RODRIGO NUNES
Rodrigo de Bem Nunes – O nome é inspirado na obra de Erico Verissimo e o sobrenome deixa evidente; trata-se de um legitimo cidadao de bem. Nasceu e cresceu no glamuroso bairro Canudos, em Novo Hamburgo-RS e hoje vive com a esposa na cidade de Houston, Texas, lugar que considera “uma Bagé com grife”.

30/03/2017 às 12:59 - Atualizado em 30/03/2017 às 13:02

O mérito farroupilha de Jean Wyllys

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) recebeu a maior distinção do Estado, a Medalha do Mérito Farroupilha. Sim, ele mesmo, nacionalmente conhecido através do programa “Big Brother”. As contribuições de Jean para o RS são verdadeiras icógnitas. Até mesmo suas contribuições para o Brasil são difíceis de mensurar. O deputado do PSOL é mais conhecido por suas controvérsias, como chamar o Papa Emérito Bento XVI de genocida em potencial ou dizer que um “negro e gordo” seria “burro” por ser contra um determinado projeto de lei.

Afinal, que motivos teria a deputada comunista Manuela Dávila (PCdoB-RS) para ter indicado Jean Wyllys a tal honraria?

Talvez sua nomeação tenha sido feita graças ao requerimento n. 1557/2016, no qual Jean solicita informações ao Ministério da Saúde sobre estudos científicos que comprovem a existência de uma tal "água milagrosa" apresentada pela Igreja Universal na Rede Record. Algo de extrema relevância para os gaúchos, tão apreciadores do chimarrão.

O ex-BBB pode ter sido homenageado pela comunista Manuela por ter usado um lenço vermelho no pescoço na votação do impeachment, talvez numa certa alusão indireta ao famoso adereço gaudério. Na ocasião, Jean cuspiu em Bolsonaro logo após ouvir “tchau querida” de seu colega de Câmara, demonstrando sua educação e sua tolerância perante ironias. Talvez, para Manuela, Jean seja uma espécie de combatente farroupilha moderno que ao invés de dar tiros, solta perdigotos contra seus adversários.

Em tempos de reforma na previdência, o nobre congressista pode ter recebido a distinção legislativa por seu projeto de legalização da prostituição, onde meretrizes teriam um regime especial de aposentaria após 25 anos de “serviços prestados”. Um trabalhador comum não consegue se aposentar após 25 anos de contribuição, mas para Jean isso pouco importa, afinal coerência não é exatamente o ponto forte de um membro do partido “Socialismo e Liberdade”.

Imagino o que Bento Gonçalves, General Neto, Corte Real e outros varões assinalados pensariam ao ver seu mérito emprestado a Jean Wyllys. Certamente lembrariam do hino da República Rio Grandense, e falando baixo cantariam que “povo sem virtude acaba por ser escravo”.

19/03/2017 às 16:07 - Atualizado em 19/03/2017 às 16:27

Retratos de Coragem, a face desconhecida de George Bush

O ex-presidente George Bush é costumeiramente pintado pela mídia brasileira como um caipira ignorante, caricato e que por algum lance de sorte elegeu-se e reelegeu-se Presidente dos Estados Unidos. Nada de muito positivo é noticiado no jornais Brasileiros sobre o republicano que também foi eleito governador do Texas entre 1995 e 2000 e que é formado por Yale e pela Harvard Business School.

Por alguma razão, George Bush é apenas lembrado quando o assunto é a controversa Guerra do Iraque ou quando há especulações sobre cobranças por palestras ou participações em eventos de caridade, ainda que estes eventos arrecadem uma grande quantia a mais de dinheiro justamente pela presença do ex-presidente.

Em função desta imagem relativamente negativa, muitos poderiam ficar surpreendidos com seu recente trabalho; um livro que reúne pinturas feitas por ele próprio de retratos de soldados veteranos que serviram ao país após o 11 de Setembro. Um detalhe aqui chama atenção: Bush não sabia pintar. Aprendeu a fazê-lo aos 70 anos de idade, justamente para ajudar aqueles que lutaram pelo país.

Além das pinturas, o livro chamado "Retratos de Coragem", traz um pequeno resumo da história de cada um dos veteranos retratados, sendo que alguns possuem sequelas graves como transtornos psicológicos, deficiências físicas como a cegueira ou a paralisia, mutilações e amputações. A renda das vendas será totalmente revertida para iniciativas de apoio aos ex-militares que necessitam de algum tipo de tratamento ou ajuda.

George Bush, assim como eu e você, está longe de ser perfeito. Mas sua atitude nobre demonstra humildade e uma disposição a não apenas aprender algo novo como também demonstrar gratidão por aqueles que se sacrificaram pela nação.

E finalmente, para alívio de todos Americanos, Bush pratica todas estas ações sem necessitar igualar-se a uma jararaca e sem comparações a Jesus Cristo ou ao próprio Deus, como fazem alguns outros ex-presidentes mundo afora. Uma grande diferença.

09/03/2017 às 14:13 - Atualizado em 09/03/2017 às 14:28

As mulheres que não servem

O dia internacional da mulher passou e naturalmente que o centro das homenagens tenha sido a mulher, certo? Mais ou menos. Pelo que pude ver, o 8 de Março caminha cada vez mais para ser o dia de “certas mulheres”. Sim, pois há mulheres que não servem a narrativa da força e da liberdade feminina, tão festejadas na data. Prova recente deste fato foi a reação negativa à reportagem da revista VEJA, feita já há algum tempo, sobre a primeira-dama Marcela Temer, descrita como uma senhora bela, recatada e do lar. Inúmeras mulheres correram para as redes sociais para criticar e ironizar o suposto machismo da matéria, esquecendo-se que ser “bela, recatada e do lar” pode ser sim uma honrosa opção.

Mas as mulheres que não servem à narrativa da “independência” não são apenas donas de casa.

Tente lembrar da última vez que você viu um tributo à vida e obra da freira italiana Maria Gaetana Agnesi, que em 1727, com apenas 9 anos, preferiu um discurso em latim sobre o direito feminino a educação e posteriormente tornou-se a primeira mulher do mundo a ter uma cátedra universitária em matemática por suas publicações sobre cálculo diferencial e integral.

A freira Mary Kenneth Keller, outra mulher notável, também dificilmente será homenageada no dia de hoje. Algo difícil de entender, já que esta foi, em 1965, a primeira mulher a receber o título de Ph.D em ciências da computação nos EUA. Mary Keller foi também uma das desenvolvedoras do BASIC, linguagem de programação conhecida entre 10 de 10 programadores até os dias de hoje.

E o que dizer de Marie Curie, não apenas a primeira mulher, mas a primeira pessoa na história a ser laureada com dois prêmios Nobel, em Física (1903) e Química (1911). Marie Curie não foi apenas uma cientista fenomenal, foi também esposa devota e mãe provedora de uma educação exemplar; sendo sua filha Iréne Curie, também laureada com o Nobel de Química, em 1935.

Outras mulheres, em tempos mais recentes, também fizeram história. No campo da política, temos a dama de ferro Margaret Thatcher, primeira mulher a alcançar o posto de primeira-ministra britânica, liderando o governo inglês por 11 anos, entre 1979 e 1990. No ramo dos negócios, temos a texana Carly Fiorina, presidente por 6 anos (entre 1999 e 2005) da HP, uma das maiores empresas do mundo no ramo da tecnologia. Um detalhe aqui chama atenção; Carly começou sua carreira como secretária, tendo suas conquistas sido feitas por mérito totalmente próprio.

Pesquise homenagens a estas mulheres no dia de ontem. Alguma referência ao seu legado, algum programa de TV, alguma reportagem sobre a contribuição que fizeram à sociedade. Você não vai encontrar. Sabe porquê? Elas não defenderam o aborto, não fizeram fotos sensuais empoderadas, não cantam hits lacradores, não pixaram muros, não protestam em vídeos no Facebook e o mais importante: não defenderam o feminismo. Então você sabe como é, freiras intelectuais devotas, cientistas patriotas orgulhosas do marido e dos filhos, políticas e executivas conservadoras de sucesso... não servem.

