Guilherme Macalossi

28/04/2017 às 14:48

O dia de fúria da pelegagem

Hoje é o dia que a esquerda escolheu para botar o seu bloco na rua e protestar contra as medidas de austeridade do Governo Temer. Convenientemente, o fizeram na sexta-feira que é véspera do 1 de maio. A preocupação com o futuro do país é sempre uma oportunidade para essa gente esticar o feriado.

Os sindicatos e movimentos sociais capitaneados por Lula, tentam impor uma pauta contrária a das reformas trabalhista e previdenciária. Para tanto, se valem das mistificações de sempre. Mentem sobre a situação real das finanças da previdência, afirmando que não há déficit. Mentem em favor de uma legislação trabalhista que data de Benito Mussolini. Afirmam que vão acabar com as aposentadorias, e que os empregados serão escravos dos patrões. O marxismo de fundo de quintal se une a uma desavergonhada tática terrorista de disseminação do medo com a suposta “perda de direitos”.

É preciso dizer com todas as letras: o Brasil não tem uma segunda opção. As reformas, que sempre foram necessárias, são o único caminho para que o país avance para um novo ciclo de crescimento. Mantidas as coisas como estão, a depressão em que nos metemos se aprofundará. Os indicadores econômicos estão aí para demonstrar. Dívida interna, gasto público, déficits recordes no saldo do INSS, baixa produtividade da mão de obra, entre outros fatores determinantes.

Em 2016, também sobre a chuva de críticas destes mesmos que hoje estão nas ruas, o Governo Temer aprovou a PEC do Teto dos Gastos, que, no longo prazo, devolverá racionalidade e equilíbrio ao orçamento. Agora é preciso lidar com outros temas. Temas que foram deixados de lado durante os 14 anos de governo petista, que empurrou o país para o abismo ao estimular o populismo fiscal e econômico. O resultado foram os 13 milhões de desempregados que hoje estão na rua da amargura.

A reforma da previdência garante o futuro do sistema, bem como a sustentabilidade do vencimento das aposentadorias vindouras. Já a reforma trabalhista busca dinamismo para uma economia fechada, restritiva, que desestimula contratações. É por isso que o Brasil aparece na rabeira de diversos levantamentos internacionais de liberdade de mercado e competitividade global. De modo que se opor as reformas é ser contra o emprego, é ser contra os pobres, é ser contra os aposentados do futuro, é ser a favor do status quo perverso.

A tal “greve geral” teve adesão de inúmeros idiotas úteis. Gente que realmente acha que está lutando por seus direitos. Servem de trampolim político para os vigaristas ideológicos de sempre. Aqueles que foram contra o Real, aqueles que foram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, aqueles que foram contra inclusive os programas sociais, sempre sob o mesmo pretexto: de que haveria uma conspiração contra os mais pobres.

Em 1979, quando se elegeu primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margareth Thatcher também precisou enfrentar a fúria da pelegagem. Para seu país respirar, ela teve de sufocar os interesses corporativos de setores influentes na política e na sociedade. O Brasil de vive situação similar atualmente.

Os que lideram os movimentos de hoje tem muito a perder. O imposto sindical, aquela mamata financeira que é recolhida compulsoriamente do bolso dos trabalhadores, está ameaçada. Tornando-se opcional, quem vai pagar para sustentar estruturas que são utilizadas por uma casta em favor de interesses particulares de poliqueiros? É por isso que eles estão fazendo das tripas coração para que nada mude, para que tudo fique como está. A vanguarda do atraso quer defender o que é dela, não o que é seu.

Artigo publicado no Jornal Informante de 28/04/2017

Guilherme Macalossi é formado em direito pela UCS e estuda jornalismo na Unisinos. Além de editor do portal Sul Connection é apresentador do programa Confronto, na Rádio Sonora FM. Escreve para jornais locais, além de ser articulista do Instituto Liberal do Rio de Janeiro. É colaborador da agência Critério, Inteligência em Conteúdo, localizada em Porto Alegre.