LAURO TENTARDINI
Jornalista e radialista. Editor de Esportes do Sul Connection. Cobriu dupla Grenal, seleção brasileira, sul-americano de vôlei, Jogos Mundiais Militares e outros. Assessor do Kindermann, campeão da Copa do Brasil de Futebol Feminino. Tratará aqui dos principais assuntos esportivos, com foco no sul do país, mas também jogos olímpicos, seleção brasileira e Fórmula 1.

13/10/2015 às 12:05 - Atualizado em 13/10/2015 às 15:03

Vai, Xavante!

O Gláucio Guterres faz parte da minha meia dúzia de amigos no jornalismo. É um cidadão de bem e de extremo bom gosto. Cito, por exemplo, alguns destes gostos: carnaval, Grêmio, Rio de Janeiro e tantos outros.

 

O Gláucio foi o primeiro a me dar a notícia, em janeiro de 2009, do acidente do Brasil de Pelotas. Eu estava no Rio de Janeiro, quando o falecido Msn Messenger apareceu com uma mensagem do Gláucio: "bruxo, o estado está chocado. Há uma grande comoção". Sem entender nada, perguntei qual o motivo de tal comoção, o que haveria acontecido de tão grave.

 

No momento da minha pergunta o Gláucio contou do acidente do Brasil de Pelotas, mandou links e, através de uma webcam, me deixou assistir algumas partes do Jornal do Almoço, da afiliada da Rede Globo, no Rio Grande do Sul.

 

Naquela noite de 15 de janeiro de 2009, além das mortes do zagueiro Regis e do lendário atacante Claudio Millar, parecia que o Brasil de Pelotas havia acabado para o futebol, o que seria uma pena. O clube terminou rebaixado, não poderia ser diferente. Houve crise financeira e vários outros problemas. O fim parecia irreversível.

 

Só que o Brasil de Pelotas, o Xavante, é uma religião. É a terceira maior torcida do Rio Grande do Sul. Uma torcida, talvez, mais fanática que a da dupla Grenal. Uma torcida que lota estádio, que faz excursões, que já assistiu o seu time eliminando o Flamengo e sendo o terceiro colocado no campeonato brasileiro.

 

Felizmente, o Brasil se reorganizou e deu a volta por cima. Voltou à elite e começou a disputar as divisões de acesso do Campeonato Brasileiro. Neste ano, além de um bom campeonato gaúcho, liderou boa parte da Série C, mas não teve como segurar financeiramente os atacantes Alex Amado e Leandrão. Mesmo assim soube se reinventar durante o campeonato e venceu o Fortaleza, na partida de ida, dos jogos das quartas de final da Série C do Brasileirão.

 

O Brasil, seis anos depois, está a um empate de voltar para a Série B do futebol nacional. O jogo será muito difícil. A equipe Xavante poderia ter obtido uma vantagem maior, especialmente nas falhas na bola aérea do goleiro Ricardo Berna, quando Nena perdeu dois gols incríveis e, também, no chute de Gustavo Papa. Não deu, infelizmente. Mas fazendo um golzinho apenas lá no Castelão, o Brasil obrigará o Fortaleza a fazer três. Ou seja, a situação ficará muito boa.

 

O Fortaleza é um grande time do futebol brasileiro. Tem uma torcida apaixonada. Aliás o nordeste é um povo apaixonado pelo futebol e grande responsável pela construção do futebol cinco vezes campeão do mundo. Mas, desta vez, tem que ser diferente. A fiel torcida Xavante vai encarar dias de ônibus, mas estará lá, numa das cidades mais lindas do Brasil, apoiando o seu clube.

 

Se o adversário é difícil, um dos grandes do futebol brasileiro, certamente, a fé que move essa torcida xavante e o time taticamente bem organizado pelo técnico Rogério Zimmermann poderão fazer a diferença. A religião, que é o Brasil, e o espírito Xavante merecem este acesso.