RODRIGO NUNES
Rodrigo de Bem Nunes – O nome é inspirado na obra de Erico Verissimo e o sobrenome deixa evidente; trata-se de um legitimo cidadao de bem. Nasceu e cresceu no glamuroso bairro Canudos, em Novo Hamburgo-RS e hoje vive com a esposa na cidade de Houston, Texas, cidade que considera “uma Bagé com grife”.

14/11/2016 às 11:33 - Atualizado em 19/11/2016 às 13:45

A morte do amigo que não tive

Morreu Luiz Fernando Vaz. Você provavelmente não o conhece. Eu também não o conheci. Ele era um destes contatos virtuais que fazemos no Facebook, que adicionamos em função de alguma postagem, de algum posicionamento que seja similar ao que pensamos. Sabia que o Luiz vivia no Pará, fazia parte de uma oficina de teatro, como se pode ver na maquiagem de sua foto. Também sabia que participava de algumas ações políticas e era aficcionado pelo autor de “O Senhor dos Anéis”, J.R.R Tolkien. Em seus posts ele demonstrava ser bastante inteligente, dono de um humor sagaz e de uma ironia fina. Nunca troquei duas palavras diretamente com ele. Mas por tê-lo na minha rede de amigos virtuais e ver suas análises cotidianas, sentia uma certa “proximidade distante”, se é que existe isso de “proximidade distante”.

Em agosto deste ano o Luiz escreveu um pequeno comentário que elucidou uma dúvida que sempre tive sobre o filme “A Paixão de Cristo”, obra da qual sou profundo admirador. Disse ele: “O filme é quase uma missa. A presença silenciosa de Nossa Senhora durante a Paixão é para que Ela não tente a parte humana de Nosso Senhor a desistir de cumprir Sua Dolorosa Missão. Por isso a presença de Satanás sempre a tentar Maria, que resistiu bravamente e não pediu para que Seu Filho descesse daquela Cruz. O coração de Maria rasga em mil pedaços, por isso ela é co-partícipe da Salvação da Humanidade com direito a todas as honras na Terra e no Céu”.

De fato, ao ver o filme, costumava achar a atitude da Santa Virgem relativamente conformada. Ficava um pouco incomodado. Pensava que qualquer mãe se desesperaria ao ver o filho inocente sendo torturado e morto de forma tão cruel. Por que ela não gritava? Não fazia algo? Óbvio, ela não era "qualquer mãe". As palavras do Luiz responderam a todas estas minhas dúvidas de forma graciosa e teologicamente irreparável, sem que sequer eu tivesse a ele perguntado qualquer coisa. Agradeci-lhe, mas não tenho certeza que o viu. Ali o Luiz já estava doente.

Ao que tudo indica, ele morreu de tuberculose abdominal, bastante jovem, com um pouco mais de 30 anos. Estava bem não faz muito tempo e agora se foi. Que sua família seja forte e tenha muita Fé neste momento de perda. O Luiz Vaz talvez tenha partido sem saber do conforto espiritual a mim ocasionado em função daquelas suas rápidas palavras, mas Ele e Ela sabem. Espero que então assim, o amigo que não tive, seja um dia, o amigo que para sempre terei.