Guilherme Macalossi

28/03/2017 às 22:55

A Amazon e o proselitismo da pichação

Em meu Facebook, publiquei algumas notas sobre a polêmica envolvendo a gigante Amazon com João Doria. A empresa provocou o prefeito de São Paulo com uma campanha publicitária crítica ao programa "Cidade Linda", que tem restaurando pontos turísticos e passeios públicos depredados por pichadores. Dória respondeu convidando a Amazon a doar livros para o município. Segue as notas:

A nova propaganda da Amazon sobre o Kindle é duplamente burra: 1) Ela se contrapõe à majoritária parcela da população paulistana, francamente a favor do programa "Cidade Linda" 2) Ela compara os autores de livros a criminosos pichadores que emporcalham a cidade.

Enquanto a Amazon está zonza com o nocaute que levou de Doria, o prefeito de SP já estabeleceu uma parceria com a Microsoft, que ofertará suas plataformas para alunos e professores da rede municipal de ensino. Ao invés de lucrar associando seu nome a uma gestão moderna e aprovada pelos paulistanos, que deve incluir boa parte de seus clientes, a Amazon resolveu usar seu principal produto de leitura para fazer proselitismo social em nome de vagabundos que não leem. Sem dúvida uma jogada publicitária digna de figurar entre os grandes cases do setor.

Uma das regras da publicidade é identificar o seu público consumidor. E tendo isso em mente, aqui vai um recado para a Amazon: Pichadores não compram Kindle, compram Spray.

O departamento de marketing da Skol se acadelou para as fanáticas feministas, o da Amazon fez proselitismo para pichadores vagabundos. Bons tempos em que a publicidade vendia marcas e produtos, não teoria social de esquerda.


Propaganda da Amazon que gerou a polêmica:



Resposta de João Doria:

23/03/2017 às 17:13 - Atualizado em 23/03/2017 às 17:30

O que eu e o Sul Connection já publicamos sobre Jair Bolsonaro?

Critiquei a insistência de Jair Bolsonaro no tema da exploração do nióbio. Em entrevista a Danilo Gentilli, o parlamentar tratou do tema e chegou até a levar um exemplar do mineral, que foi usado pelo apresentador do programa para um gracejo. No meu Facebook, comentando o episódio, recomendei que Bolsonaro procurasse ver um vídeo de Roberto Campos, onde o ex-ministro e ex-embaixador criticava o comportamento dos fetichistas da matéria prima, a quem chamava de "neolíticos". Também argumentei que a postura de Bolsonaro em relação ao tema lembrava a de Eduardo Galeano, autor do clássico "As veias abertas da América Latina".

Foi o que bastou para que muitos eleitores e simpatizantes do parlamentar me criticassem. Me acusaram de fazer uma "campanha" contra ele. Eu? Eu fiz uma crítica pontual em relação a um tema bastante específico. A história do Brasil é cheia de produtos mágicos que nos levariam a prosperidade e ao Primeiro Mundo. O nióbio de hoje é o Pau-Brasil de ontem. Houve quem argumentou no sentido de que Bolsonaro quer contratos mais justos para a exploração do mineral, que teria sido negociado de forma indevida durante o governo petista. Pode ser, mas não posso adivinhar posicionamentos. Gostaria de saber o que ele vai fazer. Criará uma estatal? Vai renegociar os contratos?

Um dos mais graves problemas de Bolsonaro é a sua incapacidade de comunicação. Ou alguém dirá que ele é um Jânio Quadros, um Carlos Lacerda?

Quem acompanha o que escrevo sabe que não julgo Bolsonaro como outros veículos. Eu compreendo sua natureza, seu público e seu estilo, por assim dizer. Muito do que defende causa ojeriza aos meios acadêmicos e jornalísticos de esquerda, mas é assimilado imediatamente pela população. Sua pauta em termos de combate a violência não é diferente da majoritária parcela da população brasileira. Ignorar isso é ser imbecil, é ser preconceituoso, é não entender o que se passa nas ruas.

Bolsonaro quer penas mais duras para crimonosos. Estamos juntos. Bolsonaro quer o fim do estatuto do desarmamento. Estamos juntos. Bolsonaro quer a redução da maioridade penal. Estamos juntos. Bolsonaro quer castração quimica de estupradores. Estamos juntos. Defendi e defenderei todas essas medidas e defendi e defendereisempre que Bolsonaro for atacado pela sua defesa delas.

