RODRIGO NUNES
Rodrigo de Bem Nunes – O nome é inspirado na obra de Erico Verissimo e o sobrenome deixa evidente; trata-se de um legitimo cidadao de bem. Nasceu e cresceu no glamuroso bairro Canudos, em Novo Hamburgo-RS e hoje vive com a esposa na cidade de Houston, Texas, lugar que considera “uma Bagé com grife”.

05/07/2016 às 14:17 - Atualizado em 05/07/2016 às 14:18

Série Custo Brasil: Parte II

No texto de hoje, seguirei com a parte II da série “Custo Brasil”, onde a alta carga tributária brasileira é evidenciada com menos opinião e com mais etiquetas de preços. O foco da parte II estará num fenômeno interessante: produtos doces que adquirem preços salgados.

Começamos pela Nutela, amada e adorada, salve salve por dez entre dez habitantes da Terra. No Brasil, paga-se R$ 29,50 reais por um pote de 650 gramas. Nos EUA, paga-se U$ 6,42 dolares, o que daria R$ 20,54 pelo câmbio atual. Mas a diferença não para por aí. O pote americano tem 750 gramas. Ou seja, o brasileiro malandro paga R$ 9 reais a mais por 100 gramas de Nutela a menos.

Quem nunca deu um “Ferrero Rocher” de presente para alguém, que atire a primeira pedra. Este chocolate, salvador de tantos aniversários esquecidos, também é encontrado nos Estados Unidos onde uma caixa com 18 unidades custa U$ 7,96 ou R$ 25,47 reais. Já no Brasil, onde o capitalismo nunca é visto com bons olhos, uma caixa de Ferrero Rocher sai por R$ 29,90. Importante salientar que a caixa brasileira vem com apenas 15 unidades. Ou seja, paga-se 41% a mais por cada chocolate comprado no Brasil. Lembre-se disso no seu próximo amigo secreto.

Ao saber disso, você talvez decida comprar algo mais sofisticado para impressionar aquela garota que você tenta conquistar faz tempo. Então você compra um chocolate suiço. Sim senhor, um chocolate suiço impressionaria muito mais que um reles Ferrero Rocher, tão manjado. Você olha uma barra da marca “Lindt” com raspas de laranja, onde se pode inclusive ler a palavra “intense” na embalagem. Sim, raspas de laranja junto da palavra “intense”, ela ficará impressionada, seguramente. Para comprar o chocolate da marca "Lindt", é necessário desembolsar R$ 16,90 para uma barra de 100 gramas. Ao contrário dos outros produtos, a embalagem nos EUA tem o mesmo padrão da que é vendida no Brasil, 100 gramas. Mas na América do Norte, ela se impressionaria menos, pois o chocolate suiço custa U$ 2,68, ou R$ 8,57 reais. Praticamente a metade do custo praticado na terra do samba e futebol. De fato, a carga tributária nacional é “intensa”.

30/06/2016 às 16:00 - Atualizado em 05/07/2016 às 14:17

Bolsonaro, leões e gatinhos

O Conselho de Ética da Câmara instaurou no dia 28 de Junho um processo disciplinar sobre o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por ter feito referências a um personagem controverso da ditadura militar na votação do impeachment, o que seria visto como apologia ao crime de tortura. Com tantos nomes importantes para a história do país, muitos dos quais carentes de homenagens, foi no mínimo um desperdício a menção de Bolsonaro ao Coronel Ustra. A indignação se faz necessária.

Mas gostaria de fazer uma pergunta: onde estava esta mesma indignação no momento em que Dilma discursou em eventos homenageando Lênin, um dos maiores carniceiros da humanidade? Onde estava essa indignação quando Lula, em visita a um ditador africano, disse que gostaria de aprender como ficar 30 anos no poder? Lula, inclusive, chegou a dizer na época que a resposta do governo do Gabão para quem reclamava da repetição de presidentes “era pau”, numa insinuação aos então opositores de sua reeleição. Onde estava a indignação quando movimentos políticos demonstraram total apoio a Chávez e a Maduro, mesmo com todas as evidências de perseguição política e de tortura (sim, tortura!!!) a opositores na Venezuela?

