Guilherme Macalossi

18/05/2017 às 02:38

Toda a hipocrisia petista no caso JBS/Temer

Sim, o país vive uma crise interminável, e isso jamais poderia ser motivo de sorriso para alguém. Mas não chega a ser cômica o flagrante descaramento dos petistas com o episódio das denúncias do dono da JBS contra Michel Temer? Tudo o que antes não valia para Dilma, passou a valer agora que o Presidente é outro.

Se confirmadas as informações publicadas pelo jornal O Globo, Michel Temer terá sido gravado, assim como Dilma acabou sendo quando Lula era investigado pela Lava Jato. Quando Sérgio Moro autorizou a quebra do sigilo das escutas, e tivemos o famoso episódio do Bessias, o misterioso assessor que entregaria ao ex-presidente o termo de posse como Ministro da Casa Civil, o que se ouviu foi uma gritaria generalizada, inclusive da então mandatária. 

Vejam as palavras de Dilma na sessão em que tentou empossar Lula:



Não foi a única vez em que ela tratou do assunto. Confiram outro momento:



Agora as "prerrogativas da Presidência" parecem colocadas em segudo plano por aqueles que até ontem as utilizavam para salvaguardar uma ação que tinha o claro objetivo de obstruir a justiça. Era o que Dilma e Lula tinham feito. Na época, havia o temor de que Lula acabasse preso em alguma operação da Lava Jato. O cargo lhe daria perrogativa de foro, e a proteção contra mandados da primeira instância.

"Grampo na Presidência da República ou em qualquer um de vocês, não é algo lícito". Eis ai palavras de Dilma. Por que os petistas tratavam a coisa como algo "ilícito" no passado e lícito agora? É o velho relativismo moral que acompanha os luminares da sigla.

Também foi para o vinagre a narrativa de que a Rede Globo seria o pináculo de sustentação do atual governo. A denúncia que tocou fogo no país foi divulgada em primeira mão pelo jornal O Globo, veículo mais antigo do grupo. Haja contorcionismo retórico para justificar esse episódio.

Mal as denúncias vieram ao público, vagabundos se acumularam nas ruas e na frente do Palácio do Planalto para exigir de Temer a renúncia que jamais cobraram de Dilma. Ao mesmo tempo, no Congresso Nacional, todos aqueles parlamentares que repetidamente condenaram o Impeachment e o chamaram de "golpe legislativo", se pronunciaram em favor de um pedido de impeachment.

A crise política sem precedentes só rivaliza com o espetáculo de impostura, mendacidade e dissimulação também sem precedentes protagonizado pelos petistas.

 

18/05/2017 às 01:26 - Atualizado em 18/05/2017 às 01:37

O fim do Governo Temer poderá ser uma imposição política, mas será uma tragédia econômica

Muita atenção no que vou dizer aqui, até porque o momento é delicado e qualquer argumento pode ser utilizado para enquadrar seu autor como hipócrita e defensor de bandidos: A eventual renúncia de Temer, ou a sua cassação, ou mesmo o processo de impeachment, será péssima para o Brasil. Pelo menos no curto e médio prazo.

Digo isso porque a preocupação e necessidade mais imediata do país é lidar com a agravada crise econômica que enfrentamos. Em texto que publiquei na semana passada no Jornal Informante, afirmei que o Governo Temer havia dado um norte ao país, uma agenda de governança por assim dizer. Os resultados de suas ações já estavam aparecendo. Os indicadores econômicos, tão degradados nos últimos anos, começavam a se estabilizar. Talvez nada seja mais ilustrativo do que a inflação, que está em seu menor índice em uma década.

Em apenas um ano de governo, foi apresentada uma agenda de reformas. A Trabalhista foi aprovada na Câmara, e um projeto de Reforma Previdenciária era negociada para ir à votação no Congresso. Além disso, também foi criado o Teto de Gastos Públicos, trazendo racionalidade para as despesas governamentais.

Nada disso, entretanto, justifica a defesa de um governo carcomido pela corrupção. Os petistas sempre usaram o argumento de que suas administrações haviam tirado 20 milhões de brasileiros da miséria, e que por isso podiam continuar no poder ainda que protagonistas do Mensalão e do Petrolão. Não pretendo fazer parte dessa hipocrisia.

As denúncias feitas pelo dono da JBS são gravíssimas. Desmoralizam o atual presidente e o inviabilizam no cargo. Enquanto escrevo essas palavras, ainda não caiu o sigilo da delação que o atinge, que incluiria gravações de Temer abençoando o pagamento de propina para silenciar Eduardo Cunha.  É o comportamento de um bandido, de um quadrilheiro, de um larápio de quinta categoria, que também merece ser punido pela sua burrice.