24/02/2017 às 18:37 - Atualizado em 24/02/2017 às 18:38

Raiz versus Nutella

No conto “Noites Brancas”, escrito em 1848 por Dostoiévski, há uma passagem em que a avó de Nastenka, protagonista da obra, diz que o leite já não era mais o mesmo, azedando muito mais depressa que o leite fervido em épocas mais antigas. Ou seja, para a velhinha da obra, leite bom mesmo era aquele do fim da idade média. Nada mais ilustrativo para a brincadeira do momento que infesta as redes sociais, o confronto entre o antigo (raiz) e o novo (nutella).  Como já aponta Eclesiastes, nada novo debaixo do sol; o saudosimo é um fenômeno universal e atemporal, onde costumamos achar que antigamente tudo era melhor. O passado ganha o verniz da saudade e se transforma “nos bons e velhos tempos”.

Quando criança ouvia exaustivamente os adultos da época dizendo que infância boa mesmo tinha sido a deles, onde os brinquedos eram bolas de meia, sabugos de milho e latas de ervilha (raiz). Facilidades como a minha bola de couro sintético, vídeo-games como o meu super-nintendo e programas de TV como Jaspion sequer existiam, seriam “nutella”... Ironicamente vejo agora a minha geração, já adulta, com ar de superioridade dizendo que infância de verdade era aquela em que se podia brincar de bola (de couro sintético) e jogar super-nintendo logo depois de assistir Jaspion. Os elementos “Nutella” passaram a ser “raiz” num passe de mágica. E a coisa se aprofunda; não faz muito, um garoto de uns 12 anos postou estes dias: “As crianças de hoje nunca saberão o que era acordar cedo para assistir TV Globinho”.

O saudosismo é bom, eu mesmo sou um saudosista. Adoro falar dos desenhos clássicos, da copa de 1994 e dos tempos em que o leite não azedava tão cedo. Mas algum cuidado é necessário para não deixar este sentimento se transformar em amargura, do contrário nunca se vai estar feliz com o presente, com as coisas de agora. A felicidade não pode ser apenas o verniz da saudade. 

Imagino o mundo daqui a 20 anos, onde os saudosistas dirão que infância “raiz” mesmo era aquela de 2017, em que se jogava FIFA no Playstation 4 como uma criança normal, e não a de 2037, com partidas entre robôs humanóides em estádios holográficos sem graça. Um bando de “nutellas” serão as crianças de 2037! Nutellas!

26/11/2016 às 14:40

Reportagem Especial: Cuba e os EUA

UMA ILHA A FRENTE DE SEU TEMPO

Se hoje os cubanos fogem de seu país a nado ou em botes improvisados, na década de 1950 acontecia o contrário: estrangeiros mudavam-se para Cuba. Entre 1933 e 1953, mais 74 mil espanhóis, 7.500 alemães e inúmeros americanos saíram para lá viver. Simpatizantes do regime castrista descrevem a ilha dos tempos pré-revolucionários dos anos 50 como um playground cheio de prostitutas baratas, mafiosos ricos e cubanos miseráveis, o que, ironicamente, seria bastante alusivo a condição do país nos dias de hoje. Obviamente que antes de Fidel existiam problemas, bem como existem problemas em qualquer lugar do mundo, mas o fato é que Cuba ostentava antes da revoluçao números sócio-econômicos bem melhores que a média latino-americana da época , fato este até mesmo admitido pelo próprio Che Guevara, como mostra o livro Havana before Castro de Peter Maruzi.

Em meados dos anos 50, havia mais cubanos em férias nos EUA que americanos em Cuba. A classe média cubana era um grupo consumidor tão importante na América, que lojas de Nova York e da Flórida anunciavam promoções nos jornais de Havana, conforme descreve o historiador Louis A. Pérez Jr. no livro Cuba and the United States: Ties of Singular Intimacy. Pela proximidade com os EUA, não apenas o intercâmbio econômico era grande, mas o intercâmbio cultural também. Carmen Miranda, Frank Sinatra, Nat King Cole entre outros se apresentavam nos teatros da ilha caribenha mais badalada de todo Atlântico. “Éramos Las Vegas e a Broadway misturadas, e o mundo todo ia a Havana para nos assistir – contava a cantora Olga Guillot, a “Rainha do Bolero”. E se o assunto é educação, pode-se dizer que os cubanos eram tão ou melhores escolarizados que hoje. A Universidade de Havana, com suas aulas de medicina, farmácia, biologia e direito (onde Fidel Castro estudou) obtia até certo reconhecimento internacional por suas pesquisas na época e, não raro, recebia alunos do mundo todo. Em toda a ilha, havia 1.700 escolas privadas e 22 mil públicas. O país dedicava 23% de seu orçamento à educação – quantia de dar inveja à Pátria Educadora de Dilma Vana.

