RODRIGO NUNES
Rodrigo de Bem Nunes – O nome é inspirado na obra de Erico Verissimo e o sobrenome deixa evidente; trata-se de um legitimo cidadao de bem. Nasceu e cresceu no glamuroso bairro Canudos, em Novo Hamburgo-RS e hoje vive com a esposa na cidade de Houston, Texas, lugar que considera “uma Bagé com grife”.

14/06/2016 às 12:15 - Atualizado em 18/06/2016 às 20:06

O feminismo e as 19 garotas queimadas

Peço para que você faça um exercício de imaginação

Imagine-se como uma garota adolescente quase miserável. Sua cidade é invadida e seu pai, ao tentar defender a família, é morto por um grupo de homens. Acabam matando sua mãe também, não sem antes violentá-la. Você é sequestrada para um lugar estranho e sujo e transforma-se em prisioneira junto a outras meninas, algumas ainda crianças, outras já maiores. Os estupros são quase diários, a dor e a humilhação são degradantes, mas a sede e a fome são piores e os abusos em troca de comida continuam. Até que um dia você não aguenta mais e diz “não”. Sua decisão contagia outras garotas prisioneiras e logo todas negam-se a serem molestadas. A desobediência impacienta aquele grupo de homens e eles decidem que, como punição, você e suas companheiras de cativeiro serão queimadas vivas em uma jaula, na praça da cidade. E assim é feito. Enquanto o fogo sobe e os gritos de desespero aumentam, você observa que o que mais dói talvez não seja o calor corroendo-lhe a pele, mas a sensação de abandono.

O fato descrito ocorreu há poucos dias na cidade de Mosul, no Iraque, com 19 garotas pertencentes a minoria “Yazidi”, um dos grupos religiosos perseguidos pelo Estado Islâmico (EI). O link da notícia está aqui: http://oglobo.globo.com/mundo/estado-islamico-queima-19-meninas-yazidi-ate-morte-em-praca-publica-19449783

Ao ler sobre o fato, não pude deixar de me perguntar: existiria pauta feminista mais importante que defender mulheres que precisam optar entre serem escravas sexuais ou queimadas vivas em pleno 2016? Confesso minha dificuldade de entender o silêncio daquelas que se dizem tão preocupadas com os direitos femininos em seu frenético ativismo de internet.

Alguns podem argumentar que fatores religiosos e culturais impediriam ações mais efetivas. Mas o fato de crianças, jovens e idosas estarem inseridas numa cultura que sequer lhes dá a liberdade de reclamar, não aumentaria justamente a urgência e a necessidade de dar voz a sua defesa? Em fevereiro deste ano, Bill Maher, apresentador progressista da HBO, perguntou exatamente isso para a jornalista Gloria Steinem. Recebeu como resposta que “todo monoteísmo é um problema”. De maneira cínica, a jornalista colocou na mesma sacola a crença que permite às mulheres serem o que quiserem junto da crença que sequer permite a elas vestirem-se como desejam. (Se você duvida disso, experimente andar sem véu no Irã ou usar calças numa rua saudita).

Este é outro ponto sintomático. As feministas recorrem a estereótipos tais como evangélicos machistas ou católicos falso-moralistas para criticar a Fé Cristã e seu suposto atraso. Entretanto, calam-se sobre o tratamento ATUAL do Islamismo dispensado às mulheres e, não raro, fazem contorcionismos intelectuais para explicar que o pai que veste sua filha de rosa, e não azul, e lhe dá uma boneca para brincar, e não lego, é tão machista quanto o muçulmano que é conivente com o apedrejamento de mulheres acusadas de adultério.

O feminismo, que poderia dar voz a quem foi emudecida pela violência, deixa instrumentalizar-se por partidos políticos e ideologias fracassadas. O movimento vira um parque de diversões de adultos numa sociedade de aparências, onde frustações pessoais se convertem em massagens no ego para quem não quer fazer algo, mas parecer que faz. Temos muito senso crítico para pouca auto-crítica. Infelizmente, ao contrário do gorila americano morto em um zoológico, as 19 garotas Yazidis não valem sequer um post de Facebook e as próximas escravas sexuais provenientes de grupos minoritários terão de esperar: a legalização do aborto e o fim do cavalheirismo são pautas mais urgentes.

