RODRIGO NUNES
Rodrigo de Bem Nunes – O nome é inspirado na obra de Erico Verissimo e o sobrenome deixa evidente; trata-se de um legitimo cidadao de bem. Nasceu e cresceu no glamuroso bairro Canudos, em Novo Hamburgo-RS e hoje vive com a esposa na cidade de Houston, Texas, lugar que considera “uma Bagé com grife”.

13/04/2016 às 15:45 - Atualizado em 01/05/2016 às 12:25

History on the making

"History on the making”, é o que dizem os Americanos quando testemunham acontecimentos grandiosos. A expressão seria equivalente a dizer “a história se fazendo ao vivo” ou “a história sendo construída”. E são raros os momentos em que temos a exata dimensão de um acontecimento histórico em sua construção, pois o presente é sempre vulgar em suas miudezas cotidianas. Já o passado é menos nebuloso, temos claro os desdobramentos que determinado fato tenha gerado e o verniz da saudade faz tudo ficar mais épico, mais bonito.  O presente tem também a desvantagem da imprevisibilidade já que o momento catarse costuma não avisar que vai chegar. Ninguém sabia com uma semana de antecedência que o 11 de Setembro ficaria guardado em nossas memórias para sempre.  

Já no próximo domingo, a história será bondosa e nos dará a oportunidade de vê-la “se fazendo ao vivo”, com hora marcada e tudo. O processo do impeachment de Dilma Vana será votado. Guarde este momento. Seus netos lhe perguntarão sobre isso um dia e você poderá reclinar a poltrona, se acomodar e contar, como um bom avô ou avó que sabe das coisas, o que aconteceu naquele 17 de Abril de 2016 tão distante. Quem puder ir a Brasília, vá... será como ver a queda do muro de Berlim ao vivo e, ironicamente, Brasília terá também um muro para dividir o público e que, assim como na cidade alemã, servirá apenas como monumento à vergonha.

A rampa do palácio do planalto, por onde o jogador Vampeta, bêbado, desceu fazendo cambalhotas em 2002 na comemoração do Penta campeonato, poderá ser palco de outra descida muito menos honrosa: A de um governo que teve de ser impedido, democraticamente. Tudo ao vivo e a cores. “On the making”.

27/03/2016 às 13:59 - Atualizado em 01/05/2016 às 12:27

A Ressurreição de Cristo

Durante a quaresma, é comum que algumas casas da vizinhança onde moro coloquem cruzes brancas em seus pátios e jardins com a inscrição "He is Risen", ou "Ele se levantou", numa tradução livre. É um bonito gesto que nos lembra da ressurreição de Cristo, a maior história de todos os tempos. Não raro, muitos descrentes, ateus ou ateus medrosos (também chamados de agnósticos) costumam referir-se a passagem de Cristo na Terra, mais especificamente à Sua ressurreição, como uma espécie de lenda. Infelizmente, temos de admitir que essa percepção é as vezes tida até entre os próprios Cristãos.

Mas, e se eu disesse que existem elementos históricos que conseguem demonstrar que Jesus de fato ressucitou? E se a crença na maior história de todos os tempos não dependesse apenas de Fé, mas tivesse a lógica dos fatos como uma aliada?

A própria forma em que se baseiam os relatos da Ressurreição quebram absolutamente todos os requisitos necessários para uma boa "propaganda". E a primeira testemunha da Ressureição, Maria Madalena, é a prova disso. Há 2 mil anos atrás, o testemunho de mulheres não era válido. Se os autores dos relatos Bíblicos estivessem mais preocupados em convencer alguém, do que contar a verdade, teriam colocado um homem como a primeira pessoa que se deu conta da ausência de Cristo em sua tumba.  

O fato de Jesus ter sido morto numa Sexta-Feira e ressucitado no Domingo, e não antes, também é algo a ser considerado. Segundo a tradição da época, para os judeus, após o óbito havia um certo tempo de espera de 1 ou 2 dias a ser realizado, como uma espécie de garantia de que a suposta morte não se tratava de um coma ou de narcolepsia. E como o “Credo Apostólico” já ensina, Ele ressucitou no terceiro dia.

