Guilherme Macalossi

07/03/2017 às 15:52 - Atualizado em 07/03/2017 às 15:54

Manuela tenta me responder, mas revela somente sua ignorância em relação à história e aos números

A deputada comunista Manuela D'Ávila deve estar com muito tempo ocioso na Assembleia Legislativa. Do contrário, não teria se dado ao trabalho de ter escrito um artigo de resposta a este reles escriba interiorano. Isso ou a minha crítica ao feminismo doeu tanto nos calos do movimento que sua representante maior no Rio Grande do Sul se viu forçada a dizer alguma coisa.

Teria sido melhor negócio Manuela ter me esnobado. Ao escrever seu “direito de resposta” aqui no Jornal Informante, expôs tão somente sua ignorância em relação à história e e aos números.

Há uma série de mistificações que o Movimento Feminista utiliza para tentar pautar a sociedade e vender sua narrativa de mundo. Uma delas, constante no artigo da deputada comunista, é a distorção dos dados referentes ao salário pago para homens e mulheres. Manuela usa como fonte os levantamentos da Fundação Economia e Estatística, que apontaria uma diferença de remuneração de 22%. O número em si não é falso, mas é lançado para o público como dado absoluto.

Consultei um dos autores do estudo, o pesquisador Guilherme Stein, que me forneceu a íntegra dos dados colhidos. A diferença existente é justificada por outras informações importantes. Mulheres tendem a interromper mais sua carreira, elas optam por empregos que remuneram menos, trabalham menos horas por semana e começam suas atividades mais tarde do que os homens. Tudo isso contribui para que tenham em média 22% menos rendimento. Manuela divulga uma meia verdade para seus leitores.

Íntegra da pesquisa sobre o rendimento de homens e mulheres no Rio Grande do Sul

Ao contrário do que a deputada comunista afirma, o feminismo não gera o avanço civilizacional. Ele contribui, no mais das vezes, para o obscurantismo. A pesquisa sobre diferença de renda entre homens em mulheres comprova isso. De resto, o que gera o avanço civilizacional é a cultura de liberdade de uma sociedade. Só no Ocidente o Movimento Feminista e outros grupos que pretensamente lutam por direitos para minorias tem condições de existir. No resto do mundo eles são perseguidos e oprimidos. É fácil ser revolucionário social onde há garantia constitucional para tanto, difícil é sê-lo onde você pode ser enforcado em um guindaste por isso.

Adendo: Manuela alega que amamenta por ser feminista. Isso é estranho. E eu pensando que amamentar era uma característica biológica dos mamíferos. Com base no raciocínio da deputada comunista devemos concluir então que as vacas e cadelas amamentam também por serem feministas?

Guilherme Macalossi é formado em direito pela UCS e estuda jornalismo na Unisinos. Além de editor do portal Sul Connection é apresentador do programa Confronto, na Rádio Sonora FM. Escreve para jornais locais, além de ser articulista do Instituto Liberal do Rio de Janeiro. É colaborador da agência Critério, Inteligência em Conteúdo, localizada em Porto Alegre.