As ditaduras militares finalmente acabaram na América Latina e a esquerda chegou ao poder. Mas o que se viu foi um alinhamento destes governos às práticas de....ditadores! E sobre isso não houve indignação. Quando muito, o que houve foi aplauso. Não entendam que estou fazendo relativismo moral barato sobre as atitudes do “Bolsomito”. O que quero aqui é explicar a origem deste fenômeno, que faz parte de um sistema que vem se retroalimentando há séculos.

Quem era o Bolsonaro nos anos 90? Nem 5% do que é hoje. O governo brasileiro da época, com todos os seus defeitos, não saia fazendo juras de amor a assassinos por conveniência ideológica. Então essa retroalimentação foi estabilizada e até diminuída. Isso ocorreu também em outros lugares como Inglaterra, África do Sul e Leste Europeu nos anos 80 e 90. Infelizmente no Brasil e na América Latina, a esquerda não deu continuidade a este processo ao tomar o poder e, movida pelo sentimento de revanche, se reaproximou daquilo que justamente dizia combater.

Assim, vimos Lula chamar o ditador líbio Muammar Kadafi de “irmão e amigo”, visitar o ditador Fidel Castro, elogiar o Irã, país que enforca homossexuais em guindastes e fazer declarações racistas ao culpar "gente branca de olhos azuis" pela crise de 2008. Tudo isso feito sob aplausos, sem questionamento. Obviamente, se é natural ver pessoas aprovando estas atitudes, porque não seria natural aplaudir as atitudes de Bolsonaro? Alguém me explica?

Passou um tanto despercebido, mas o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) homenageou Marighella em sua votação no impeachment. Marighella pegou em armas para implantar uma ditadura no Brasil, fez ataques terroristas e escreveu um manual de guerrilha com capítulo dedicado a execuções. Pergunte às pessoas que rugem nas críticas a Bolsonaro sobre a menção de Glauber ao terrorista Marighella ou, talvez, sobre a idolatria que seu partido, o PSOL, tem por Che Guevara, que se orgulhava de seus fuzilamentos em conferências da ONU. Muitos leões se tornarão gatinhos em segundos.

Novamente, não estou justificando as atitudes de Bolsonaro, mas cobrando que não haja nenhum alinhamento ou admiração por quem impõem ou impôs restrições à democracia, seja da direita, seja da esquerda. Se Bolsonaro tem de ser punido, Glauber Braga também tem de ser, do contrário é hipocrisia ou medo das eleições de 2018.

25/06/2016 às 13:04 - Atualizado em 01/07/2016 às 18:59

Série Custo Brasil: Parte I

A última fase da operação da Lava Jato, realizada no dia 23 de junho, foi denominada "Custo Brasil". Para sair um pouco da abstração do termo, decidi fazer uma série, mostrando o "Custo Brasil" de maneira um pouco mais prática, em produtos do dia-dia, sendo alguns mais básicos, outros um pouco mais sofisticados.

A parte I da série, começa com a cerveja, item de extrema necessidade. Gosto muito das alemãs, como a Franziskaner e Paulaner. No Brasil costumava pagar R$ 14,98 por uma e R$ 20,90 por outra, como se vê nas fotos. Já nos EUA paga-se U$ 2,39 e U$ 2,69, o que daria R$ 8,00 e R$ 9,00 em reais. Temos então a seguinte perspectiva: Caso cada Paulaner saia da Alemanha por 1 euro, o valor nos EUA seria de U$ 1,11 dólares pela simples diferença cambial. Adicionando taxas, frete e lucro, o valor aumenta 142% e vai a U$ 2,69 dólares. Pois a mesma garrafa que sai por 1 Euro da Alemanha, chegaria ao Brasil por R$ 3,76 reais pela diferença entre moedas. Mas ao adicionar taxas, frete e lucro, o valor salta, não 142% como nos EUA, mas 455% e vai para R$ 20,90. É um 7x1 todo dia.

Saímos dos "bebes" e vamos aos "comes". O salgadinho "Pringles" é um ótimo comparativo. No Brasil, paga-se R$ 13,90 reais por uma latinha de 128 gramas. Já na terra dos yankees, pode-se comprar 2 latas por U$ 3 dólares, o que daria U$ 1,50 por unidade, ou aproximadamente R$ 5 reais. Detalhe importante, as latas americanas não possuem 128, mas 169 gramas. Ou seja, come-se 32% mais salgadinho nos EUA por um preço 64% menor que o praticado no Brasil. Quem é o país rico agora?

Mudando um pouco do segmento alimentício, para o manufaturado. Pilhas são itens relativamente importantes, mais cedo ou mais tarde você precisará, seja para o controle remoto, seja para o radinho, ou o brinquedo do seu filho. Na terra de "Dilmãe", por 4 pilhas alcalinas AAA paga-se R$ 25,90 reais. Já os americanos imperialistas, no câmbio atual, pagam R$ 40 reais.... por 32 pilhas. Proporcionalmente, é como se as 4 pilhas nos EUA custassem R$ 5,00 reais, basicamente 5 vezes menos que no Brasil. "Cinco muito", dirão os políticos brasileiros, ao ler este texto.

Alguns podem também dizer que cervejas importadas, salgadinhos e pilhas alcalinas são itens supérfluos, usados por coxinhas, que o imposto tem de ser alto mesmo, que basta substituir por produtos mais baratos, que a culpa é do empresariado.... É exatamente assim que os políticos e burocratas de sempre querem que você continue pensando. É o típico discurso dos bois pertencentes aos currais eleitorais daqueles que, entre um gole e outro de champanhe, vão criar mais um tributo.

18/06/2016 às 20:06 - Atualizado em 25/06/2016 às 13:06

Remédios e Venenos: Os 15 anos sem títulos do Grêmio

Comecei a torcer pelo Grêmio quando tinha 5 ou 6 anos. Foi uma noite de Natal ao vestir minha primeira camisa tricolor. Era o início dos anos 90, época de ouro gremista que teve seu fim no dia 17 de junho de 2001, com a conquista da copa do Brasil. Torna-se inevitável o questionamento sobre a responsabilidade sobre os 15 anos sem títulos importantes. Os culpados seriam as direções passadas, a arbitragem, a Globo, até a Arena seria culpada. Teses de quem não conhece futebol, e mais que tudo, não conhece o próprio Grêmio. O jejum de conquistas passa por motivos óbvios, quase escancarados, mas que infelizmente são pouco difundidos entre os próprios gremistas. São eles:

  • 1 – A perna que treme vem sendo uma marca registrada do clube. Falo do momento que separa “os bois dos terneiros”; a decisão. Com exceção dos anos de 2003 e 2004, o Grêmio fez campanhas muito boas nas competições que disputou nestes últimos 15 anos, mas sempre afrouxou nos momentos decisivos, desclassificando-se em finais, semis-finais, quartas de final e oitavas de final. Como se vê, a palavra “final” é um problema. Até mesmo quando não há decisões, como nos sonolentos campeonatos de pontos corridos, o tricolor consegue deixar escapar títulos praticamente ganhos, vide o Brasileirão de 2008. No momento em que é necessário ganhar, a chuteira colorida fica pesada, os jogadores se escondem sob suas tatuagens gigantescas e mais um ano é perdido.  

  • 2 – Dizem que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose e é essa a perfeita definição do fator “raça” para o Grêmio. Tudo teve início na década de 50, quando o ex-jogador Osvaldo Rolla, também conhecido como Foguinho, assumiu como técnico e implementou o chamado futebol-força. Com ele, o Tricolor priorizou o preparo físico e aprendeu a marcar, a ocupar os espaços, a lutar pela bola incansavelmente. Através de Foguinho, o futebol pragmático, objetivo e firme começava a forjar a própria identidade do clube. Jogos como a épica “batalha de La Plata” contra o Estudiantes nos anos 80 e os carrinhos de Dinho dos anos 90 acabaram solidificando a mística da raça gremista. Mas a torcida, talvez saudosista dos tempos de glória, começou a administrar o remédio em excesso e ele virou veneno; Criou-se uma certa cultura de que, no Grêmio, talento e qualidade técnica são quesitos secundários, importante é ter raça, muita raça, apenas raça. Esquecem-se que a equipe de 83 tinha um time extremamente técnico, liderado por Renato Portaluppi, atacante que não só brigava, mas fazia muitos gols, principalmente em decisões. Em 95, Dinho não servia apenas para bater no Válber do Palmeiras, mas dava lançamentos de 60 metros e raramente errava passes. Aliás, o Brasileiro de 96 veio de um golaço de Aílton, jogador habilidoso que entrou na final contra a Portuguesa para justamente substituir... Dinho. O time que conquistou a Copa do Brasil de 2001, era conhecido por sua forma envolvente de jogar, através de um 3-5-2 inovador arquitetado por Tite, atual técnico da Selecinha. Pode parecer surpreendente para alguns, mas no futebol, antes de tudo é necessário saber jogar bola.

Aos que dizem que os problemas do Grêmio se devem às más administrações, às parcerias controversas e aos dirigentes ruins. Tenho minhas dúvidas quanto a isso. Afinal, seriam os dirigentes de San Lorenzo, Rosário Central, Santa Fé, Juventude, Caxias, Atlético Paranaense e Palmeiras tão melhores e mais íntegros que os do Imortal? Seria a administração destes clubes tão mais avançada que a do tricolor gaúcho? Pergunto isso pois todos estes times desclassificaram o Grêmio de diversas competições nos últimos anos, sendo que alguns ainda ganharam títulos. O Flamengo, que nem mesmo estádio próprio tem e ainda deve R$ 451 milhões, ganhou o campeonato brasileiro de 2009 e as Copas do Brasil de 2006 e 2013, sendo esta última com Paulo Pelaipe no comando do futebol. Neste meio tempo o tricolor gaúcho passou em branco. O Fluminense, sem um estádio decente e detentor de uma polêmica parceria com a Unimed, ganhou a Copa do Brasil de 2007, os campeonatos Brasileiros de 2010 e 2012 (com Rodrigo Caetano de dirigente) e no ano de 2016 conquistou a Primeira Liga, um campeonato nacional menor, mas certamente maior que nada. Como explicar tudo isso pela perspectiva da “boa administração” ou da “má gestão”? Se alguém falar “sorte”, vá procurar outro esporte para passar o tempo.

Quem se concentra em problemas administrativos para explicar um time de futebol deve comemorar a divulgação de balancetes superavitários com buzinaços e provavelmente pensa que um zagueiro adversário se intimidaria ao ouvir os números da contabilidade gremista. Obviamente que clubes devem ser bem geridos, mas lucro por si só, não ganha jogos. Assim como a raça, a boa administração do clube é um dos componentes que ajudam nas vitórias, mas não asseguram canecos.

Precisamos menos de carrinhos e mais de vibração, de personalidade. O capitão do Grêmio intimida ou se deixa intimidar? Na hora da decisão, quem diz “deixa que eu bato”? Quem diz “por aqui ele não entra”? A raça, a vontade, a gana precisam sempre estar presentes, mas não podem substituir a técnica, como muitos gremistas pensam, mas sim complementá-la. Atualmente, penso que o Grêmio vem sendo muito bem administrado, inclusive. Mas a perna continua tremendo. Até quando?

14/06/2016 às 12:15 - Atualizado em 18/06/2016 às 20:06

O feminismo e as 19 garotas queimadas

Peço para que você faça um exercício de imaginação

Imagine-se como uma garota adolescente quase miserável. Sua cidade é invadida e seu pai, ao tentar defender a família, é morto por um grupo de homens. Acabam matando sua mãe também, não sem antes violentá-la. Você é sequestrada para um lugar estranho e sujo e transforma-se em prisioneira junto a outras meninas, algumas ainda crianças, outras já maiores. Os estupros são quase diários, a dor e a humilhação são degradantes, mas a sede e a fome são piores e os abusos em troca de comida continuam. Até que um dia você não aguenta mais e diz “não”. Sua decisão contagia outras garotas prisioneiras e logo todas negam-se a serem molestadas. A desobediência impacienta aquele grupo de homens e eles decidem que, como punição, você e suas companheiras de cativeiro serão queimadas vivas em uma jaula, na praça da cidade. E assim é feito. Enquanto o fogo sobe e os gritos de desespero aumentam, você observa que o que mais dói talvez não seja o calor corroendo-lhe a pele, mas a sensação de abandono.

O fato descrito ocorreu há poucos dias na cidade de Mosul, no Iraque, com 19 garotas pertencentes a minoria “Yazidi”, um dos grupos religiosos perseguidos pelo Estado Islâmico (EI). O link da notícia está aqui: http://oglobo.globo.com/mundo/estado-islamico-queima-19-meninas-yazidi-ate-morte-em-praca-publica-19449783

Ao ler sobre o fato, não pude deixar de me perguntar: existiria pauta feminista mais importante que defender mulheres que precisam optar entre serem escravas sexuais ou queimadas vivas em pleno 2016? Confesso minha dificuldade de entender o silêncio daquelas que se dizem tão preocupadas com os direitos femininos em seu frenético ativismo de internet.

Alguns podem argumentar que fatores religiosos e culturais impediriam ações mais efetivas. Mas o fato de crianças, jovens e idosas estarem inseridas numa cultura que sequer lhes dá a liberdade de reclamar, não aumentaria justamente a urgência e a necessidade de dar voz a sua defesa? Em fevereiro deste ano, Bill Maher, apresentador progressista da HBO, perguntou exatamente isso para a jornalista Gloria Steinem. Recebeu como resposta que “todo monoteísmo é um problema”. De maneira cínica, a jornalista colocou na mesma sacola a crença que permite às mulheres serem o que quiserem junto da crença que sequer permite a elas vestirem-se como desejam. (Se você duvida disso, experimente andar sem véu no Irã ou usar calças numa rua saudita).

Este é outro ponto sintomático. As feministas recorrem a estereótipos tais como evangélicos machistas ou católicos falso-moralistas para criticar a Fé Cristã e seu suposto atraso. Entretanto, calam-se sobre o tratamento ATUAL do Islamismo dispensado às mulheres e, não raro, fazem contorcionismos intelectuais para explicar que o pai que veste sua filha de rosa, e não azul, e lhe dá uma boneca para brincar, e não lego, é tão machista quanto o muçulmano que é conivente com o apedrejamento de mulheres acusadas de adultério.

O feminismo, que poderia dar voz a quem foi emudecida pela violência, deixa instrumentalizar-se por partidos políticos e ideologias fracassadas. O movimento vira um parque de diversões de adultos numa sociedade de aparências, onde frustações pessoais se convertem em massagens no ego para quem não quer fazer algo, mas parecer que faz. Temos muito senso crítico para pouca auto-crítica. Infelizmente, ao contrário do gorila americano morto em um zoológico, as 19 garotas Yazidis não valem sequer um post de Facebook e as próximas escravas sexuais provenientes de grupos minoritários terão de esperar: a legalização do aborto e o fim do cavalheirismo são pautas mais urgentes.