 

05/06/2016 às 17:52 - Atualizado em 14/06/2016 às 12:16

A covardia intelectual do grupo Porta dos Fundos

Ao mudar de escola para ingressar no antigo “2º grau”, tive um pequeno choque. Em um trabalho em grupo dois colegas comentavam com muita naturalidade que não acreditavam em Deus e sentiam grande indiferença por Cristo e por suas respectivas igrejas. Eu, recém egresso do Colégio Adventista de Canudos, tive vontade de gritar “Incrédulos pecadores” com a indignação de um Moisés ao deparar-se com o bezerro de ouro. Mas ao invés das tábuas dos 10 mandamentos, tinha comigo um lápis com a ponta roída. Preferi então manter-me em silêncio e recolher-me na insignificância de minhas espinhas adolescentes.

Um resquício do sentimento de indignação vivido naquele dia vem a tona a cada vez que vejo as sátiras religiosas do grupo Porta dos Fundos, que tem no Cristianismo um de seus sacos de pancada favoritos. Evangélicos são geralmente retratados como ignorantes, tendo seus Pastores expostos como homofóbicos ou aproveitadores. Já Padres e Bispos são usualmente satirizados como homossexuais enrustidos ou pedófilos escancarados. E são inúmeros os vídeos em que os elementos mais sagrados do Cristianismo são motivos de piada. Num dos especiais de Natal lançados pelo grupo, a concepção de Jesus é vista como fruto de uma traição da Virgem Maria a José, em que o amante seria ninguém menos que...Deus! O próprio Cristo é seguidamente interpretado como um abobado medroso, que hesita em sua Crucificação tal qual uma criança o faz antes de levar uma injeção.

Há poucos dias o grupo lançou mais um vídeo, desta vez debochando diretamente da Igreja Católica (Link: https://www.youtube.com/watch?v=djjhdanPl5g).  Na esquete, dois cardeais demitem o Papa Francisco de suas funções por ser “moderninho” demais. No diálogo, fazem ainda piada com a saúde de João Paulo II nos anos finais de seu papado e elogiam o Papa emérito Bento XVI (Ratzinger) que, entre outras razões, teria mantido um bom diálogo com grupos neo-nazistas. Mesmo não sendo Católico, em que pese meu profundo respeito e admiração pela Igreja do Bispo de Roma, fiquei consternado pelo vídeo. É de um mau gosto incrível. Mas confessso que a indignação que sentia não era tanto pela sátira religiosa, mas sim pela covardia intelectual do Porta dos Fundos. Explico:

Há 3 ou 4 anos, numa entrevista dada a Marília Gabriela, dois dos fundadores do grupo, Antônio Tabet e João Vicente de Castro debatem sobre a velha questão dos limites do humor. Comentam que a religião Islâmica era o único tema no qual eles preferiam não fazer piadas, pois tinham receio de eventuais consequências (Link -  aos 25 minutos: https://www.youtube.com/watch?v=U6GjLlquPl0). De fato, não há um só vídeo em que o profeta Maomé, algum Aiatolá ou algum Imame (líder religioso muçulmano) seja satirizado. Alguns podem apontar três ou quatro esquetes de terroristas árabes ou mulheres de Burka, mas isso não tem absolutamente nada a ver com elementos sagrados da fé islâmica.

Obviamente, Católicos ou Evangélicos, radicais ou não, jamais invadiriam a sede do Porta dos Fundos com metralhadoras em punho para lavar sua honra religiosa com sangue. Já alguns radicais muçulmanos podem fazer isso; os cartunistas mortos da revista francesa “Charlie Hedbo” que o digam. Por isso a covardia do Porta dos Fundos; eles se dobram por medo - não por respeito - e se apoiam na ética Cristã da paz para fazer suas piadas e, logicamente, ganhar dinheiro.

