Guilherme Macalossi

18/05/2017 às 01:26 - Atualizado em 18/05/2017 às 01:37

O fim do Governo Temer poderá ser uma imposição política, mas será uma tragédia econômica

Muita atenção no que vou dizer aqui, até porque o momento é delicado e qualquer argumento pode ser utilizado para enquadrar seu autor como hipócrita e defensor de bandidos: A eventual renúncia de Temer, ou a sua cassação, ou mesmo o processo de impeachment, será péssima para o Brasil. Pelo menos no curto e médio prazo.

Digo isso porque a preocupação e necessidade mais imediata do país é lidar com a agravada crise econômica que enfrentamos. Em texto que publiquei na semana passada no Jornal Informante, afirmei que o Governo Temer havia dado um norte ao país, uma agenda de governança por assim dizer. Os resultados de suas ações já estavam aparecendo. Os indicadores econômicos, tão degradados nos últimos anos, começavam a se estabilizar. Talvez nada seja mais ilustrativo do que a inflação, que está em seu menor índice em uma década.

Em apenas um ano de governo, foi apresentada uma agenda de reformas. A Trabalhista foi aprovada na Câmara, e um projeto de Reforma Previdenciária era negociada para ir à votação no Congresso. Além disso, também foi criado o Teto de Gastos Públicos, trazendo racionalidade para as despesas governamentais.

Nada disso, entretanto, justifica a defesa de um governo carcomido pela corrupção. Os petistas sempre usaram o argumento de que suas administrações haviam tirado 20 milhões de brasileiros da miséria, e que por isso podiam continuar no poder ainda que protagonistas do Mensalão e do Petrolão. Não pretendo fazer parte dessa hipocrisia.

As denúncias feitas pelo dono da JBS são gravíssimas. Desmoralizam o atual presidente e o inviabilizam no cargo. Enquanto escrevo essas palavras, ainda não caiu o sigilo da delação que o atinge, que incluiria gravações de Temer abençoando o pagamento de propina para silenciar Eduardo Cunha.  É o comportamento de um bandido, de um quadrilheiro, de um larápio de quinta categoria, que também merece ser punido pela sua burrice.

Quando Dilma Rousseff sofreu Impeachment, o país deu um passo adiante. Seu governo representava nossa estagnação. O destino de Temer, se igual ao de sua antecessora, será um passo para trás. Porque seu governo representava o avanço e esperança de um futuro melhor do ponto de vista das finanças e da economia.

Muitos me perguntaram qual será o futuro do país. Não sei responder, e acho que ninguém poderá fazê-lo a contento em espaço de tempo tão curto. A imprevisibilidade da situação, entretanto tenciona uma análise pessimista, ainda que muita gente possa vislumbrar um futuro distante de probidade. Até a abstração futurística, entretanto, o que teremos é a realidade da recessão e o desemprego.

Guilherme Macalossi é formado em direito pela UCS e estuda jornalismo na Unisinos. Além de editor do portal Sul Connection é apresentador do programa Confronto, na Rádio Sonora FM. Escreve para jornais locais, além de ser articulista do Instituto Liberal do Rio de Janeiro. É colaborador da agência Critério, Inteligência em Conteúdo, localizada em Porto Alegre.