Guilherme Macalossi

05/12/2016 às 03:19 - Atualizado em 05/12/2016 às 15:44

Manu no maravilhoso mundo do comunismo

Manuela D'Ávilla começou a carreira dizendo "E ai, beleza?" nas suas primeiras propagandas como candidata a vereadora de Porto Alegre, lá no ano de 2004. Sorridente e descolada, a moça tentava emprestar leveza ao trambolho político que era se apresentar como militante comunista do PCdoB. Fez sucesso e saiu vitoriosa, fazendo carreira também na Câmara Federal, em Brasília. Para isso contou com a massa de esquerdistas residentes na capital gaúcha, pródiga em eleger petistas e congêneres adoradores da estatolatria e do dirigismo governamental.

No artigo "Os insuporto-alegrenses", meus amigo, o redator Matheus Colombo Mendes, descreveu esse tipo de gente que se avoluma na cidade baixa, no DCE da UFRGS e outros ambientes intelectualmente insalubres: 

"Conhecidos também como “SOCIALISTAS DE IPHONE”, normalmente defendem todo tipo de atraso e retrocesso mas são a favor de avanços e benesses que lhes beneficiam. Vocês são a favor do desarmamento, mas não abrem mão de seguranças particulares em seus condomínios; amam Fidel Castro, mas não deixam de ter quantas refeições fartas por dia quiserem; idolatram Hugo Chávez, mas não deixam de usar papel higiênico (admiram Lula, mas não perderam a virgindade com cabritas...). Vocês vivem de criticar a classe média e o empresariado, fazendo de conta que não são esses “opressores” que sustentam vocês, seja comprando as porcarias de seus jornais, seja com os impostos que pagam os salários dos funcionários públicos e professores universitários (os três grupos que mais fornecem integrantes ao insuportoalegrismo)."

Manuela encontrou ali a base de seu eleitorado. Inegavelmente ela conseguiu se apresentar como a cara da esquerda jovem e descoladinha. Aquela preocupada com a linguagem ofensiva, com a libertação sexual, com mundo verde e outras esparrelas politicamente-corretas.

Nessa semana, Manuela postou em sua página oficial no Facebook um vídeo onde tinha a pretensão de fazer graça com críticos de sua ideologia. O motivo foi a morte de Fidel Castro. A quantidade de besteiras que proferiu fez com a única piada que despertasse gargalhadas fosse ela mesma, ainda que de uma forma um tanto involuntária, o que apenas contribuiu para a sensação de vergonha alheia que a filmagem desperta. 

Aquele ar blasé, algo debochado, vinha somado a disparates históricos como a informação de que os soviéticos inventaram o celular. No meu Facebook comentei:

"Pela falta de qualquer informação que não seja oficial, o povo da Coreia do Norte acredita piamente que Kim Jong-II nasceu de forma sobrenatural, tendo tal fato modificado as estações do ano. É uma crença nascida da ignorância induzida pelo regime comunista. No Brasil, onde existe liberdade de qualquer informação, a também comunista Manuela acredita piamente que foram os soviéticos que desenvolveram o celular. Essa crença é diferente da outra: é aquela nascida do livre arbítrio pela estupidez. E pensar que a moça palestra em escolas."

Não é de hoje que os comunistas como Manuela tentam salvar o comunismo da realidade. Ela não mencionou no Facebook, mas aqui vão duas invenções soviéticas genuínas: o Gulag, posteriormente copiado pelos Nazistas e rebatizado de Campo de Concentração, e o Holodomor, o assassinato por meio da fome em escala industrial, igualmente copiado por outras ditaduras vermelhas ao redor do mundo. O celular e a chapinha para cabelo, utensílios por ela utilizados, foi o maldito capitalismo quem criou.

No mais, o restante do vídeo consistiu na repetição de mentiras como os indicadores sociais cubanos e outras falácias disseminadas pela mídia simpática ao ditador caribenho, tudo na tentativa de mostrar um outro lado que não aquele do tirano que mandava adversários e ex-aliados para o paredón. Em suma, aquela velha mania esquerdista de engrandecer supostos méritos e relativizar crimes. Imaginem um nazista dizendo que sim, Hitler matou uma porção de judeus, mas que por outro lado fez a Alemanha crescer economicamente.

Em 2015, Manuela esteve em Nova York para fazer o enxoval de seu bebê. Passou voando por cima de Cuba, a Disney da esquerda, e mergulhou de cabeça no consumismo da capital do imperialismo Ianque. Este escriba espera ansiosamente um próximo vídeo de Manuela, a Rosa Luxemburgo da Times Square. Quem sabe nele ela nos mostre as características auspiciosas da Revolução Cultural Chinesa, ou a versão cor-de-rosa do Khmer Vermelho.

Guilherme Macalossi é formado em direito pela UCS e estuda jornalismo na Unisinos. Além de editor do portal Sul Connection é apresentador do programa Confronto, na Rádio Sonora FM. Escreve para jornais locais, além de ser articulista do Instituto Liberal do Rio de Janeiro. É colaborador da agência Critério, Inteligência em Conteúdo, localizada em Porto Alegre.