimentos que apregoam ser os salvadores de "minorias". Os guerreiros da justiça social de plantão consideram uma ousadia inaceitável, uma heresia, que mulheres, negros, homossexuais e afins discordem da cantilena vitimista sobre todos os homens, brancos, heterossexuais (ou tudo isso ao mesmo tempo) serem malvados que vivem para oprimir, criticar, contestar e insultar os grupos tidos como minoritários. E, ao mesmo tempo em que se dizem os defensores máximos de todos esses grupos e únicos a se preocuparem com o bem-estar desses, promovem o assassinato da reputação dos indivíduos discordantes de suas ideias. Perseguem, difamam, vociferam adjetivos pejorativos, empenham-se em silenciar. Os guerreiros da justiça social fazem exatamente como sempre acusam liberais e conservadores de fazer.

E é por conta de recentes (e veementes) episódios em que ficou bastante evidente a seletividade com a qual esquerda trata mulheres, negros e gays que, neste meu primeiro post no blog, inicio a série "Sororidade para quem?". E escolhi o termo "sororidade" por ser uma palavra sempre utilizada pelos guerreiros da justiça social quando se referem a coletivos e a forma como pretendem impor a indivíduos que pensem de determinada maneira apenas por terem certas características. Nessa série, trarei situações em que esquerdistas empenharam-se na baixaria para denegrir pessoas que deles discordam embora possam ser caracterizadas como pertencentes aos grupos que as esquerdas garantem defender com mais propriedade que ninguém. O fato é que a sororidade não se fez presente para nenhum desses indivíduos que se posicionaram em divergência ao senso comum esquerdista.

Milo Yiannopoulos 

Auto-intitulado "The Dangerous Faggot" (A Bicha Perigosa, em tradução livre), Milo é um dos editores do portal Breitbart e é abertamente gay, conservador e apoiador de Donald Trump. Sem medo de polêmicas, Milo desafia o senso comum disseminado pela esquerda, confrontando guerreiros da justiça social dentro de universidades e nas redes sociais. Na última terça-feira, o jornalista recebeu uma notificação de que havia sido banido permanente do Twitter após discutir com a atriz Leslie Jones sobre o péssimo remake feminista do filme Caça-Fantasmas. Alegando estar recebendo mensagens racistas dos seguidores de Milo que teriam sido estimulados a isso por ele após ele publicar uma mordaz crítica ao filme que ela estrelou, a atriz anunciou que se retiraria da rede social por conta do "discurso de ódio" propagado "impunemente" nesta. Não demorou até que um dos diretores do Twitter pedisse que ela o adicionasse para que pudessem conversar privadamente e, poucas horas depois, Milo fosse banido permanentemente do Twitter. Isso não chega a surpreender, visto que as redes sociais estão se empenhando fortemente em impedir a disseminação de ideias não-esquerdistas, conforme mostrei em meu artigo Mordaça nas Redes. É interessante ainda pontuar que Leslie Jones é famosa por  usar seu perfil ódio para atacar brancos e incentivar seus seguidores a perseguí-los, porém ela jamais foi punida por isso, assim como também não o foram os perfis de terroristas e simpatizantes de terroristas.  A hashtags #FreeMilo ficou nas primeiras posições dos trending topics dos EUA e do mundo. Recomendo o vídeo do Paul Joseph Watson para quem quiser saber mais sobre o caso.