Uma das maneiras de se comprovar um fato ou personagem histórico, é analisar a sua descrição a partir de documentos feitos por autores que viveram em tempos e locais diferentes. Pois o historiador Flávio Josefo, do primeiro século, escreveu: “Houve um homem, chamado Jesus, que foi crucificado, morto por Pôncio Pilatos e, segundo seus discípulos, ressucitou no terceiro dia e apareceu a muitos”. Importante salientar que Flávio Josefo nunca se converteu ao Cristianismo, sendo um historiador judeu que jamais teve contato com o Novo Testamento, até porque em sua época nem sequer havia Novo Testamento. Esse texto é tão importante que muitos historiadores desconfiaram que teria sido um copista cristão a ter feito tal anotação. Mas todas as traduções da obra original de Flávio Josefo, inclusive uma versão árabe feita por e para muçulmanos, possuem este trecho. Do ponto de vista da crítica textual, há poucas dúvidas de que se trate efetivamente de uma passagem feita pelo autor original.

E se você quer um outro livro que mencione Cristo, além da Bíblia, podemos citar o próprio Corão, escrito 600 anos DC, pelo próprio Maomé. Jesus é um personagem importantíssimo do Livro sagrado dos muçulmanos.  

Mas o argumento mais contundente talvez esteja guardado com os primeiros seguidores de Cristo. A ressurreição era a única doutrina do Cristianismo que ninguém aceitava e os discípulos que divulgavam a "boa-nova" foram extremamente perseguidos por isso. Em Atos 12:1,2 podemos ver que Tiago foi morto por Herodes, sendo o primeiro dos apóstolos a morrer pela sua crença. Pedro, segundo a tradição, foi crucificado de cabeça para baixo em Roma. Bartolomeu, foi posto vivo num saco e lançado no mar. Foram martirizados também Tomé e Simão. João Batista e Paulo, ainda que não fossem apóstolos, foram perseguidos e mortos por decapitação. Um testemunho falso, geralmente, tem como objetivo uma recompensa ou a fuga de uma sentença. Qual seria a lógica de dizer uma mentira para obter justamente o contrário, tendo como resultado a perseguição e a morte? Que espécie de “lenda” faria tantos homens preferirem morrer de forma cruel, a negá-la para serem poupados? A resposta é simples. Era verdade.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” João 8:32

23/03/2016 às 17:09 - Atualizado em 23/03/2016 às 21:46

Nós nunca nos renderemos!

A segunda Guerra não foi uma luta entre países, mas um embate entre civilizações. De um lado, a luz da democracia e da liberdade. Do outro, a escuridão de um regime igualitário e autorirário. Entre os nomes vitoriosos, há um em especial que tenho como exemplo de liderança em quem procuro sempre me espelhar, o primeiro ministro inglês, Sir Winston Churchill.

Em 1940 a Alemanha parecia invencível. Praticamente toda Europa se dobrava ante Hitler. Apenas a Inglaterra resistia, mesmo abaixo de bombardeios incendiários por parte da artilharia aérea alemã. Quando líderes europeus já defendiam um acordo que evitaria o conflito, mas faria do nazismo a grande força mundial, Churchill fez um discurso forte, que inpirou uma nação e entrou para a história:

Continuaremos até o fim. Lutaremos nos mares e oceanos, defenderemos nossa ilha a qualquer custo. Lutaremos nos campos e nas ruas, nunca nos renderemos e mesmo que esta ilha ou grande parte dela estivesse subjugada ou passando fome, então  continuaria a luta, até que, quando Deus assim quiser, o novo mundo, com todo o seu poder e pujança, se disponha a acorrer para a salvação. Nós nunca nos renderemos!” “We shall never surrender!

Churchill sabia que, ao prosseguir com a Guerra, haveria dor e sofrimento, mas a liberdade tinha de ser defendida. A força de sua convicção fez a Inglaterra enfrentar cinco anos de luta contra a barbárie e o país mantêve-se firme na defesa de seus princípios, nunca se rendendo.

E a história, as vezes, se repete. Assim como ocorreu na Alemanha, hoje questionam os honestos ao invés de condenarem os criminosos. Assim como na infame II Guerra, o governo acolhe mentirosos em conchavos feitos ao telefone. Assim como nos tempos de Churchill, há quem substitua as cores nacionais por bandeiras vermelhas na defesa de bandidos. Nos momentos desafiadores da vida, muitos lhe pedirão para fazer acordos, muitos lhe pedirão que se isente, como pediram ao velho leão inglês. Pois resista. Não desanime, não se isente. O mal não triunfará pois nós nunca nos renderemos!