Quando Dilma Rousseff sofreu Impeachment, o país deu um passo adiante. Seu governo representava nossa estagnação. O destino de Temer, se igual ao de sua antecessora, será um passo para trás. Porque seu governo representava o avanço e esperança de um futuro melhor do ponto de vista das finanças e da economia.

Muitos me perguntaram qual será o futuro do país. Não sei responder, e acho que ninguém poderá fazê-lo a contento em espaço de tempo tão curto. A imprevisibilidade da situação, entretanto tenciona uma análise pessimista, ainda que muita gente possa vislumbrar um futuro distante de probidade. Até a abstração futurística, entretanto, o que teremos é a realidade da recessão e o desemprego.

10/05/2017 às 22:51 - Atualizado em 10/05/2017 às 23:47

Lula fingiu ponderação na frente de Moro, mas escancarou desprezo pela Justiça em cima do palanque

Escrevo esse texto enquanto ouço o depoimento de Lula na Lava Jato. O resultado foi bem longe de um conflito aberto entre o ex-presidente e o juiz Sérgio Moro, ainda que tenham ocorrido inúmeros momentos de tensão. Muita gente deve ter se decepcionado com a atuação de ambos. Mas, como já havia falado tanto aqui quanto na rádio, se tratava apenas de um ato jurídico padrão. O julgador questiona e o réu responde. E é isso o que se tem.

Na frente de Sérgio Moro, vimos um Lula ignorante em relação a tudo que se passa em seu redor, até mesmo no lar. No que pôde, responsabilizou Marisa Letícia pelo interesse de comprar o apartamento no Guarujá. A impressão que se teve é que fez, informalmente, uma delação contra sua falecida esposa. Sem dúvida um cadáver que veio a calhar. Se antes, em seu velório, ele subiu em cima do caixão dela para fazer um comício, agora ele o abriu para esconder a sujeira dentro.

Não dá para comparar o desempenho dele em Curitiba com o que teve na 10° vara de Brasília, onde falou pelos cotovelos sem contestação nem do juiz e nem dos promotores. Sabendo dos claros riscos que corria, seguiu a orientação de sua defesa, ainda que não tenha conseguido sair completamente ileso da situação. Entrou em clara contradição quando primeiro negou encontros episódicos com diretores da Petrobras e em seguida admitiu o encontro no hangar do Aeroporto de Congonhas com Renato Duque. Na prática, subscreveu o que o delator havia denunciado na última sexta-feira. Também não foi convincente quando teve de responder sobre um documento rasurado e sem assinatura que foi apreendido em sua casa. No documento, havia a adesão à cota de participação no apartamento alvo da investigação. Lula se limitou a desconhecer sua origem.

Em suma, quem acompanha o ex-presidente deve ter ficado assombrado com o estilo contido que ele adotou durante toda sua fala. As respostas quase sempre curtas servem para evitar contradições. O palanqueiro inveterado teve de segurar a língua que utiliza para vituperar contra tudo e contra todos. A desforra veio em seguida, quando se dirigiu a um palanque montado por seus apoiadores. Lá ele mostrou que a ponderação encenada no tribunal servia para disfarçar o seu desprezo pela lei e pela Justiça: "Se um dia eu tiver cometido um erro, não quero ser julgado apenas pela Justiça, mas antes pelo povo brasileiro", disse ele no estilo de sempre.

Como caudilho que é, Lula só considera "condenação" a derrota eleitoral. Tudo o mais constante pode ser considerado uma perseguição, um processo político. Sua relação seria somente com a massa, não com as autoridades constituídas, não com a lei em vigor. Eis ai a mentalidade típica do autoritário. Com esse tipo de argumento ele tenta consolidar a narrativa de que a Lava Jato tem o propósito de tirá-lo da disputa presidencial.

Não, o voto não julga, não condena e nem absolve. Notórios criminosos já foram eleitos para cargos públicos. É caso de Pablo Escobar, o chefão do tráfico de drogas que foi parar no Parlamento Colombiano. Lula será condenado ou absolvido a seu tempo, e só caberá à Justiça fazê-lo. O resto é conversa e perdigoto de quem acha que voto é salvo conduto para delinquir à vontade. 

04/05/2017 às 16:20 - Atualizado em 04/05/2017 às 16:25

Moro caiu em provocação de Lula e perdeu querela judicial com o ex-presidente

Avisei na rádio, e também em comentários no Facebook, que era um erro o juiz Sérgio Moro obrigar Lula a comparecer na oitiva de 87 testemunhas convocadas por sua defesa. Argumentei que não havia base jurídica para tanto. Quando a decisão saiu, me certifiquei conversando com amigos advogados e até promotores. A ampla maioria entendeu que não havia tal obrigatoriedade.

Verdade seja dita, Moro caiu em uma provocação. É claro que Lula e seu séquito de advogados pretendem tumultuar os processos em que ele é réu, fazendo de tudo para retardar ao máximo o andamento das coisas. Convocar 87 testemunhas é um despropósito, e Moro deveria ter passado a peneira nos depoimentos. Ele o faria resguardado pelo Art 398 do Código de Processo Penal, que limita a 8 o número de testemunhas que a defesa pode se valer.