Melania Trump

Um dos destaques do primeiro dia da convenção nacional do Partido Republicano, a esposa de Donald Trump foi execrada por ter plagiado trechos do discurso feito por Michelle Obama na convenção democrata de 2008. Mais do que a condenação pelo plágio (posteriormente admitido pela redatora do discurso da sra. Trump), Melania teve uma horda de minions esquerdistas a caracterizarem-na como "vagabunda", "vadia", "prostituta" e palavrões de igual significado, mas, nesse caso, ninguém classificou como misoginia, como fizeram com minha amiga. Mais curioso ainda:  as mesmas pessoas que apontam Donald Trump como xenófobo por seu duro posicionamento contra a imigração ilegal, atribuíram a Melania predicativos como "imigrante maldita" e "burra", devido a seu sotaque bastante forte e dificuldades com o inglês. Não me parece que a esquerda tem muita moral para acusar Trump de qualquer espécie de radicalismo depois disso. Seguem alguns exemplos de mensagens que colhi:

Melania Trump just gave America a preview of what kinda First Lady she'd be. I'm scared and annoyed that this dumb bitch was up there.

— Jelly Santos (@MrsJellySantos) July 19, 2016

"Melania Trump acabou de dar uma prévia do tipo de Primeira Dama que ela seria. Estou assustada e irritada por essa vadia estúpida ter estado lá". 

trump has some nerve to talk all this trash about immigrants when this bitch melania can't even fucking speak english.

— maria (@maria_mussa) July 19, 2016

 "Trump tem coragem de dizer todo esse lixo sobre imigrantes quando a vadia da Melania não consegue nem falar Inglês".

Maybe they thought with Melania Trumps accent we wouldn't have noticed? Guess we not that dumb. Sorry. 

— Carsonia Whitmore (@wc1954) July 19, 2016

 "Talvez eles pensassem que com sotaque de Melania Trump não teríamos notado? Acho que não somos idiotas. Desculpa"

Smh my mom speaks better English than Melania Trump and DEPORT THAT BITCH FIRST@realDonaldTrump

— Yarali ? (@YarasGarden) July 19, 2016

"Minha mão fala inglês melhor que Melania Trump e DEPORTE ESSA VADIA PRIMEIRO"

Patricia Smith 

Mãe de um dos soldados americanos mortos no atentado em Benghazi, o qual ocorreu em 2013 por inação de Hillary Clinton, então Secretária de Relações Exteriores do governo Obama e atual candidata presumida à presidência pelo Partido Democrata, Patricia Smith foi veemente ao demonstrar o quão ensanguentadas estão as mãos de Hillary a respeito do episódio. E com isso, obviamente, atraiu para si a ojeriza da mídia esquerdista. Um jornalista da GQ, Bethelhem Shoals, declarou no Twitter coisas como "Eu não ligo para quantos filhos Pat Smith perdeu. Eu gostaria de espancá-la até a morte"; "Desculpem-me se isso foi de mau gosto, mas o discurso de Pat Smith fez meu sangue ferver e foi francamente uma exploração de tragédia" e "Essas pessoas monstruosas estão me transformando em um monstro, motivo pelo qual eu provavelmente deveria ter seguido meu próprio conselho e não ter tweetado essa coisa".

 

Primeiro tweet de Bethelhem Shoals sobre Pat Smith

Guys I'm sorry if that was in poor taste of me but that Pat Smith speech made my blood boil and was frankly exploitative of tragedy.

— Bethlehem Shoals (@freedarko) July 19, 2016

These monster people are making a monster of me which is why I probably should've followed my own advice and not tweeted this thing.

— Bethlehem Shoals (@freedarko) July 19, 2016


Vejam a hipocrisia do sujeito: para ele, os monstros são os outros, não ele, que disse que gostaria de espancá-la. Em virtude da enxurrada de críticas, Shoals publicou uma mea culpa em sua página no medium e bloqueou seu perfil no Twitter, de modo que apenas quem ele aceita como seguidor poderá ler seus comentários monstruosos. Diferentemente do que aconteceu com Yiannopoulos, Shoals não teve sua conta cancelada, embora efetivamente tenha apregoado a morte de alguém. Para quem entende inglês, recomendo fortemente assistir o excelente e emocionado discurso de Pat Smith no primeiro dia Convenção Nacional Republicana de 2016. Infelizmente, o vídeo não está disponível com legendas em Português: