RODRIGO NUNES
Rodrigo de Bem Nunes – O nome é inspirado na obra de Erico Verissimo e o sobrenome deixa evidente; trata-se de um legitimo cidadao de bem. Nasceu e cresceu no glamuroso bairro Canudos, em Novo Hamburgo-RS e hoje vive com a esposa na cidade de Houston, Texas, lugar que considera “uma Bagé com grife”.

27/09/2016 às 02:25 - Atualizado em 27/09/2016 às 19:58

O Show deve continuar: O debate entre Hillary e Trump

Quente? Frio? O debate entre Hillary Clinton e Donald Trump foi morno. Houve momentos mais acalorados e outros mais burocráticos, bem como são a maioria dos debates políticos, mas o enfrentamento presidenciável foi relativamente normal. Não acredite nos adjetivos da grande imprensa Brasileira, que classificou a performance dos candidatos como "ríspida" ou "hostil". Essa percepção é mencionada pois nos EUA não há um TSE impondo regras de réplicas e tréplicas, não há relógios marcando quantos segundos pode-se falar, os candidatos ficam mais livres e quando julgam necessário, podem até interromper o oponente no questionamento de uma afirmação. Toda essa liberdade pode soar um pouco estranha, mas é apenas o show dos Americanos e o show deve sempre continuar.

Ponto para Hillary - Os primeiros 10 minutos do debate foram burocráticos, com colocações esperadas dos dois lados. Hillary começou afirmando que os ricos deveriam pagar impostos mais altos, ou mais justos, e fez um pequeno sarcasmo com Trump ao sugerir que o empresário tinha uma visão não realista do país, tendo em vista o início de seu primeiro empreendimento através de um empréstimo de 14 milhões de dólares do próprio pai. Trump poderia fazer um gol de placa ao mostrar no que os 14 milhões de dólares iniciais haviam se transformado e perguntar a Hillary se ela havia produzido algo além de discursos para se transformar numa das mulheres mais ricas dos EUA. Mas ele deixou a oportunidade passar e perdeu.

Ponto para Trump - Trump repetiu seu mantra sobre os empregos americanos estarem sendo roubados de outros países, como China e México e se colocou como o candidato que cortaria mais impostos desde Ronald Reagan. Sabendo que Obama e Hillary não são entusiastas da indústria de óleo e gás, o empresário citou a questão energética dos EUA como um dos pilares na geração de emprego no país, no que está correto. Hillary, claramente desconfortável, comentou novamente sobre taxar os mais ricos, soando repetitiva demasiadamente. O ponto vai pra ele.

Ponto para Hillary - Um dos momentos mais acalorados esteve centrado nos acordos de livre comércio. Hillary elogiou a atuação de seu ex-marido, Bill Clinton, na efetivação do Nafta (acordo comercial entre os páises da América do Norte) e Trump, no seu tom exagerado habitual, disse que este havia sido o pior acordo já feito na história. Trump, aliás, tem como problema o exagero: disse que os aeroportos americanos pareciam de terceiro mundo. Hilary contra-atacou dizendo que os aeroportos eram assim devido justamente a tipos como Trump que não pagavam impostos federais por mais de 20 anos, numa alusão a suas isenções fiscais. Ponto pra ela.

Ponto para Trump - Trump se recuperou ao ser questionado sobre a decisão de não liberar seu imposto de renda, algo que acaba colocando sua transparência em cheque. O magnata argumentou dizendo que liberará seu imposto de renda logo depois de Hillary liberar o conteúdo dos e-mails oficiais que ela deletou e pelos quais foi investigada pelo FBI. Hillary ficou calada. O moderador aqui ajudou a candidata, logo repassando a outros assuntos e não se estendendo neste que é um tema incômodo para a secretária de Estado. Mas o ponto foi para Trump.

Ponto para Hillary - Os dois oponentes foram questionados sobre os recentes problemas relativos ao racismo e a atuação policial nos EUA. Trump respondeu fazendo o simples, dizendo que o páis precisava de lei e ordem. Hillary, como esperado, sugeriu que há uma falha no sistema de justiça americano que geralmente deixa em desvantagem o cidadão negro no que tange a seus direitos. Trump poderia ter dado outro golpe mortal em Hillary e questionar se a candidata estaria sugerindo que os policiais americanos e juízes americanos, conhecidos por sua bravura e profissionalissmo, seriam institucionalmente racistas. Não o fez e, novamente por inércia, Hilary marcou um ponto.

Na contagem dos pontos, Hillary ganhou a noite. Mas sua vantagem deve-se a inação de Trump que prefeririu jogar para não perder. E quem joga para não perder, invariavelmente perde. Mas para nossa sorte, muita coisa ainda vai acontecer. The show must go on.

19/09/2016 às 19:52

Lula, o sapo e o escorpião

Você conhece a fábula do sapo e do escorpião? É uma pequena história de um escorpião que cai de uma ávore em cima de uma pedra, no meio de um rio. O escorpião, que naturalmente não sabia nadar, pede ajuda para um sapo, que compadecido, acaba lhe dando uma carona até a margem. No meio do caminho o escorpião pica o sapo, que antes de morrer pergunta “Não vê que vais morrer também... Por que me picaste?” ao que o escorpião responde “Não pude evitar, esta é a minha natureza”.

Bom, guarde esta história na memória e leia abaixo alguns momentos de uma entrevista dada por Lula à revista Playboy, em 1979. O então sindicalista tinha 34 anos (não tratava-se portanto de um adolescente) e já era nacionalmente conhecido. A entrevista completa está em anexo e aqui transcrevo alguns dos melhores ou piores trechos.

_______________________________________________________________________________________________________________________

Sobre admirações, Lula diz que gostava dos ditadores Fidel Castro e o iraniano Khomeini. Mas um nome chama atenção

Playboy – Alguém mais que você admira?

[...]

Lula – Por exemplo… O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer.

Playboy – Quer dizer que você admira o Adolfo?

Lula – [enfático] Não, não. O que eu admiro é a disposição, a força, a dedicação. É diferente de admirar as idéias dele, a ideologia dele.

_______________________________________________________________________________________________________________________

Sobre como o mundo era mais livre

Playboy – Com que idade você teve sua primeira experiência sexual?

Lula – Com 16 anos.

Playboy – Foi com mulher ou com homem?

Lula (surpreso) Com mulher, claro! Mas, naquele tempo, a sacanagem era muito maior do que hoje. Um moleque, naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais… A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre…

_______________________________________________________________________________________________________________________

Sobre como conheceu sua atual esposa

Lula conta que já era viúvo e costumava sair da casa de uma namorada no começo da madrugada. Andava de táxi (!!!). O motorista do táxi lhe contou que o filho havia sido assassinado muito jovem e que sua nora prometera jamais se casar. Lula pensava — segundo ele próprio confessa: “Qualquer dia eu vou papar a nora desse velho…”. Agora veja a coincidência, narrada pelo próprio Lula:

“Nessa época, a Marisa apareceu no sindicato. [...] Eu tinha dito ao Luisinho, que trabalhava comigo no sindicato, que me avisasse sempre que aparecesse uma viúva bonitinha. Quando a Marisa apareceu, ele foi me chamar”.

Entendeu? Era morrer um trabalhador e Lula, bastante solidário, estava ali preparado, para “papar” a mulher do defunto. Na entrevista, Lula diz que a “nora do velho” que ele prometeu “papar” era justamente… Marisa!

_______________________________________________________________________________________________________________________

O que as feministas de 1979 e dos dias atuais achariam desta resposta?

Playboy – Marisa é feminista?

Lula - Não. Não há condições para uma dona de casa, mãe de três filhos, ser feminista.

_______________________________________________________________________________________________________________________

Sobre estudantes em protestos. E aí? UJS e UNE, alguma palavra?

Playboy – Uma coisa que você disse durante as greves e que marcaram muito foi que a melhor maneira de os estudantes ajudarem os trabalhadores era ficando nas universidades. Por que?

Lula Eu acho que nas lutas específicas dos trabalhadores, estudantes não tem que se meter. [...] Na hora de reivindicar salário, melhores condições de trabalho, estudante deve mesmo ficar na faculdade e não vir encher o saco dos trabalhadores.

_______________________________________________________________________________________________________________________

Tente imaginar as mesmas palavras ditas por qualquer outro político e se pergunte: Porque com Lula foi diferente? Bom, eu não sei... o que eu posso dizer é que esta entrevista talvez mostre como realmente pensa o homem que pensou o país por 8 anos. Assim como o escorpião que ao ser salvo pelo sapo, acaba lhe picando pois não pode mudar sua natureza, creio que Lula, como vemos atualmente, também não pôde mudar a sua.

 

17/08/2016 às 19:21 - Atualizado em 17/08/2016 às 19:21

As olimpíadas do chato

Seja um familiar, um amigo ou um colega de trabalho, todo mundo conhece um chato. E é nisso que boa parte do país se tornou: em um chato que fala cuspindo, que faz comentários inconvenientes e não muda de assunto. As olimpíadas dão o tom da coisa. O chato não vê atletas brasileiros, mas esportistas militares, jogadores bissexuais e lutadores negros. Tudo é politizado. É como se a guerra de classes dos livros de Marx tivesse invadido as arenas esportivas do Rio de Janeiro.

O chato, por exemplo, não torce para o time de futebol feminino para ver o Brasil no lugar mais alto do pódio, ele sequer sabe quem são as jogadoras. Ele torce pela vitória de Marta e companhia apenas para propagandear a importância do feminismo ou debater a suposta discriminação da mulher no futebol. Os chatos nunca pagaram ingresso para ver um jogo entre mulheres, não compram produtos anunciados pelas atletas e jamais fariam assinatura de um canal que transmita a copa do Brasil femina (ela existe). O importante é problematizar para parecer engajado.

A própria mídia está cheia de chatolas que ressaltam não o mérito do esportista, mas características que deveriam ser irrelevantes. A judoca medalhista passa de brasileira para favelada. A esgrimista não é americana, mas uma muçulmana celebrada por não tirar suas vestimentas religiosas nem em competições esportivas (veja que “liberdade”!). Aos poucos a chatice invade o próprio esporte e como resultado temos a medíocre nadadora Joana Maranhão, após mais uma derrota, esbravejando contra o próprio país, chamando a população brasileira de racista e xenófoba.

O chato, quando não polemiza temas fora de contexto, tem uma predileção por criticar. Se você fica contente pela passagem da tocha olímpica na cidade, o chato te chama de idiota. Se você aplaude o atleta que perdeu, o chato tece comentários sobre a cultura coitadista do país. Se você vaia o adversário, o chato diz que você é um cretino por não respeitar o espírito olímpico. Se você torce pelo Brasil na olimpíada, o chato diz que tudo não passa de “pão e circo”.

Quem sabe no futuro a chatice vire uma modalidade olímpica. Joana Maranhão de técnica e uma equipe de chatolas, problematizando, polemizando e empoderando tudo que vê pela frente. É chance de ouro para o Brasil!

19/07/2016 às 12:14 - Atualizado em 19/07/2016 às 15:38

O WhatsApp e a mentalidade bovina que dá voz ao Brasil

A liberdade, para os brasileiros, não é um princípio vital. Caso fosse, algumas situações jamais seriam toleradas. Pegue por exemplo o programa de rádio do governo “Voz do Brasil”, retransmitido obrigatoriamente por todas as emissoras do país, entre 19:00 e 20:00, desde 1938. Nada mais ilustrativo. Há alguns anos, quando estava no carro voltando do trabalho depois do “cerão”, sentia certa melancolia nos primeiros acordes da ópera “O Guarani”, que servem de vinheta para o noticiário. Assim como ocorria nas ditaduras comunistas, ali seria dada a versão oficial dos fatos e não adiantaria trocar de estação. Obviamente, podia desligar o rádio ou colocar alguma música, mas as vezes, por curiosidade, conferia  o que a voz arbitrária do meu país tinha a me dizer. Quando o fazia, tinha a impressão de estar vivendo num outro continente; Poderiam inclsusive renomear o programa como “Voz da Suécia”, se quisessem, tamanha era a quantidade de boas notícias e de ações governamentais bem sucedidas propagadas pelos apresentadores insossos.

Quem tem a possibilidade de acessar a internet, pode eventualmente  escapar da “Voz do Brasil”, mas quem depende do rádio não tem opção. Aliás, muitos esquecem que o rádio é um serviço de utilidade pública; acidentes, avisos emergenciais, caminhos alternativos a engarrafamentos entre outras situações são ali informadas. Mas não das 19:00 às 20:00. Nesta faixa, a hora é do Brasil e você anunciante, você funcionário, você empresário, você locutor, você ouvinte... você que se dane.

"Você que se dane" deve ser o que pensam alguns juízes cada vez que a justiça bloqueia o aplicativo WhatsApp em função de investigações locais. Não importa que essa decisão afetará a comunicação de 100 milhões de brasileiros. O juiz decidiu e, assim como ocorre com a “Voz do Brasil”, você não tem escolha e terá de baixar a cabeça como um exemplar cidadão brasileiro.

Mas isso não é o pior. O problema são aqueles que tentam justificar a atitude de juiz ou minimizam o fato de toda uma população ficar horas ou dias sem o aplicativo. Eles dão o perfeito exemplo da mentalidade bovina brasileira que legitima um sistema que faz de um juiz o responsável por decidir quando seu amigo ou seu parente pode lhe enviar uma mensagem de “bom dia” pelo celular.

A questão não é ter uma liberdade cerceada, a questão é você aceitar e até mesmo gostar. Mas como se vê, a liberdade, para os brasileiros, não é um princípio vital. Quando será?

16/07/2016 às 19:23 - Atualizado em 17/07/2016 às 23:49

Terrorismo, como combatê-lo?

Engana-se quem pensa que o terrorismo é um fenômeno recente. Em 1802, um grupo de homens armados de espadas invadiu a cidade de Karbala, ao sul de Bagdá, matando em um só dia entre 4.000 e 5.000 pessoas, sendo grande parte das vítimas crianças, mulheres e idosos. A motivação do ataque, embora ocorrida há mais de 200 anos, é bastante conhecida atualmente: radicalismo islâmico. E é alarmante o número de ataques nos últimos meses. Dos cartunistas da revista Charlie Hedbo, passando por atentados no Quênia, na Nigéria, no Bataclã (boate francesa), em San Bernadino e Orlando, nos EUA, nos aeroportos da Bélgica e da Turquia e mais recentemente em Nice, na França. A preponderância numérica de muçulmanos como autores da violência lastreada na intolerância religiosa é notória e inegável. Mas por quê é assim?

Abdelwahab Meddeb, professor de literatura árabe e autor do livro “A doença do Islã” diz que a resposta pode estar no wahabismo, uma violenta corrente islâmica fundada por Muhammad ibn ‘Abd al-Wahhab (1703-1792) na Arábia do século 18 e que ainda hoje exerce muita influência em todo Oriente Médio. Entre outras doutrinas, os wahabis exigem castigo para os que gostam de música, defendem a pena de morte por transgressões sexuais e condenam os que não rezam para Allah e nem consideram Maomé o seu profeta. Muitos dos grupos terroristas, como o próprio EI (Estado Islâmico) ou Talibã, utilizam-se da interpretação de Wahhab para fundamentar suas práticas. Argumenta-se que esta seria o viés minoritário da crença, o que é verdade. Mas é exatamente aí que reside o problema. Digamos que existam aproximadamente 2 bilhões de muçulmanos no mundo. Se houver apenas 1% de radicais ou wahabistas, estamos falado de 20 milhões de pessoas dispostas a cometer os mais bárbaros atos em nome de sua fé. Para termos uma dimensão do problema, basta lembrar que as torres gêmeas de Nova York foram derrubadas por unicamente 10 terroristas.

A grande maioria dos muçulmanos é pacífica, quer apenas viver a vida e perseguir a felicidade com base em suas tradições e ensinamentos. Mas boa parte de seus próprios fiéis ainda flerta com a imposição de sua crença pela força e vê com bons olhos a utilização do terror como ação legítima. Para se ter uma ideia, o centro de estudos “Pew” constatou que 13% dos muçulmanos americanos pensam que violência contra pessoas inocentes para defender o islã pode ser justificada e uma pesquisa divulgada pela revista Newsweek mostrou que 16% dos franceses possuem sentimentos positivos perante os terroristas do EI. A aprovação de atos controversos em nome da religião pode ser vista inclusive em países essencialmente islâmicos, governados por leis religiosas do século VI (Sharia), onde alguns dos direitos humanos mais básicos não são reconhecidos. Vejamos alguns exemplos:

 

ARÁBIA SAUDITA

  • Mulheres não podem dirigir e necessitam de uma permissão especial para trabalhar e viajar sozinhas.
  • Estupro dentro do casamento não é reconhecido.
  • Alguns atos homosexuais são punidos com a morte.
  • Não há igrejas Cristãs ou Sinagogas Judias em todo país, sendo ilegal a construção de qualquer prédio ou edifício não-muçulmano

KUWAIT

  • Mulheres não podem se tornar promotoras públicas, nem juízas de direito.
  • Não há leis que punam violência doméstica,
  • Atos homosexuais são ilegais e puníveis com multas e prisão.

EMIRADOS ARÁBES UNIDOS

  • Homens tem o direito legal de disciplinar suas mulheres através de violências física.
  • Da mesma forma como ocorre na Arábia Saudita, estupro dentro do casamento não é reconhecido.
  • Qualquer atividade sexual fora do casamento é oficialmente ilegal

BRUNEI

  • Estupro dentro do casamento é apenas reconhecido caso a esposa tenha menos que 13 anos de idade.

PAQUISTÃO

  • A autoridade máxima muçulmana no país, Maulana Muhammad Khan Sherani, alegou recentemente que dentro do casamento o homem estava autorizado a bater suavemente na mulher, caso esta não cumpra com suas responsabilidades dentro de casa. A entrevista de Maulana para BBC, inclusive, pode ser vista em vídeo clicando aqui

 

Ao se criticar o viés pouco afeito à liberdade que nações islamicas possuem não se está colocando automaticamente o Cristianismo ou o Judaísmo como religiões perfeitas. Contudo, é inegável reconhecer que países essencialmente cristãos, como EUA, Brasil, Inglaterra, Alemanha ou Chile oferecem total liberdade para que uma mesquita seja construída e a fé muçulmana seja praticada. Já a recíproca não é verdadeira. Não se vê a mesma liberdade com relação aos Cristãos ou Judeus nos Emirados Arábes, no Egito ou no Iêmen.  No Irã, todas as mulheres, estrangeiras ou não, são obrigadas a usar um hijab (lenço) para cobrir suas cabeças. Não há direito de escolha. Mulheres adúlteras são apedrejadas e homossexuais são enforcados em guindastes. Algum país Cristão, como México, ou Judeu, como Israel, institui obrigações ou penas de natureza similar?

Para aqueles que tentarem fazer algum relativismo destes fatos com a inquisição católica para simplificar a questão com a famosa frase “o problema é religião”, melhor nem tentar. Estamos falando de problemas que ocorrem em pleno 2016, não na idade média. Aliás, a inquisição espanhola teria feito, segundo a maior autoridade viva neste assunto, Henry Kamen, algo como 2,000 vítimas em 350 anos, ou seja, metade das mortes ocasionadas em um só dia de fúria na cidade Karbala, mencionada no início do texto. Este dado não serve para justificar erros do passado da Igreja Católica, mas é importante colocar os números em perspectiva, para termos um mínimo senso de proporção. De mais a mais, o que seria um radical católico nos dias hoje? Um monge trapista ou uma freira carmelita descalça? Que perigo eles representam? Existem notícias de crentes Evangélicos que se explodiram em meio a multidões ou de Mórmons que invadiram boates frequentadas por homossexuais para fazer tiroteios em massa?

Combater o terrorismo através de guerras e conflitos dificilmente resolverá a questão, talvez a torne pior. Os resultados obtidos com a guerra do Iraque estão aí para provar. A solução para o terrorismo passa necessariamente por uma reforma da própria crença islâmica, onde princípios como liberdade religiosa, direitos humanos e a separação entre governo e igreja se façam verdadeiramente presentes. Reformas deste tipo não são exatamente novidades na história humana. Poderia citar o próprio Cristianismo, uma renovação religiosa das tradições judaicas que redesenhou a história humana e alterou drasticamente a forma de se relacionar com Deus. Temos  também os concílios da Igreja Católica e a própria reforma protestante, que ocasionaram renovações e rupturas, mas que não necessariamente se converteram em conflitos globais sangrentos sem fim. É difícil essa reforma islâmica? Seguramente que sim, mas sem ela teremos o problema talvez diminuído, mas nunca solucionado.

É igualmente urgente que líderes muçulmanos, especialmente dos países citados, ao invés de vir a público para enaltecer a violência doméstica ou insultar fiéis a lutar "guerras santas" (Jihads), repudiem publicamente atos terroristas e não se calem de maneira conveniente, como vemos hoje em dia. Enquanto isso não mudar, o conflito cultural entre civilizações ainda se fará presente e lamentaremos ainda muitos outros atentados terroristas, não importando quantas rosas sejam distribuídas ou quantas versões de “Imagine” sejam cantadas.

 

FONTES

Publicações:

http://www.newsweek.com/16-french-citizens-support-isis-poll-finds-266795

http://www.pewforum.org/files/2013/04/worlds-muslims-religion-politics-society-full-report.pdf

Livros:

A doença do Islã, de Abdelwahab Meddeb

The Spanish Inquisition: A historic revision, de Henry Kamen

Portais de notícias:

Fox News

BBC