Moro, entretanto, preferiu entrar numa querela jurídica. Aprovou os nomes e condicionou que Lula estivesse presente. O resultado está ai. O Tribunal Regional Federal da 4° região considerou a exigência desnecessária e reformou a decisão. Agora Moro terá de ouvir 87 testemunhas, e Lula poderá ficar em casa tomando cachaça.

Adendo: Não adianta incluir o TRF-4 no suposto conluio que pretende melar a Lava Jato. O tribunal tem se caracterizado por homologar a ampla maioria das decisões de Moro. Mais de 70%, para ser específico. Imaginar que essa decisão faz parte de uma conspiração é coisa de quem santificou o juiz de Curitiba a ponto de não ver que ele pode cometer erros como esse.

28/04/2017 às 14:48

O dia de fúria da pelegagem

Hoje é o dia que a esquerda escolheu para botar o seu bloco na rua e protestar contra as medidas de austeridade do Governo Temer. Convenientemente, o fizeram na sexta-feira que é véspera do 1 de maio. A preocupação com o futuro do país é sempre uma oportunidade para essa gente esticar o feriado.

Os sindicatos e movimentos sociais capitaneados por Lula, tentam impor uma pauta contrária a das reformas trabalhista e previdenciária. Para tanto, se valem das mistificações de sempre. Mentem sobre a situação real das finanças da previdência, afirmando que não há déficit. Mentem em favor de uma legislação trabalhista que data de Benito Mussolini. Afirmam que vão acabar com as aposentadorias, e que os empregados serão escravos dos patrões. O marxismo de fundo de quintal se une a uma desavergonhada tática terrorista de disseminação do medo com a suposta “perda de direitos”.

É preciso dizer com todas as letras: o Brasil não tem uma segunda opção. As reformas, que sempre foram necessárias, são o único caminho para que o país avance para um novo ciclo de crescimento. Mantidas as coisas como estão, a depressão em que nos metemos se aprofundará. Os indicadores econômicos estão aí para demonstrar. Dívida interna, gasto público, déficits recordes no saldo do INSS, baixa produtividade da mão de obra, entre outros fatores determinantes.

Em 2016, também sobre a chuva de críticas destes mesmos que hoje estão nas ruas, o Governo Temer aprovou a PEC do Teto dos Gastos, que, no longo prazo, devolverá racionalidade e equilíbrio ao orçamento. Agora é preciso lidar com outros temas. Temas que foram deixados de lado durante os 14 anos de governo petista, que empurrou o país para o abismo ao estimular o populismo fiscal e econômico. O resultado foram os 13 milhões de desempregados que hoje estão na rua da amargura.

A reforma da previdência garante o futuro do sistema, bem como a sustentabilidade do vencimento das aposentadorias vindouras. Já a reforma trabalhista busca dinamismo para uma economia fechada, restritiva, que desestimula contratações. É por isso que o Brasil aparece na rabeira de diversos levantamentos internacionais de liberdade de mercado e competitividade global. De modo que se opor as reformas é ser contra o emprego, é ser contra os pobres, é ser contra os aposentados do futuro, é ser a favor do status quo perverso.

A tal “greve geral” teve adesão de inúmeros idiotas úteis. Gente que realmente acha que está lutando por seus direitos. Servem de trampolim político para os vigaristas ideológicos de sempre. Aqueles que foram contra o Real, aqueles que foram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, aqueles que foram contra inclusive os programas sociais, sempre sob o mesmo pretexto: de que haveria uma conspiração contra os mais pobres.

Em 1979, quando se elegeu primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margareth Thatcher também precisou enfrentar a fúria da pelegagem. Para seu país respirar, ela teve de sufocar os interesses corporativos de setores influentes na política e na sociedade. O Brasil de vive situação similar atualmente.

Os que lideram os movimentos de hoje tem muito a perder. O imposto sindical, aquela mamata financeira que é recolhida compulsoriamente do bolso dos trabalhadores, está ameaçada. Tornando-se opcional, quem vai pagar para sustentar estruturas que são utilizadas por uma casta em favor de interesses particulares de poliqueiros? É por isso que eles estão fazendo das tripas coração para que nada mude, para que tudo fique como está. A vanguarda do atraso quer defender o que é dela, não o que é seu.

Artigo publicado no Jornal Informante de 28/04/2017

Guilherme Macalossi é formado em direito pela UCS e estuda jornalismo na Unisinos. Além de editor do portal Sul Connection é apresentador do programa Confronto, na Rádio Sonora FM. Escreve para jornais locais, além de ser articulista do Instituto Liberal do Rio de Janeiro. É colaborador da agência Critério, Inteligência em Conteúdo.