Muitos podem querer lutar pela proibição das sátiras religiosas do Porta dos Fundos ou processá-los por atacar questões sagradas. Inútil. Responder com violência? Jamais. Isso apenas reforçaria o preconceito do grupo aos cristãos e os estereótipos por eles construídos. A Igreja Católica e todas as outras denominações Cristãs das quais eles caçoam tão seguidamente são grandes pilares da civilização ocidental, que por sua vez dá total liberdade para qualquer pessoa ser e falar o que quiser sem medo de ataques terroristas, enforcamentos em guindastes ou apedrejamentos em praça pública. A melhor resposta a estas ofensas é a compaixão, a calma e a reflexão. O Porta dos Fundos nada mais é que submisso e o limite do humor, para eles, é o medo. De covardes não devemos sentir raiva, quando muito, devemos sentir pena. O leão, por mais forte que seja, não ataca a mosca.

31/05/2016 às 21:42 - Atualizado em 05/06/2016 às 18:21

As 5 perguntas sobre Harambe, o Gorila morto

No último sábado, um gorila do zoológico de Cincinnati, EUA, chamado Harambe teve de ser morto por tratadores após ter agarrado um menino de 4 anos que caiu em seu cercado. A morte do animal está sucitando uma grande polêmica. Muitos dizem que Harambe estava tentando proteger a criança e que os pais do menino é que deveriam ser presos e responsabilizados pelo ocorrido ao gorila.

Deste modo, para aqueles que criticam o uso de força letal ao gorila ou tem “dúvidas” sobre a necessidade da ação, eu elaborei as 5 perguntas abaixo. Deixe sua consciência responder.

  • Você seria contra a morte do gorila caso dentro daquela jaula não fosse a criança de “alguém”, mas o seu filho, seu neto ou seu sobrinho? É importante lembrar que o gorila não morreu numa caçada ou numa brincadeira de tiro-ao-alvo. A ação se fez necessária para salvar a vida de um menino que tem pais, avós, primos, enfim, pessoas que amam ele. 

  • Você arriscaria ainda mais a vida da criança para dar tranquilizantes ao Gorila? É interessante que de uma hora para outra, surgem inúmeros especialistas em zootecnia, com mestrado em comportamento de gorilas machos para dizer que “havia outros meios de administrar o ocorrido”. É importante saber que o presidente do Zoológico, Thane Maynard, esclareceu que calmantes não puderam ser utilizados pois o animal poderia ficar mais agitado até que a droga fizesse efeito, colocando em risco ainda maior a vida da criança. Mas agora que tudo está bem, muitos aceitariam tomar o risco.

  • Você acha que a vida de um animal vale o mesmo que a vida de um ser-humano?  Bom, para começo de conversa quem diz isso tem por obrigação moral ser vegetariano ou vegano. Não se pode querer salvar um gorila dos Estados Unidos (em detrimento de uma criança), para depois comer um peito de frango grelhado e no fim de semana fazer um churrasquinho. Acontece que alguns, motivados pela compaixão ao primata, acabam projetando toda maldade das pessoas na criancinha que estava junto do gorila para justificar a equalização da vida animal e humana. Nada mais injusto não só com o inocente, mas com a própria dignidade humana. A espécie que assalta é a mesma que lhe deu um beijo de boa noite antes de dormir quando você tinha a idade do menino que caiu no cativeiro.

