GIOVANA SARTORI
Giovana Sartori é uma ijuiense que veio a Porto Alegre para estudar medicina. Acabou na rua fazendo manifestações contra o governo no batuque da Banda Loka Liberal. Divide seu tempo entre a faculdade, a política e os amigos e deu uma pausa nos estudos aqui no Brasil nesse ano para se aventurar no curso Global Public Health na Universidade de Londres. Vai palpitar sobre política, cultura e o que mais der na telha.

27/11/2015 às 02:04 - Atualizado em 27/11/2015 às 20:01

A absurda proibição do Uber em Porto Alegre

Para ser taxista no Brasil, o motorista precisa de um cadastro pessoal que habilita-o a exercer essa profissão. O carro também deve ser licenciado pelo poder municipal. Há muitos anos esse tipo de autorização não é mais concedida em Porto Alegre, e as licenças de táxi já existentes são iregularmente revendidas por valores que giram entre 300 e 400 mil reais. A maioria dos taxistas em circulação aluga essa permissão de outras pessoas (obviamente pois não tem condições de pagar por ela), dos famosos "barões dos taxis", gente rica que detém posse de muitos carros autorizados. Vale lembrar que quem regulamenta também é detentor dos meios, como o diretor-presidente da EPTC, que segundo denúncias, é dono de uma frota de taxis em nossa cidade. Segundo esse cenário é fácil concluir que os taxistas são explorados tanto pelas prefeituras quanto pelos "capitalistas de estado", que lucram imensamente em cima de seus locatários graças a uma absurda regulamentação governamental. 

 

Eis que surge uma nova alternativa: um aplicativo para motoristas particulares, que não é controlado pelo estado. Com o Uber eles trabalham sem taxas de burocracia governamental, sem a necessidade arrendar carros autorizados pela prefeitura, podem, portanto, além de aumentar o número de corridas -pois o serviço é mais barato e de qualidade superior- ter um ganho líquido muito maior. Dá pra aceitar que estejam protestando contra um aplicativo que pode melhorar suas vidas?

 

Ainda não há legislacão que regulamente o Uber e nem que proiba-o (como sempre, o poder público está anos-luz atrás das inovações do mercado), e uma vez que o aplicativo não viola qualquer lei brasileira relacionada a transporte, não há justificativa legal para que seja impedido de funcionar. De qualquer forma, na quarta-feira a câmara de vereadores de Porto Alegre decidiu se opor à vontade da população e restringir ainda mais a nossa liberdade: por 22 votos a 9, determinaram que o Uber está proibido de operar até que seja regulamentado. 

 

Quem se beneficia dessa briga toda? A prefeitura, os detentores das licenças de automóveis e os sindicatos. Os três grupos que aumentam sua arrecadação às custas dos taxistas. Quem luta contra a liberdade trazida pelo Uber? José Fortunatti e muitos vereadores (seus nomes estão listados abaixo), a máfia que controla o serviço, o sindicato e os taxistas (sim, é praticamente inacreditável que eles se auto boicotem). 

 

Ontem à tarde alguns motoristas de taxi licenciados pela EPTC -que supostamente é responsável por garantir a segurança dos passageiros, afastando sujeitos que oferecem risco do exercício da profissão- fizeram uma emboscada, agrediram e machucaram gravemente um motorista que trabalhava para o Uber, no estacionamento do Carrefour. 

 

Ninguém aguenta mais pagar caro por um serviço de táxi de má qualidade e inseguro. Eu não aceito mais me sujeitar a contratar uma corrida de um motorista que pode muito bem ser um  desses marginais capazes de agredir outros colegas de trabalho. Quero usufruir do direito de escolha e contratar motoristas educados, que prestem um serviço digno, por um sistema que permite a avaliação imediata do serviço utilizado, a localização do carro pelo cliente via GPS, o desligamento de profissionais que não se enquadram no padrão de qualidade proposto.  Eu, frequentemente, uso o Uber na cidade de Londres e estou muito satisfeita com o serviço prestado e com seu preço, que é menor que o dos taxis tradicionais. 

 

 Impossível não lembrar da antiga Telebrás, monopolista estatal da telefonia, e correlacionar com o taxi brasileiro. O custo de uma linha telefônica era uma exorbitância... E pensar que hoje, graças à concorrência entre empresas, nem precisamos mais pagar por um aparelho de celular! Esse mercado no Brasil ainda é extremamente regulamentado e, por isso, a telefonia é cara e de baixa qualidade, mas a quebra do monopólio trouxe um avanço anteriormente inimaginável. 

 

Mais cedo ou mais tarde a liberdade vai vencer, isso é inevitável. Os protagonistas dessa luta ultrapassada serão lembrados com desgosto e estarão restritos a sua própria insignificância (espero que não exerçam mais cargos públicos a partir das próximas eleições). Os burocratas que tentam restringir nossa liberdade são a ilustração do atraso, da ignorância, da má índole e má vontade para com aqueles que os elegeram. A luta a favor desse aplicativo é de todos nós, pela garantia das liberdades individuais e pelo fim do autoritarismo estatal. A quebra de monopólios e a abertura do mercado, como no caso do Uber, é resposta aos nossos anseios e traz benefício para todos que não vivem às custas da exploração alheia.

 

 

-Vereadores que votaram a favor da proibição do Uber em Porto Alegre:

Fernanda Melchionna (Psol)
Prof. Alex Fraga (Psol)
Alberto Kopittke (PT)
Antonio Matos (PT)
Pérola Sampaio (PT)
Cassio Trogildo (PTB)
Dr. Goulart (PTB)
Elizandro Sabino (PTB)
Paulo Brum (PTB)
Cláudio Janta (SD)

Dinho do Grêmio (DEM)
Reginaldo Pujol (DEM)
Jussara Cony (PCdoB)
Delegado Cleiton (PDT)
Dr. Thiago (PDT)
João Bosco Vaz (PDT)
Dr. Raul Torelly Fraga (PMDB)
Bernardino Vendruscolo (Pros)
Airto Ferronato (PSB)
Paulinho Motorista (PSB)
Tarciso Flecha Negra (PSD)
Mario Manfro (PSDB)

- O evento virtual de boicote ao Taxi em Porto Alegre já tem 17.400 confirmados no Facebook. Está agendado para ocorrer entre o dia 1 e 2 de Dezembro. Esse é link: https://www.facebook.com/events/1658017311136902/