21/03/2016 às 00:35 - Atualizado em 21/03/2016 às 11:52

Reportagem Especial: Cuba e os EUA

“Fuzilamentos? Sim, temos fuzilado. Fuzilamos e seguiremos fazendo isso enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta à morte” – Che Guevara, na Conferência das Nações Unidas em Nova York de 1964

 

UMA ILHA A FRENTE DE SEU TEMPO

Se hoje os cubanos fogem de seu país a nado ou em botes improvisados, na década de 1950 acontecia o contrário: estrangeiros mudavam-se para Cuba. Entre 1933 e 1953, mais 74 mil espanhóis, 7.500 alemães e inúmeros americanos saíram para lá viver. Simpatizantes do regime castrista descrevem a ilha dos tempos pré-revolucionários dos anos 50 como um playground cheio de prostitutas baratas, mafiosos ricos e cubanos miseráveis, o que, ironicamente, seria bastante alusivo a condição do país nos dias de hoje. Obviamente que antes de Fidel existiam problemas, bem como existem problemas em qualquer lugar do mundo, mas o fato é que Cuba ostentava antes da revoluçao números sócio-econômicos bem melhores que a média latino-americana da época , fato este até mesmo admitido pelo próprio Che Guevara, como mostra o livro Havana before Castro de Peter Maruzi.

Em meados dos anos 50, havia mais cubanos em férias nos EUA que americanos em Cuba. A classe média cubana era um grupo consumidor tão importante na América, que lojas de Nova York e da Flórida anunciavam promoções nos jornais de Havana, conforme descreve o historiador Louis A. Pérez Jr. no livro Cuba and the United States: Ties of Singular Intimacy. Pela proximidade com os EUA, não apenas o intercâmbio econômico era grande, mas o intercâmbio cultural também. Carmen Miranda, Frank Sinatra, Nat King Cole entre outros se apresentavam nos teatros da ilha caribenha mais badalada de todo Atlântico. “Éramos Las Vegas e a Broadway misturadas, e o mundo todo ia a Havana para nos assistir – contava a cantora Olga Guillot, a “Rainha do Bolero”. E se o assunto é educação, pode-se dizer que os cubanos eram tão ou melhores escolarizados que hoje. A Universidade de Havana, com suas aulas de medicina, farmácia, biologia e direito (onde Fidel Castro estudou) obtia até certo reconhecimento internacional por suas pesquisas na época e, não raro, recebia alunos do mundo todo. Em toda a ilha, havia 1.700 escolas privadas e 22 mil públicas. O país dedicava 23% de seu orçamento à educação – quantia de dar inveja à Pátria Educadora de Dilma Vana.

 

A MUDANÇA DE POSTURA

O ranço com os americanos começa quando Che e Fidel, ao invés de fazerem um textão ou vestirem-se de preto, decidem em 1959 juntar um grupo de revolucionários para tomar o poder de um outro ditador, Fulgêncio Batista, e instaurar um regime que prometia trazer mais igualdade ao povo cubano. (Soa familiar este tipo de promessa?) Pois bem, Fidel e seus revolucionários expropiaram e estatizam todas as empresas da ilha. Investidores americanos e de outros países, ou seja, pessoas que trabalharam e arriscaram seu dinheiro em novos negócios, perderam tudo do dia para noite. Houve prisões arbitrárias de opositores e fuzilamento de inimigos políticos. Além disso, a proximidade ideológica entre Rússia e Cuba incomodava os Estados Unidos, culminando na crise dos mísseis de 1962, o momento em que o mundo tenha mais estado perto de uma terceira guerra mundial. Cuba esteve muito próxima de lançar ogivas nucleares aos EUA, o que também acabou dando início à infame piadinha “Cuba lançando”, algo terrível. Todos estes fatos fizeram com que os EUA iniciassem um regime de sanções econômicas que perdura até hoje.  Quem reclama da dependência latino-americana por parte do império "estadunidense" é o mesma pessoa que diz que Cuba enfrenta dificuldades econômicas por causa do isolamento comercial dos EUA. Coloque essa contradição para aquele seu amigo de esquerda, prepare a pipoca e observe a gagueira começar.