  • Você pensa que a mãe da criança deve ser julgada pela morte do gorila e responsabilizada criminalmente pelo que aconteceu a criança?   Ao cuidar de uma criança, você nunca teve aquele momento “Ai meu Deus, onde está ele(a)”?  Seu sobrinho, seu neto, seu filho ou aquele seu priminho nunca lhe deu um pequeno susto por causa de uma brincadeira ou até mesmo num pequeno acidente, como um braço quebrado ou uma unha lascada?  As investigações estão tentando eslcarecer como a criança caiu no espaço de Harambe. De acordo com alguns depoimentos, foi um breve descuido por parte da mãe do garoto que estava cuidando de outras crianças também. Em questão de menos de 1 minuto, ela já não encontrava seu filho e quando foi ver, ele já estava dentro do cativeiro. Imagine como deve ser para essa mãe ter de estar no centro deste furacão, sendo a responsável indireta pela morte do gorila e recebendo julgamentos de todos os lados, como se fosse uma assassina.
  • Você pensa que o Zoológico tem uma segurança falha?   Outro tema em que aparecem especialistas repentinos aos milhares. Pelo que consta das investigações preliminares, o zoologico estava em dia com suas auditorias e os protocolos de segurança do cativeiro dos animais superava os padrões mínimos estabelecidos. O problema é que, por mais cuidado que se tenha, algumas pessoas conseguem passar algumas barreiras, dependendo de seu tamanho, peso, etc... Caso as barreiras sejam de tal forma rígidas, não só a visualização acaba sendo prejudicada como também a vida dos próprios animais, que podem vir a ter seu espaço ainda mais diminuído. Muitos criticam a existência de zoológicos e eu, de certa forma, também critico. Por muito tempo tive o zoológico de Sapucaia do Sul (RS) como base, onde ursos ficam em jaulas do tamanho de um quarto de apartamento. Mas há outros. Recomendo, para quem tiver a oportunidade, ver como são os zoológicos americanos e comparar com as condições no Brasil. De de todas as formas, essa não é a questão.

No final das contas, todos sentimos pela morte de Harambe, o Gorila. Mas o sentimento de lamentação não pode nunca superar a barreira da dúvida pela vida de uma pessoa ou de um animal. Eu sei que pode ser duro ler isso, mas animais não são pessoas.

27/05/2016 às 11:04 - Atualizado em 27/05/2016 às 11:45

Violentada e decadente, prazer: sou a sociedade brasileira

Mãos para o alto novinha 

Porque hoje tu tá presa

E agora eu vou falar dos seus direitos

Tu tem o direito de sentar.

De quicar, de rebolar

Você também tem o direito de ficar caladinha

O que você acabou de ler é a letra de funk entitulado “Prisioneira”, que no dia 14 de Novembro de 2012 foi apresentada no programa de TV Super Pop da Luciana Gimenez, em horário nobre e canal aberto. Enquanto o grupo cantava os versos acima, o auditório e a própria apresentadora dançavam e sorriam para a câmera sem qualquer constrangimento. Três anos depois, gravações telefônicas mostravam o ex-presidente Lula sugerindo de maneira jocosa que uma conhecida sua acharia um "presente de Deus" ter 5 homens estranhos entrando em seu quarto. A então presidente Dilma, do outro lado da linha, gargalhava ao ouvir a piada. E o que o ex-presidente Lula chamou de “sonho” aconteceu hoje no Rio de Janeiro, tendo não cinco, mas trinta homens invadindo a intimidade de uma garota de 16 anos. Enquanto uns a estupravam, outros gargalhavam, tal qual fez Dilma na sua conversa com Lula.

Seguramente, este caso do RJ sucitará muitas polêmicas. Alguns farão teses comportamentais bobocas incentivando garotos a brincarem mais de boneca para serem mais carinhosos. Outros farão as vezes de abutres ideológicos e culparão pelo ocorrido o machismo, o racismo e a sociedade patriarcal capitalista, utilizando a garota carioca estuprada como uma escada para propaganda de suas preferências políticas. O verdadeiro diagnóstico das razões que levaram estes trinta covardes a fazer o que fizeram está em dois fatores bastante óbvios. Trata-se da decadência moral da sociedade, aliada a tradição punitiva frouxa de nosso país.

É necessário cuidado ao falar de decadência moral para não cair na armadilha do moralismo barato. A reflexão aqui recai sobre uma sociedade que assiste um programa de TV em que pessoas dançam ao som de uma “música” que faz alusão a um estupro de uma criança e tempos depois vê a chefe da nação rindo de uma piada que sugere um estupro coletivo. Não reconhecer isso como decadência é apenas cavocar mais fundo neste poço moral.