A MUDANÇA DE POSTURA

O ranço com os americanos começa quando Che e Fidel, ao invés de fazerem um textão ou vestirem-se de preto, decidem em 1959 juntar um grupo de revolucionários para tomar o poder de um outro ditador, Fulgêncio Batista, e instaurar um regime que prometia trazer mais igualdade ao povo cubano. (Soa familiar este tipo de promessa?) Pois bem, Fidel e seus revolucionários expropiaram e estatizam todas as empresas da ilha. Investidores americanos e de outros países, ou seja, pessoas que trabalharam e arriscaram seu dinheiro em novos negócios, perderam tudo do dia para noite. Houve prisões arbitrárias de opositores e fuzilamento de inimigos políticos. Além disso, a proximidade ideológica entre Rússia e Cuba incomodava os Estados Unidos, culminando na crise dos mísseis de 1962, o momento em que o mundo tenha mais estado perto de uma terceira guerra mundial. Cuba esteve muito próxima de lançar ogivas nucleares aos EUA, o que também acabou dando início à infame piadinha “Cuba lançando”, algo terrível. Todos estes fatos fizeram com que os EUA iniciassem um regime de sanções econômicas que perdura até hoje.  Quem reclama da dependência latino-americana por parte do império "estadunidense" é o mesma pessoa que diz que Cuba enfrenta dificuldades econômicas por causa do isolamento comercial dos EUA. Coloque essa contradição para aquele seu amigo de esquerda, prepare a pipoca e observe a gagueira começar.

A VISITA AMERICANA

Após mais de meio século de antagonismo, Obama redefiniu as relações com Cuba nos últimos meses, e a ilha caribenha está mudando pouco a pouco. Não são alterações profundas, mas suficientes para aumentar o fluxo de turistas americanos em 77% apenas neste ano, enchendo hotéis e restaurantes e movimentando a economia. Esta será a primeira visita de um presidente Americano à Cuba em 88 anos. O assunto é controverso, tendo em vista que o regime cubano, mesmo que economicamente mais aberto, permanece praticamente o mesmo em termos políticos. Não há democracia, não há instituições confiáveis, não há liberdade com mais ou menos dinheiro. Ao abrir o mercado para Cuba e aliviar sanções econômicas, os EUA estariam na verdade fortalecendo a ditadura, ao invés de enfraquecê-la. Já os defensores da visita de Obama dizem que se o critério é democracia, os EUA teriam de se retirar imediatamente da China, da Venezuela, da Rússia, do Iraque e de outros países que vivem regimes de exceção ou de quase exceção. Em março de 2016 Obama visitou Cuba e algumas das “Damas de Blanco” (senhoras que vão à missa vestidas de branco aos domingos em protesto silencioso contra Fidel) aproveitaram a visibilidade da visita para se manifestarem de maneira mais clara.  Foram presas. Seu crime: ter uma opinião. Obama nada fez e nada comentou sobre o fato.

"ESTÁ MORTO"

Indo na contra-mão da maioria dos líderes mundiais que fizeram notas de pesar sobre a morte do ditador Cubano, Donald Trump, presidente eleito dos EUA, postou em seu Twitter: "Fidel está morto". A natureza direta da comunicação de Trump mostra que, seguramente, haverá uma mudança de postura para com Cuba. A pergunta que fica é: Estaria o presidente eleito americano disposto a ajudar a mudar a realidade do país Caribenho? Ou estaria Trump mais inclinado a manter um tom indiferente sobre Cuba? Os dias que se seguem apresentarão a resposta. Até lá o povo Cubano seguirá com sua vida, tendo total liberdade de opinião, desde que seja a opinião que a "revolução" queira.