Antes do episódio do Nióbio, não lembro de qualquer crítica que tenha feito a ele. Me dei ao trabalho de pesquisar e reunir algumas das coisas mais relevantes que publiquei a seu respeito. Vamos a elas:

Já entrevistei o próprio Bolsonaro, dando espaço para que ele falasse de temas de seu interesse, como Comissão da Verdade:



Já postei um artigo acusando o STF de querer sabotar sua candidatura a Presidente da República se valendo de uma interpretação matreira da Constituição. Escrevi na época:

"Bolsonaro pode ser condenado e tornar-se inelegível por oito anos em virtude da Lei do Ficha Limpa. Este é o caminho mais fácil e prático para que ele não concorra nas próximas eleições presidenciais. O ardil jurídico, completamente incompatível com o que está estabelecido na lei, oferecerá a oportunidade de ouro que se cumpra a diretriz do caderno de teses do PT que estabelecia como meta do partido a cassação do mandato de Bolsonaro. Viva a civilidade."

Na mesma época do artigo, também entrevistei seu filho, o Deputado Eduardo Bolsonaro. Na ocasião, alertei que havia imprudência da defesa com relação a orientação ideológica da Suprema Corte:



Eis ai algumas das coisas que eu publiquei em meu nome, seja aqui, seja em outros veículos em que trabalho. Não falo em nome do Sul Connection, já que não sou seu responsável último. Mas posso afirmar que no portal o parlamentar foi tratado de horma honesta, sendo elogiado por suas ações positivas e criticado na mesma medida.

Não deixamos de reconhecer seu mérito no esfoçor de viabilizar o comprovante de voto impresso.

Mostramos o sucesso de sua ida a Porto Alegre, onde foi recebido com festa em um "mortadelaço" contra o PT.

Mostramos como Bolsonaro foi recebido com festa no Maracanã.

Defendemos a cassação do mandato de Jean Wyllys pelo episódio das cusparadas contra Bolsonaro.

Demonstramos a intolerância da esquerda para com eleitores do parlamentar.

Ao contrário de outros veículos, sustentamos que Flávio Bolsonaro teve um bom desempenho na eleição municipal do RJ.

Essas apenas algumas das notícias que já publicamos aqui. Críticas e elogios são parte integrante de qualquer cobertura jornalística. Quem não tolera isso também não compreende os fundamentos da liberdade de expressão.
 

13/03/2017 às 15:21 - Atualizado em 13/03/2017 às 23:17

Leandro Karnal é um adolescente buscando aceitação. Ou: Revelando um intelectual de geleia

Ao postar e depois remover uma foto que tirou com o Juiz Sérgio Moro, Leandro Karnal revelou sua moral descarnada. Criticado pelo seu próprio público por cometer a heresia de jantar com o responsável por julgar a Operação Lava Jato, apressou-se em pedir desculpas, excluindo a imagem do Facebook, como Stalin fez com Trótsky depois do expurgo.

O episódio revelou a natureza da personalidade deste senhor que anda pelo país falando de ética, de comportamento, de vida pública e de todo e qualquer assunto que for convidado para palestrar nos badalados colóquios de classe média alta que costuma frequentar. Nunca antes uma ação tão prosaica quanto deletar uma foto de uma rede social foi tão ilustrativa de um modo de ser.

Depois de deletar a foto com Moro, Karnal postou uma longa justificativa em seu perfil. E o fez naquele linguajar afetado, bancando o suprassumo da ponderação. Karnal seria a ilha de ponderação no mar de selvageria das redes sociais. E ao fazê-lo, escancarou ainda mais o espirito de suas ideias. 

Tentando se justificar pela janta com Moro, Karnal afirmou que teria "imensa curiosidade em conversar com pessoas que fazem parte da história". Gente como Ciro Gomes, Maria da Penha, Maria do Rosário e Lula. Todos o "ensinariam bastante sobre sua visão de mundo, o que faria eu pensar muito".

Em um ambiente onde a política e a academia dialogassem de modo racional e sério, não seria o intelectual a buscar desesperadamente uma janta com um político, mas o contrário. Imagine Russell Kirk, para ficar com o famoso escritor conservador americano, tendo como sonho de cosumo na carreira um encontro com uma liderança política regional do Partido Republicano. Karnal, entretanto, gostaria muito de encontrar com um coronel como Ciro Gomes, ou com um réu como Lula. É o retrato do rastejamento da classe pensante do país, sempre lambendo as botas dos donos do poder.

Para seus leitores, aqueles que provavalmente aprovariam uma foto sua com José Dirceu, garantiu que continuava "o mesmo": "um crítico do racismo, da misoginia, da homofobia, um professor interessado de forma apaixonada na educação". Faltou dizer que era a favor da lei da gravidade, do combate ao câncer, da vacinação infantil e de tudo o que há de bom. Mas a pergunta que cabe aqui é: Por que Karnal precisa reafirmar seu combate ao racismo, à misogenia e à homofobia depois de postar uma foto com Moro? Por acaso Moro seria um defensor de tais bandeiras preconceituosas?

A verdade é que Leandro Karnal submeteu sua convicção ao aplauso fácil, mais ou menos como aqueles adolescentes que buscam desesperadamente por aceitação no seu círculo de amiguinhos descolados. Não aguentou o policiamento do distinto público que o acompanha, formado por sedizentes tolerantes. No seu perfil oficial, perguntei se era ético deletar uma foto para obter o aceite de quem o lê. Até agora não fui respondido.

Eis ai o intelectual da geração Nutella e da garotada geek. Como resta demonstrado, todo o seu esforço de parecer firme na defesa de um modo de agir correto não passa de afetação calculda, assim como sua pose empostada é a carapaça de uma covicção que tem a solidez de uma geleia. 

07/03/2017 às 16:01

Entrevista com o Governador José Ivo Sartori

O Confronto, programa que ancoro na Rádio Sonora FM, completou 4 anos no último dia 4 de março. Em virtude disso, marquei uma entrevista especial com o Governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori. Na conversa de aproximadamente 12 minutos, Sartori falou da privatização do Banrisul, dos desafios financeiros com o projeto de austeridade que está em votação na Assembleia, e também da renegociação da dívida do Estado.

Confira a íntegra da entrevista:

07/03/2017 às 15:52 - Atualizado em 07/03/2017 às 15:54

Manuela tenta me responder, mas revela somente sua ignorância em relação à história e aos números

A deputada comunista Manuela D'Ávila deve estar com muito tempo ocioso na Assembleia Legislativa. Do contrário, não teria se dado ao trabalho de ter escrito um artigo de resposta a este reles escriba interiorano. Isso ou a minha crítica ao feminismo doeu tanto nos calos do movimento que sua representante maior no Rio Grande do Sul se viu forçada a dizer alguma coisa.

Teria sido melhor negócio Manuela ter me esnobado. Ao escrever seu “direito de resposta” aqui no Jornal Informante, expôs tão somente sua ignorância em relação à história e e aos números.

Há uma série de mistificações que o Movimento Feminista utiliza para tentar pautar a sociedade e vender sua narrativa de mundo. Uma delas, constante no artigo da deputada comunista, é a distorção dos dados referentes ao salário pago para homens e mulheres. Manuela usa como fonte os levantamentos da Fundação Economia e Estatística, que apontaria uma diferença de remuneração de 22%. O número em si não é falso, mas é lançado para o público como dado absoluto.

Consultei um dos autores do estudo, o pesquisador Guilherme Stein, que me forneceu a íntegra dos dados colhidos. A diferença existente é justificada por outras informações importantes. Mulheres tendem a interromper mais sua carreira, elas optam por empregos que remuneram menos, trabalham menos horas por semana e começam suas atividades mais tarde do que os homens. Tudo isso contribui para que tenham em média 22% menos rendimento. Manuela divulga uma meia verdade para seus leitores.

Íntegra da pesquisa sobre o rendimento de homens e mulheres no Rio Grande do Sul

Ao contrário do que a deputada comunista afirma, o feminismo não gera o avanço civilizacional. Ele contribui, no mais das vezes, para o obscurantismo. A pesquisa sobre diferença de renda entre homens em mulheres comprova isso. De resto, o que gera o avanço civilizacional é a cultura de liberdade de uma sociedade. Só no Ocidente o Movimento Feminista e outros grupos que pretensamente lutam por direitos para minorias tem condições de existir. No resto do mundo eles são perseguidos e oprimidos. É fácil ser revolucionário social onde há garantia constitucional para tanto, difícil é sê-lo onde você pode ser enforcado em um guindaste por isso.

Adendo: Manuela alega que amamenta por ser feminista. Isso é estranho. E eu pensando que amamentar era uma característica biológica dos mamíferos. Com base no raciocínio da deputada comunista devemos concluir então que as vacas e cadelas amamentam também por serem feministas?

Guilherme Macalossi é formado em direito pela UCS e estuda jornalismo na Unisinos. Além de editor do portal Sul Connection é apresentador do programa Confronto, na Rádio Sonora FM. Escreve para jornais locais, além de ser articulista do Instituto Liberal do Rio de Janeiro. É colaborador da agência Critério, Inteligência em Conteúdo.