No caso da frouxidão punitiva brasiileira, menciono um caso ocorrido não no RJ, mas no RS e divulgado há poucos dias; Um homem preso por estupro de três crianças de 8 e 12 anos conseguiu prisão domiciliar após cumprir menos da metade da pena aplicada. Pouco tempo depois da soltura, voltou a agir atacando outras quatro mulheres. O facínora, inclusive, tentou fugir três vezes durante o tempo em que esteve em regime semi-aberto e aberto, chegando a destruir uma tornozelera eletrônica. Mesmo assim conseguiu fazer suas vítimas. É esta a punição que aguarda os jovens estupradores que atacaram a garota carioca entre ontem e hoje.

E sabe qual o seu direito em meio a bandidos soltos e estupradores prontos para atacar nossas crianças? O funk já diz: é ficar caladinho!

Para olhar o vídeo do funk "Prisioneira", acesse o link aqui: https://youtu.be/d1qTVZoS9mo

30/04/2016 às 22:11 - Atualizado em 31/05/2016 às 21:47

Brasil, imagem e semelhança

Muitos contenrrâneos costumam me perguntar sobre o que os americanos acham da situação caótica que se vive atualmente no Brasil. Costumo fazer uma brincadeira, dizendo que respondo apenas depois que meu interlocutor comentar sobre o Marrocos. Sim, porquê a situação do Brasil está para os Estados Unidos como a situação do Marrocos está para o Brasil. Infelizmente, a representatividade brasileira no mundo é muito pequena e a reputação do país não é das melhores, especialmente depois dos últimos anos de aproximação com ditaduras como Venezuela e Irã. Bem como disse Yigal Palmor, porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Israel, num ataque de sinceridade: o Brasil é um “anão diplomático”.

Mas essa imagem enfraquecida é mais restrita aos círculos políticos e econômicos. O estereótipo social do lugar onde tudo é alegria ao ritmo de carnaval ainda é muito forte. Para o americano comum, geralmente, a imagem de nosso país é um lugar dominado pela selva amazônica, com belas praias circundadas por simpáticas favelas, onde as pessoas vivem jogando futebol e festejando o dia todo. Quando você diz que é brasileiro, tanto americanos como latinos abrem um sorriso, ensaiam algumas palavras como “bossa-nova” ou “samba” e logo dizem que gostariam muito de conhecer a capital.... sim, o Rio de Janeiro.

Eu costumava ficar um pouco incomodado com essa suposta “ignorância” dos Norte-Americanos. Foram muitas as vezes em que eu expliquei didaticamente a colegas estrangeiros sobre a cultura gaúcha, sobre a colonização europeia no sul e as diferenças entre as regiões, pensando no quão fechados eles eram para não saber coisas tão notórias. Até que um dia comecei a julgar o meu conhecimento sobre outros países com a mesma medida que julgava o conhecimento dos “gringos”. Saberia eu das particularidades culturais do sul e do norte da Índia? Saberia eu das diferenças entre Nigéria, Camarões e Tanzânia ou teria de admitir que, na minha cabeça, tratavam-se da mesma savana cheia de animais selvagens e vilarejos? Você mesmo, saberia apontar a diferença entre o Kazaquistão e o Paquistão? E o Suriname, que até fronteira com nosso país faz? Ninguém fala do Suriname. O Suriname deve ter um hino, os surinameses devem ter feitos e glórias. Mas o Suriname nem estereótipo tem, pobre Suriname.

Somos uma país gigantesco, com uma sociedade bastante diversificada pertencente a realidades as vezes muito diferentes, mas nos final das contas a palavra “Brasil” ainda remete um lugar com natureza exuberante, cheio de sambistas sorridentes e mulatas que passam os seus dias num eterno desfile de carnaval. Eu não me importo, que continue assim. Espero que os gringos não se dêem conta de que esta simpática nação é o lugar com maior número de homicídios no mundo, onde assaltos ocorrem de maneira corriqueira, onde as pessoas vivem com medo, onde epidemias se disseminam, onde construções recém feitas desabam e matam. Da próxima vez que me perguntarem de meu país, quem sabe, eu até cante um sambinha.