 

A VISITA AMERICANA

Após mais de meio século de antagonismo, Obama redefiniu as relações com Cuba nos últimos meses, e a ilha caribenha está mudando pouco a pouco. Não são alterações profundas, mas suficientes para aumentar o fluxo de turistas americanos em 77% apenas neste ano, enchendo hotéis e restaurantes e movimentando a economia. Esta será a primeira visita de um presidente Americano à Cuba em 88 anos. O assunto é controverso, tendo em vista que o regime cubano, mesmo que economicamente mais aberto, permanece praticamente o mesmo em termos políticos. Não há democracia, não há instituições confiáveis, não há liberdade com mais ou menos dinheiro. Ao abrir o mercado para Cuba e aliviar sanções econômicas, os EUA estariam na verdade fortalecendo a ditadura, ao invés de enfraquecê-la. Já os defensores da visita de Obama dizem que se o critério é democracia, os EUA teriam de se retirar imediatamente da China, da Venezuela, da Rússia, do Iraque e de outros países que vivem regimes de exceção ou de quase exceção.

O fato é que no domingo, dia 20, com a chegada de Obama, algumas das “Damas de Blanco” (senhoras que vão à missa vestidas de branco aos domingos em protesto silencioso contra Fidel) aproveitaram a visibilidade da visita para se manifestarem de maneira mais clara.  Foram presas. Seu crime: ter opinião diferente. Estaria o presidente americano realmente disposto a ajudar a mudar essa realidade? Ou estaria apenas fazendo um jogo de imagem, no encerramento de seu mandato? Os dias que se seguem apresentarão a resposta. 

08/03/2016 às 14:25 - Atualizado em 03/05/2016 às 22:55

Série Ms. President: O perfil de Hilary Clinton

Após oito anos como primeira-dama (1993 a 2001), Hillary pode voltar à Casa Branca como primeira mulher presidente dos EUA. A ex-senadora por Nova York e atual secretária de Estado do governo Obama está bem cotada para ganhar a nomeação democrata, embora seu concorrente nas primárias, Bernie Sanders, tenha a incomodado em alguns momentos da campanha.

Advogada formada em Yale, Hilary tem 68 anos e é casada com o ex-presidente Bill Clinton desde 1975. Seu marido, aliás, foi responsável por um dos momentos mais duros de sua vida através do caso Monica Lewinsky. Lidar publicamente com a infidelidade de Bill nunca foi fácil. Mas a então primeira-dama se portou como uma verdadeira “lady” e saiu fortalecida da situação. Pode-se dizer, inclusive, que tudo o que desejaria fosse ter apenas os antigos galanteios do marido entre seus problemas. Hillary está enrolada até o pescoço em dois escândalos que, na pior das hipóteses, pode acabar em prisão. Enquanto secretaria de Estado, utilizou sua conta pessoal de e-mails no envio e recebimento de mensagens ultra-secretas, ao invés de usar o servidor do governo. Alegou “engano com a tecnologia”, mas o suposto erro pode configurar crime por colocar em risco a segurança do país e o caso ainda está sob investigação do FBI.

O outro problema, mais antigo, também arranhou seriamente sua imagem. Em 2012 um ataque à embaixada americana em Benghazi, na Líbia, resultou na morte do embaixador e de outros três oficiais americanos. Mesmo após insistentes pedidos, o apoio militar não foi prontamente autorizado pelas autoridades, deixando um pequeno grupo remanescente de soldados a própria sorte. Para completar, o caso foi inicialmente divulgado pelo governo como consequência de um simples protesto, quando na verdade tratava-se de ataque terrorista. Hilary, como secretária de Estado e responsável pela resposta Americana ao ocorrido, nunca convenceu em suas explicações.

A fama de arrogante e antipática da candidata vem sendo trabalhada com sucesso. Pesquisas a indicam como favorita à Casa Branca e seu discurso em defesa das mulheres, embora não refletido em muitos atos enquanto senadora, acaba atraindo votos. Hilary tem o apoio de grandes investidores, dos artistas de Holywood e de dois presidenciáveis; Obama - ainda que não abertamente - e de seu marido, que embora não esteja no poder, já ocupou a cadeira que ela tanto deseja. Mas nada disso vale se o povo não a apoiar. O voto de um ator de cinema vale o mesmo que o voto de um vendedor de cachorro-quente, e Hilary terá de lutar muito apra cair nas graças deste segundo.