Guilherme Macalossi

13/03/2017 às 15:21 - Atualizado em 13/03/2017 às 23:17

Leandro Karnal é um adolescente buscando aceitação. Ou: Revelando um intelectual de geleia

Ao postar e depois remover uma foto que tirou com o Juiz Sérgio Moro, Leandro Karnal revelou sua moral descarnada. Criticado pelo seu próprio público por cometer a heresia de jantar com o responsável por julgar a Operação Lava Jato, apressou-se em pedir desculpas, excluindo a imagem do Facebook, como Stalin fez com Trótsky depois do expurgo.

O episódio revelou a natureza da personalidade deste senhor que anda pelo país falando de ética, de comportamento, de vida pública e de todo e qualquer assunto que for convidado para palestrar nos badalados colóquios de classe média alta que costuma frequentar. Nunca antes uma ação tão prosaica quanto deletar uma foto de uma rede social foi tão ilustrativa de um modo de ser.

Depois de deletar a foto com Moro, Karnal postou uma longa justificativa em seu perfil. E o fez naquele linguajar afetado, bancando o suprassumo da ponderação. Karnal seria a ilha de ponderação no mar de selvageria das redes sociais. E ao fazê-lo, escancarou ainda mais o espirito de suas ideias. 

Tentando se justificar pela janta com Moro, Karnal afirmou que teria "imensa curiosidade em conversar com pessoas que fazem parte da história". Gente como Ciro Gomes, Maria da Penha, Maria do Rosário e Lula. Todos o "ensinariam bastante sobre sua visão de mundo, o que faria eu pensar muito".

Em um ambiente onde a política e a academia dialogassem de modo racional e sério, não seria o intelectual a buscar desesperadamente uma janta com um político, mas o contrário. Imagine Russell Kirk, para ficar com o famoso escritor conservador americano, tendo como sonho de cosumo na carreira um encontro com uma liderança política regional do Partido Republicano. Karnal, entretanto, gostaria muito de encontrar com um coronel como Ciro Gomes, ou com um réu como Lula. É o retrato do rastejamento da classe pensante do país, sempre lambendo as botas dos donos do poder.

Para seus leitores, aqueles que provavalmente aprovariam uma foto sua com José Dirceu, garantiu que continuava "o mesmo": "um crítico do racismo, da misoginia, da homofobia, um professor interessado de forma apaixonada na educação". Faltou dizer que era a favor da lei da gravidade, do combate ao câncer, da vacinação infantil e de tudo o que há de bom. Mas a pergunta que cabe aqui é: Por que Karnal precisa reafirmar seu combate ao racismo, à misogenia e à homofobia depois de postar uma foto com Moro? Por acaso Moro seria um defensor de tais bandeiras preconceituosas?

A verdade é que Leandro Karnal submeteu sua convicção ao aplauso fácil, mais ou menos como aqueles adolescentes que buscam desesperadamente por aceitação no seu círculo de amiguinhos descolados. Não aguentou o policiamento do distinto público que o acompanha, formado por sedizentes tolerantes. No seu perfil oficial, perguntei se era ético deletar uma foto para obter o aceite de quem o lê. Até agora não fui respondido.

Eis ai o intelectual da geração Nutella e da garotada geek. Como resta demonstrado, todo o seu esforço de parecer firme na defesa de um modo de agir correto não passa de afetação calculda, assim como sua pose empostada é a carapaça de uma covicção que tem a solidez de uma geleia. 

Guilherme Macalossi é formado em direito pela UCS e estuda jornalismo na Unisinos. Além de editor do portal Sul Connection é apresentador do programa Confronto, na Rádio Sonora FM. Escreve para jornais locais, além de ser articulista do Instituto Liberal do Rio de Janeiro. É colaborador da agência Critério, Inteligência em Conteúdo, localizada em Porto Alegre.